«Nesta altura é tentar remediar o que já não tem remédio»
Há três anos que o Sporting não sabia o que era estar sem vencer dois jogos consecutivos em Alvalade. Aconteceu em fevereiro/março de 2023, ainda na era de Ruben Amorim, com os leões a escorregarem diante de FC Porto (1-2) e Estoril (0-0), na 20.ª e 23.ª jornadas, respetivamente.
Agora, nesta reta final, os leões marcaram passo com o já despromovido Aves SAD e o Tondela, de corda no pescoço a lutar pela manutenção, em vésperas de oficialização da renovação de contrato de Rui Borges, mas na análise atrás especificada tinha perdido por 1-2 com o Benfica.
Em relação ao timing do anúncio (agendado para amanhã, sexta-feira, às 11h00, em Alvalade), A BOLA ouviu Jaime Marta Soares, antigo dirigente do Sporting, que apontou o dedo a algumas decisões.
«Em circunstância alguma este é o momento ideal. Já deveria ter sido, agora, numa altura destas é tentar remediar o que já não tem remédio. Mas, há responsáveis nesta situação do Sporting, e uma delas, com certeza, não pondo em causa a pessoa que é, o humanista que é, o treinador, uma pessoa que eu, enquanto cidadão, respeito muito, mas que, como disse sempre, não considero que tenha estatuto para ser treinador de Sporting», começou por dizer.
«Mas não podemos só pôr em causa os erros do treinador. Há pessoas responsáveis, os donos de tudo isto, e refiro-me concretamente ao Sporting e ao seu presidente, por todo um conjunto de situações que me desagradaram, nomeadamente, o falar demais e em tempo não oportuno. Quando isso acontece o povo diz que quem tem telhados de vidro não deve atirar pedras. Esta situação que o Sporting está a passar, não sei se será incapacidade de administração de um clube da dimensão do Sporting, se algum excesso de procura de protagonismo, que normalmente acontece nestas pessoas que estão à frente destas instituições, ou se é uma pessoa com falsa humildade», acrescentou.
Marta Soares mostrou, ainda, descontentamento com aquilo que pode ser época magra quanto a conquistas diz respeito: «Só ganhar a Taça de Portugal, embora acredite - mas só depois do jogo acabar e o resultado estar devidamente definido -, é muito pouco, além da perda de verbas de imenso se não ficarmos em segundo lugar.»
E foi mais além: «Não só é prejuízo financeiro, mas também desportivo e até administrativo. Um fracasso tremendo, que o Sporting poderia ter evitado. Mas, acima de tudo, que o clube e os adeptos não mereciam. Espero que haja bom senso para parar e analisar bem estes últimos tempos, para que possamos projetar as próximas épocas com outros planos, com outro saber e, acima de tudo com mais trabalho e menos conversa.»