Nem Mourinho escapou ao furacão americano da Roma
Claudio Ranieri é a mais recente figura histórica a deixar a Roma, seguindo um padrão de saídas controversas que marcou a era dos proprietários americanos do clube. O antigo jogador e treinador, que recentemente desempenhava o cargo de conselheiro sénior, saiu depois de apenas dez meses, na sequência de um conflito interno com Gasperini.
A saída de Ranieri, um adepto do clube desde a infância e que o serviu como jogador e treinador em três ocasiões distintas, não é um caso isolado. A gestão americana da Roma, tanto sob a liderança de Pallotta como, mais recentemente, dos Friedkin, tem sido marcada por despedimentos abruptos de figuras icónicas.
O caso mais emblemático remonta à gestão de Pallotta e envolveu Francesco Totti. Após terminar a carreira de jogador, o histórico capitão assumiu um cargo diretivo, mas a sua permanência durou pouco mais de um ano. Totti anunciou a sua saída numa conferência de imprensa a 17 de junho de 2019, onde expressou a sua frustração.
«Era melhor morrer do que viver um dia assim. Pensava que poderia ficar na Roma para sempre. Nunca fui envolvido num projeto técnico. Mantinham-me à margem de tudo. Nunca houve uma relação com Baldini e nunca haverá. Um dos dois tinha de sair e afastei-me», declarou na altura o antigo número 10.
Já na era Friedkin, a história repetiu-se com José Mourinho. Contratado de forma surpreendente a 4 de maio de 2021, o treinador português tornou-se um ídolo para os adeptos, levando a equipa a duas finais europeias consecutivas, conquistando a UEFA Conference League. No entanto, a relação com os proprietários deteriorou-se e, após duas épocas e meia, Mourinho foi despedido abruptamente, saindo em lágrimas do centro de treinos. Com ele, partiu também Lukaku, que tinha sido contratado por empréstimo.
Para acalmar o descontentamento dos adeptos, os Friedkin apostaram noutro símbolo do clube, Daniele De Rossi. Após quatro meses de bons resultados, o antigo médio assinou um contrato de três anos, mas foi despedido após apenas quatro jogos, alegadamente devido a conflitos internos com a CEO, Lina Souloukou, relacionados com a transferência falhada de Dybala para a Arábia Saudita.
A situação de Ranieri em 2018, quando Pallotta não renovou o seu contrato nem o de De Rossi, já prenunciava esta tendência. Agora, outra lenda do clube, Bruno Conti, enfrenta um futuro incerto. Com 53 anos de ligação à Roma, o seu contrato expira em junho e, de acordo com a Gazzetta dello Sport, não há sinais de renovação, o que sugere que mais uma figura histórica poderá estar de saída.