No fecho da jornada 31 da Liga, um bis de Murilo deu a vitória ao Gil Vicente na receção ao Casa Pia — Foto: Estela Silva/LUSA
No fecho da jornada 31 da Liga, um bis de Murilo deu a vitória ao Gil Vicente na receção ao Casa Pia — Foto: Estela Silva/LUSA

Não foi preciso um milagre, mas também nem tudo foram... Rosas (crónica)

Bis de Murilo mantém os galos bem vivos na luta pelo apuramento europeu. Lateral-esquerdo dos gansos sofreu um penálti... mas depois cometeu outro

Não é que tenha havido a conversão de pães em flores, como reza a lenda (século XIV) da magia feita pela Rainha Santa Isabel, esposa de D. Dinis, e, por essa razão, não podemos falar propriamente num milagre. Mas meteu.... Rosas.

O Gil Vicente estava obrigado a vencer para não perder terreno na luta pelo 5.º lugar — o Famalicão havia vencido (1-0) o Estoril, na véspera —, mas o Casa Pia, em luta acesa pela permanência, também necessitava de pontos como de... pão para a boca.

Os galos assumiram as despesas e quiseram ter o domínio, os gansos demonstraram boa organização defensiva e nunca perderam de vista as transições atacantes.

Já depois de uma ameaça de Cassiano (7'), o marcador funcionou pela primeira vez à passagem da meia hora. Lançamento lateral longo de Santi Garcia, Cassiano, em ajuda à retaguarda, penteou ao primeiro poste, com a bola a sobrar para Murilo que, no coração da área, atirou forte e colocado, de pé esquerdo, para a festa no Minho.

Pouco depois, Pedro Rosas deu conta de que estaria disposto a explorar terrenos mais adiantados e, de cabeça, atirou por cima da barra, após canto de Larrazabal, mas o lateral/ala esquerdo dos casapianos iria voltar a intervir num lance de ataque. Já na compensação da primeira parte, e na sequência de um excelente passe de rotura de João Marques, o antigo jogador do Felgueiras caiu na área gilista, numa disputa com Zé Carlos, e o árbitro da partida marcou penálti. A decisão (altamente controversa, até porque fica a sensação de que Pedro Rosas é que terá feito falta sobre o seu adversário) foi validada pelo VAR e, da marca dos 11 metros, Cassiano não tremeu, empatando a contenda em cima do intervalo.

Os segundos 45 minutos obrigaram o conjunto orientado por César Peixoto a forçar a barra, mas a equipa de Álvaro Pacheco continuou sempre muito solidária defensivamente e nunca perdeu de vista a baliza de Dani Figueira.

Não foi por milagre que o segundo golo apareceu, mas voltou a ter imenso cheiro a... Rosas: a cerca de 20 minutos do final do encontro, o camisola 75 dos casapianos puxou Jonathan Buatu no interior da grande área, depois de excelente cruzamento de Agustín Moreira, e Murilo foi... rei. O extremo brasileiro atirou a contar, fez o bis e selou o triunfo gilista.

Com a corrida a chegar ao fim, o Gil Vicente tem pela frente Rio Ave (fora), Arouca (casa) e Sporting (fora). O Casa Pia vai defrontar Tondela (casa), Vitória de Guimarães (fora) e Rio Ave (casa). Galos e gansos têm de dar tudo pelos respetivos objetivos. Falhar é proibido.

O melhor em campo: Murilo (7)

Marcar dois golos numa partida extremamente importante no que concerne à luta pelo apuramento europeu, e, ainda para mais, numa fase em que os gilistas estavam há dois jogos arredados dos triunfos, só pode valer a distinção. Mas o brasileiro foi ainda mais. Agressivo nos duelos individuais, astuto no posicionamento sem bola, sempre à espreita de uma solicitação, e felino no último passe.

A figura: Cassiano (6)

Frio, como é seu apanágio, da marca dos 11 metros, recolocou, na altura, os casapianos na luta pelos pontos. Quando apontou, com sucesso, o penálti, em cima do apito para o intervalo, o experiente ponta de lança dava vida à equipa, como que sublinhando que desistir não pode fazer parte de um grupo que tanto precisa de sorrir. Batalhou imenso em cada lance e fez por merecer mais.

As notas dos jogadores do Gil Vicente:

As notas dos jogadores do Casa Pia:

Notícia atualizada às 23h55