Não há Samu, caça-se com Froholdt: cada vez mais influente nos golos do FC Porto

Farioli encontrou em Froholdt o cérebro e o pulmão do novo FC Porto ofensivo. Médio dinamarquês assumiu o comando do ataque portista e mostra que o golo também se constrói de mangas arregaçadas

O FC Porto enfrentou um dos maiores desafios na atual campanha da Liga ao perder a sua principal referência de ataque. Não se caça com Samu, caça-se com… Froholdt. Desde que Samu, o pilar ofensivo da equipa e principal artilheiro do campeonato, com 13 golos marcados, se viu afastado da competição por causa de lesão grave que antecipou o ponto final na época, Farioli viu-se forçado a reinventar a dinâmica de ataque do FC Porto, mesmo confiando em Deniz e Gul e Moffi.

A ausência do avançado espanhol deixou uma lacuna de 14 participações diretas em golos, contando com a assistência que tem, mas os números mais recentes mostram que há soluções no plantel prontas a assumir o protagonismo e não têm, necessariamente, de ter dotes de goleador. Sem o habitual homem-golo, os holofotes viram-se agora para o meio-campo, mais especificamente para Victor Froholdt.

O dinamarquês tem sido o verdadeiro motor oculto da equipa e, com a saída de cena de Samu, é ele quem herda o topo da hierarquia de influência atacante entre os jogadores disponíveis. Somando já 10 participações em golos na Liga (com 4 remates certeiros à sua conta), o facto de um médio centro liderar esta estatística atesta bem a versatilidade e a capacidade de chegada à área que Froholdt oferece à manobra ofensiva dos dragões.

No triunfo por 3-0 sobre o Moreirense, o nórdico reforçou esse estatuto mesmo sem fazer balançar as redes da baliza de André Ferreira. Dois passes letais para as finalizações de Pietuszewski e William Gomes trouxeram à superfície a capacidade que Froholdt tem de descobrir os melhores caminhos do golo, confiando na capacidade técnica dos extremos para completar a obra.

Oskar a entrar no palco

A acompanhá-lo na linha da frente da criatividade e finalização estão nomes como William Gomes (que já soma impressionantes sete golos na prova), Gabri Veiga (o rei das assistências a par de Alberto Costa, ambos com seis passes para golo) e Borja Sainz, que mesmo um pouco desaparecido, continua a ser uma dor de cabeça para as defesas contrárias.

Contudo, é um nome inesperado que começa a roubar as atenções e a concentrar o entusiasmo dos adeptos portistas: Oskar Pietuszewski. Com apenas 17 anos, o jovem reforço aterrou na Invicta na janela de transferências de janeiro e precisou de muito pouco tempo para provar o seu valor. Numa fase em que a juventude e a inexperiência poderiam pesar, Pietuszewski tem dado cartas no ataque azul e branco. O polaco já leva três golos e uma assistência na Liga, números que impressionam face à sua tenra idade e ao curto período de adaptação ao futebol português.

Com a corrida pelo título a não permitir margem para erros, o FC Porto sabe que não pode autorizar-se a pensar nos problemas, mas sim nas soluções. A lesão de Samu foi um rude golpe nas aspirações portistas, mas a ascensão de um médio como Froholdt e o talento precoce do recém-chegado Pietuszewski prometem manter a chama do ataque do Dragão bem acesa até à reta final do campeonato.