Alisson Santos colocou o leão nos oitavos final da Champions e entrou em êxtase (Foto IMAGO) - Foto: IMAGO

No altar da Catedral ficou o menino Alisson Santos (as notas do Sporting)

Brasileiro tem uma apetência inaudita pelos jogos de Champions e se os verde brancos estão nos oitavos de final bem lhe podem agradecer. Maxi Araújo foi um dos reis da selva num território de leões
O melhor em campo: Alisson Santos (8)
San Mamés é uma das catedrais do futebol europeu e, inclusivamente, é mesmo denominado de 'A Catedral', pois o estádio é muito perto da monumento com o mesmo nome, um dos 'ex libris' de Bilbau. E no altar da catedral ficou em posição de destaque Alisson Santos, não tanto um menino em termos de idade, 23 anos, mas sim de projeção, tendo em conta que há um ano estava no UD Leiria e (quase) ninguém o conhecia. Os leões estão nos oitavos de final da Champions e muito podem agradecer ao brasileiro, pois não teve muitos minutos, mas em San Mamés marcou o golo decisivo e na semana passada, com o PSG, mudou por completo o cariz do encontro. O Nápoles bem o pode querer neste mercado, mas será que os responsáveis do Sporting o vão deixar de sair? E por quanto? Já valerá mais uns milhõezitos...

Rui Silva (5) — Jogo ingrato para o guarda-redes, pois sofreu dois golos e no primeiro deu a sensação de que se poderia ter esticado um pouco mais e, de resto, apenas fez uma defesa complicada já na segunda parte…

Fresneda (6) — O Bilbao não apostou muito em ataque pelo seu flanco e o espanhol, quando o Sporting se balançou para o ataque, deu grande profundidade à ala. E no primeiro assomo atacante leonino foi ele que ganhou o canto que resultou no primeiro golo.

Diomande (6) — Saiu aos 53 minutos e talvez Rui Borges não o quisesse fazer, pois estava a ser, de longe, o mais certinho a defender, estava a esticar a equipa em passes longos certeiros — uma novidade para o costa-marfinense —  e tinha marcado o primeiro golo. No entanto, tendo em conta a paragem a que esteve sujeito, o tempo de jogo estava contado…

Gonçalo Inácio (5) —Nos primeiros minutos não escapou muito à desorientação defensiva, mas estava a começar a acertar nos passes longos a desbloquear as linhas de pressão do Athletic quando teve de sair por lesão.

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Maxi Araújo (7) — Na esquerda, no meio, na direita, o homem andou por todo o lado. O Sporting são os leões portugueses, o Athletic os espanhóis e o uruguaio foi um dos reis da selva. Milimétrica forma como colocou a bola na cabeça de Diomande no primeiro golo. Mas se fosse só isso… poderia os bascos ter ficado (mais) descansados. Quando foi preciso raça, lá sobressaiu o homem que não gosta de jogar a lateral esquerdo. O que seria se gostasse…

Hjulmand (5) — Na primeira parte parecia um holograma. Perdas de bola, uma assistência para Sancet inaugurar o marcador e demasiadas discussões estéreis com o árbitro. Após o intervalo melhorou muito mas, ainda assim, sem a preponderância que lhe é reconhecida.

João Simões (5) — Não falhou tantos passes enquanto esteve em campo como o companheiro do lado, mas não se entendeu com a pressão que os bascos exerceram, pelo que, ao contrário de outros jogos, não conferiu à equipa grande amplitude. Porém, não comprometeu.

Geny Catamo (6) — Na tomada de decisão tem de melhorar, como é óbvio, mas na hora em que foi preciso ir para cima dos espanhóis, lá foi o moçambicano. Poderia ter feito melhor quando apareceu em posição de privilégio (61’), mas nem todas as noites se pode ser herói…

Daniel Bragança  (4) — Rui Borges chamou-o à titularidade porque queria um conjunto com mais posse e critério no último terço, mas o 23, após quase um ano sem ser titular, não deu à equipa uma coisa e muito menos a outra. Demasiado escondido. Mas compreende-se...

Trincão (6) — Foi deslocado para a esquerda e na fase inicial da partida não se deu bem com a mudança. Por volta da meia-hora, o treinador chamou-o e deu-lhe indicações mais precisas. Porém, até ao interregno, não melhorou. Na segunda parte parecia outro. Marcou o segundo golo e foi vê-lo muitas vezes em sprints até ao meio-campo defensivo para roubar bolas. Fez jus ao lema implementado por Rui Borges: quando faltou a inspiração, não faltou a atitude.

Luis Suárez (6) — Só não tem uma avaliação melhor por força de não ter sido ele o herói dos leões, pois ficou na cara do golo com Unai Simón e desperdiçou o que Alisson não falharia. Mas quando o Sporting subiu uns patamares, um dos elevadores foi o colombiano, tendo em conta a raça que emprestou à equipa e o processo associativo baralhou os bascos.

Matheus Reis (4) — Entrou a frio e pouco depois cometeu um erro perfeitamente infantil, desistindo do lance para Guruzeta, que fez o segundo golo dos espanhóis. Recompôs-se. Mas só um pouquinho.

Pedro Gonçalves (7) — Está de volta o homem das decisões acertadas e dos pés de ouro. Quem se lembrar de um passe errado de Pote em San Mamés que se manifeste… Excelente a forma como colocou Trincão na cara do golo e aquela desmarcação para Geny no lance do penálti revertido.

Morita (7) — Rui Borges, diga-se, nunca contou com o melhor Morita mas na vitória histórica do leão o japonês teve uma influência preponderante, reorganizando o meio-campo e dando geometria e variabilidade nas ações ofensivas.

Eduardo Quaresma (6) — O rapaz da máscara não fez cara feia ao jogo e não cometeu erros.