Um dos (milhares de) simpáticos répteis que se passeiam por Palm Beach - Foto: MIGUEL NUNES
Um dos (milhares de) simpáticos répteis que se passeiam por Palm Beach - Foto: MIGUEL NUNES

É só lagartos em Palm Beach

O lado B do Mundial é aqui na rúbrica diária do enviado-especial de A BOLA aos Estados Unidos

WEST PALM BEACH — Caminhar pelas ruas arborizadas de West Palm Beach, nesta contagem decrescente para a estreia da nossa Seleção, é aceitar um convívio diário com uma vizinhança peculiar. Por aqui, a natureza teima em saltar dos canteiros para o asfalto. Há uma invasão silenciosa que salta à vista de qualquer repórter: é só lagartos em Palm Beach. 

Desengane-se o leitor mais clubista se pensa que há aqui alguma segunda intenção escondida na frase anterior ou que algum emblema montou sucursal nas imediações do quartel-general de Portugal. Nada disso. Trata-se de uma constatação puramente zoológica, embora a ironia do cenário seja deliciosa demais para ser ignorada por quem respira o nosso futebol.

Estes répteis tropicais transformaram-se nos verdadeiros donos do pedaço. Há-os de todos os tamanhos e feitios. Uns são minúsculos, rápidos como extremos de linha, desaparecendo num ápice entre as fendas dos passeios; outros, mais robustos e imponentes, exibem-se sem pressas sob o sol abrasador, ostentando uma pose aristocrática junto às palmeiras e aos jardins residenciais.

Andam por todo o lado, quase sempre camuflados na vegetação luxuriante da Florida, mas demonstram uma capacidade de adaptação impressionante, estando perfeitamente habituados à coexistência pacífica com os humanos. Olham-nos de soslaio, com uma indiferença felina, antes de recolherem à sombra protetora do seu próprio reino.

Em Portugal, a gíria das bancadas costuma usar o termo com contornos mais belicosos para picar um dos rivais da Segunda Circular. Mas aqui, no asfalto quente da Florida, a palavra despe-se de qualquer carga pejorativa e ganha uma leveza quase poética. 

É impossível não sorrir ao ver tamanha proliferação destas criaturas verdes num Estado que serve de base de apoio à Seleção Nacional. Se o bicho é sinal de agilidade e de sobrevivência em ambientes extremos, que esta omnipresença seja um bom prenúncio. Afinal, para cruzar com sucesso esta longa rota americana, Portugal vai precisar de toda a destreza do mundo. O asfalto continua a ferver e, entre répteis e palmeiras, a caravana avança. Vai dar Portugal!

A iniciar sessão com Google...