Açorianos vencem batalha perante guerreiros ‘ausentes’ (crónica)
Ainda a jogar em dois tabuleiros, no do campeonato e no da Liga Europa, Carlos Vicens operou uma autêntica revolução no onze do SC Braga, mantendo apenas Gabriel Moscardo e Demis Tiknaz. Na mente do treinador, além da sobrecarga de minutos numa época que já vai longa, também estava o encontro da próxima quinta-feira, com o Friburgo.
Nas nove mudanças, o técnico espanhol promoveu três estreias a titulares na Liga e uma delas, de Luisinho, absoluta. Um dia que o jovem médio de 19 anos não irá esquecer, carimbando o momento com a assistência para Rodrigo Zalazar abrir o marcador no São Miguel. Vicens abriu uma janela de oportunidade, mas que não foi aproveitada pela maioria e o SC Braga esteve (muito) longe de mostrar a sua real capacidade, saindo vergado a uma derrota justa, depois de ir para intervalo em vantagem. E os números finais não enganam: apenas três remates efetuados, contra onze dos açorianos.
A qualidade técnica dos guerreiros é inquestionável e disfarçou a (natural) falta de entrosamento coletivo face às mudanças e fez a diferença, como no lance do golo de Zalazar, quando Luisinho, no lado direito do seu meio-campo, colocou milimetricamente a bola na extrema esquerda, com o uruguaio a desenquadrar Diogo Calila e a atirar rasteiro, contando também com um ligeiro desvio em Sidney Lima para atrapalhar Gabriel Batista, que não ficou isento de culpas ao deixar a bola passar por baixo do corpo. Houve eficácia extrema dos minhotos, que marcaram na primeira oportunidade.
O Santa Clara pode-se queixar de azar. No primeiro minuto perdeu Pedro Ferreira por lesão e depois de Gonçalo Paciência ter atirado por cima, Gabriel Silva teve uma perdida incrível, quando aos 9’ com a baliza aberta encostou lateralmente, como que devolvendo o passe a Brenner Lucas no corredor direito. Mais adiante, já depois dos açorianos terem empatado, repetiu-se o quadro, mas agora com Gabriel Silva a servir Brenner Lucas, que atirou por cima com a baliza escancarada.
Welinton Torrão também não teve sorte aos 66’ quando se antecipou de cabeça para desviar um livre de Serginho, numa fase em que os açorianos estavam por cima e procuravam o empate, que surgiu pouco depois e materializou a vontade ofensiva do Santa Clara: Frederico Venâncio pressionou Grillitsch, roubou-lhe a bola e serviu Gonçalo Paciência para a finalização.
Sem abrandar e contando com a brandura minhota a defender, os açorianos operaram a cambalhota no marcador por Gabriel Silva e deram um passo importante para a permanência.
Marcou o golo decisivo que operou a reviravolta no marcador, com um remate rasteiro colocado. Contudo, o início até não foi o melhor para o avançado em termos de eficácia, falhando com a baliza aberta (9’). Um lance que não o contraiu e manteve-o sempre ativo, crescendo ao longo do jogo e comandou o ataque à baliza de Tiago Sá na segunda metade, terminando em grande com o golo do triunfo.
As notas dos jogadores do Santa Clara (4x3x3): Gabriel Batista (5), Diogo Calila (6), Sidney Lima (6), Frederico Venâncio (6), Guilherme Romão (6), Serginho (7), Pedro Ferreira (-) Klismahn (6), Brenner Lucas (7), Gonçalo Paciência (6), Gabriel Silva (7), Djé Tavares (6), Welinton Torrão (5), Elias Manoel (-) e Darlan Mendes (-)
Estreia absoluta do jovem médio de 19 anos na equipa principal do SC Braga, com pormenores técnico, de visão e de ocupação dos espaços, que não enganam, como quando colocou a cerca de 40 metros a bola nos pés de Rodrigo Zalazar, no golo da sua equipa. Foi, das nove alterações que Carlos Vicens, a que menos o treinador terá a apontar, deixando margem para merecer mais oportunidades.
As notas dos jogadores do SC Braga (3x4x3): Tiago Sá (5), Gabriel Moscardo (5), Vítor Carvalho (5), Leonardo Lelo (5), Yanis da Rocha (5), Demir Tiknaz (5), Luisinho (6), Mario Dorgeles (5), Fran Navarro (5), El Ouazzani (5), Rodrigo Zalazar (6), Gorby (5), Paulo Oliveira (5), João Gonçalves (5), Grillitsch (4) e Rodrigo Silva (-)
Petit, treinador do Santa Clara
«Entrámos muito bem, apesar da lesão do Pedro Ferreira no início, em que tivemos de mudar a estratégia. Criámos uma situação com o Gabriel [Silva], o SC Braga teve maior posse de bola, mas chegávamos ao último terço, mas não definimos da melhor maneira. Após o golo a equipa continuou a trabalhar, a ver onde poderia haver espaços e ao intervalo disse que iriamos mudar o resultado, pelo que estávamos a fazer. Fizemos o golo e tivemos mais oportunidades. Foi uma vitória justa pelo que fizemos e fomos felizes com mérito. Estamos mais perto do nosso objetivo, mas ainda não está decidido.»
Carlos Vicens, treinador do Santa Clara
«Há jogos em que temos de saber competir melhores. Há detalhes em que temos de ser mais vivos. Isto é futebol de primeiro nível e erros juvenis trazem custos. Creio que a equipa tentou sempre em todo o jogo. Fiz alterações porque temos jogadores com carga de minutos muito grande e com muitos jogos seguidos, o risco de lesão é mais elevado. Não foi só pelo jogo com o Friburgo, porque há jogadores que têm mais de 50 jogos feitos. Também temos de trabalhar para ter alternativas e estou contente com a estreia de alguns jogadores. A equipa competiu com fome de ganhar desde o início e faltou perfeição e na segunda parte houve detalhes que nos custou o jogo.»