Atlético levou a melhor sobre o Real no Metropolitano, capitalizando a expulsão de Huijsen e o penálti de Grimaldo. Jonathan David fez o 2-0 e Rudiger reduziu. #DAZNLaLiga
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Nervos, polémica e Atlético vence dérbi ao Real de Mourinho (crónica)

Se na primeira parte praticamente não houve oportunidades, o segundo tempo foi bem diferente. Grimaldo inaugurou o marcador de penálti, Jonathan David ampliou e Bernardo Silva ainda assistiu Rudiger

MADRID — Após o triunfo do Barcelona em Sevilha, o dérbi madrileno tornou-se num jogo de alto risco para qualquer uma das duas equipas. O preço elevado de uma derrota seria o de ver aumentada a diferença de pontos em relação ao líder da tabela. O Real Madrid perdeu e ficou a 6 pontos — uma distância considerável quando apenas se disputaram 7 jornadas. É certo que ainda há muita liga por jogar, mas acumular atrasos tão cedo não é, certamente, o melhor caminho a seguir por um aspirante à conquista do título.

Para este jogo, José Mourinho apresentou de início a formação principal, na qual não entrou Bernardo Silva, com a curiosidade de que oito jogadores — os do meio-campo para a frente, além de Courtois e Huijsen — foram os mesmos que, há um ano, Xabi Alonso escolheu para o dérbi que o Atlético ganhou por 5-2. De um ano para o outro, as coisas não melhoraram e houve nova derrota, embora um pouco mais ligeira.

A rivalidade entre os dois conjuntos ficou bem patente desde o início: nervos, muita imprecisão e poucas jogadas nas áreas. Ambas as equipas procuraram ter a posse de bola e controlar as operações no meio-campo, registando-se, sobretudo, demasiadas interrupções de jogo pelas constantes faltas cometidas de parte a parte. Algumas geraram polémica: uma entrada de Romero sobre Bellingham foi castigada com cartão amarelo, sob protestos do Real Madrid, que considerava que o argentino merecia o vermelho; outra, do coreano Kang-in Lee sobre Valverde, pareceu com maior clareza que devia ter sido sancionada com expulsão. Dois lances cruciais em que o Real — que antes do jogo já duvidava da isenção do árbitro — talvez tenha razões para se queixar.

Foi um primeiro tempo nada vistoso, sem grande futebol, mas com muita intensidade — um clima que se estendeu ao túnel de acesso aos balneários, onde Rudiger teve uma forte discussão com Hjulmand, sucedendo o mesmo entre o adjunto de Mourinho, João Tralhão, e o treinador de guarda-redes do Atlético, ambos punidos com cartão vermelho.

O Atlético, que já tinha sido superior antes do descanso, começou o segundo tempo a querer impor o seu ritmo e não tardou a adiantar-se no marcador. Dentro da área, Giuliano foi agarrado por Huijsen, numa falta clara que o árbitro — que desta vez acertou — puniu com a expulsão do defesa visitante e uma grande penalidade que Grimaldo transformou no primeiro golo do Atlético.

Com menos um jogador e com praticamente toda a segunda parte por jogar, Mourinho teve de modificar o esquema da equipa: entraram Rudiger e Diomande e saíram Arda Guler e Vinícius, que, uma vez mais, esteve longe do seu melhor (o crédito que Mou lhe tem vindo a conceder está a esgotar-se).

A situação delicada do Real complicou-se ainda mais com o segundo golo dos visitados: Giuliano, o melhor jogador em campo, entrou pela direita e fez um cruzamento medido para o coração da área, onde apareceu David a mandar o esférico para o fundo da baliza de Courtois.

Um pouco mais tarde, o Atlético teve uma dupla oportunidade soberba para fazer o terceiro golo que, a ter surgido, poderia ter resultado numa goleada.

Já nos derradeiros minutos, Rudiger, de cabeça, logrou maquilhar um resultado que não esconde a exibição modesta do Real Madrid, que raramente mostrou ambição de querer ganhar o encontro.

No primeiro tempo ainda conseguiu equilibrar o jogo, mas no segundo voltou a quebrar como em desafios anteriores — embora, desta vez, com a justificação da inferioridade numérica. Ficam muitas dúvidas em torno desta equipa de Mourinho, que tem muito trabalho pela frente até conseguir que ela saia da mediocridade e convença. Bernardo Silva entrou a dez minutos do fim e, pelo que fez, deixou a dúvida sobre se não deveria ter entrado em campo muito antes.

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