Nacional com mais uma «final» e o «jeito» do presidente para descobrir pontas-de-lança
O Nacional defronta neste sábado o Tondela em jogo da 31.ª jornada da Liga, e Tiago Margarido respira confiança face à materialização (em golos) que a sua equipa tem acrescentado ao bom futebol que pratica. O treinador comentou ainda o bom momento do avançado Jesús Ramírez e os conselhos e perspicácia do presidente Rui Alves em descobrir pontas-de-lança.
«Voltámos a fazer uma boa exibição. O que estava a faltar, de facto, era materializar essas boas exibições em pontos e felizmente conseguimos nos dois últimos jogos em casa, nas primeiras duas das seis finais que lançamos. Vamos ter agora uma terceira, mas a verdade é que a equipa está bem, respira confiança, está a conseguir materializar o futebol que tem jogado e isso deixa-nos muito confiantes para o próximo embate», avaliou o momento da equipa, que na ronda 30 derrotou (1-0) o Alverca.
Agora em Tondela, o treinador espera um adversário «diferente» da 1.ª volta, face às mudanças de treinador e de jogadores no mercado de inverno e divide a pressão de vencer com os beirões. «O Tondela está obrigado a ganhar. Está numa situação em que praticamente só lhe serve um resultado, que é a vitória. Obviamente está pressionado por isso, mas nós também não deixamos de estar, porque temos a nossa obrigação. É mais uma final, portanto, a pressão também está do nosso lado, porque temos de ganhar o jogo», apontou.
Na Beira, o Nacional não vai estar sozinho, estando já garantida a presença de 200 adeptos. «Essa mobilização para este jogo é algo que nos deixa bastante satisfeitos. Porque é uma mensagem de que acreditam muito em nós. E desde já quero agradecer-lhes essa capacidade de mobilização que estão a ter e vão nos apoiar em grande massa. Cerca de duzentas pessoas para uma equipa insular, num jogo fora é muita gente. Portanto, quero agradecer-lhes por esse esforço que estão a fazer. Quem estiver na dúvida, que apanhe um avião e junte-se a eles para nos apoiar, porque acredito que vai ser um grande jogo. E no final, obviamente, esperamos festejar todos juntos», reconheceu.
Na antevisão ao encontro, o treinador falou também de Laabidi, Chico Gonçalves e Jesús Ramírez. Sobre o médio tunisino, que estará ausente devido a castigo, afirmou que será uma baixa importante para a posição de médio defensivo, porque «estava a ganhar rotinas nessa posição». «Estava a realizar boas exibições e a dar à equipa uma primeira fase de construção interessante, juntamente com o Liziero. Mas tenho certeza absoluta que quem o substituir vai estar completamente preparado», completou.
O treinador gostou da prestação de Chico Gonçalves, central que substituiu Léo Santos no encontro com o Alverca. «O Chico fez um grande jogo, talvez a melhor exibição da época. Já tinha estado bem contra o FC Porto e contra o SC Braga. Só que contra o Alverca esteve, de facto, muito bem. Portanto, é uma possibilidade para jogar no início», afirmou.
Sobre Jesús Ramírez, garantiu que é «um avançado com muita capacidade» e que «está preparado» para jogar num grande. «O Chucho é um jogador que tem particularidades muito específicas e é preciso ser entendido. Ele é muito forte em determinados momentos do jogo e a nossa função enquanto equipa técnica, é colocá-lo a fazer aquilo que ele se sente mais confortável ou onde consegue obter a melhor performance. Acho que uma das coisas importantes é a confiança que lhe é passada, porque todas as pessoas, todos os jogadores, têm jogos e fases menos boas. E a aposta no Chucho tem sido constante. Portanto, eu penso que essa confiança tem sido decisiva para o rendimento dele, mas também acho que o que nós lhe pedimos são funções onde ele está completamente confortável e as executa de forma exímia. Portanto, tentamos exponenciar o que ele faz bem», disse, quando foi confrontado com as declarações do venezuelano, que afirmou que Tiago Margarido é o treinador que lhe transmitiu mais confiança na sua carreira.
«Lembro-me uma vez de ter tido uma conversa com o meu presidente [Rui Alves], onde eu lhe tinha gabado a capacidade de ele avaliar pontas de lança, que ele tem jeito para isso, porque ao longo da história já esteve aqui no Nacional o Nené, o Adriano, o Tiquinho Soares, o Chucho agora e outros tantos. Portanto, ele tem um certo olho para a coisa. E ele, o que me dizia, era que avaliava o jogador a fazer uma determinada coisa boa. Vamos imaginar, um jogo aéreo, uma finalização, e que a função do treinador era só fazer com que ele fizesse aquilo muitas vezes. E eu fiquei com aquilo na cabeça e de facto a questão do Chucho adapta-se muito a isso. Olhamos para aquilo que o Chucho de facto faz bem e tentamos, ao nível de jogo, que esses movimentos ou essas ações que ele possa ter, se projetem muitas vezes. É o que está a acontecer», contou.
Tiago Margarido garantiu que Jesús Ramírez nunca falha nos momentos decisivos: «Pelo que eu conheço do Chucho e pela experiência que temos de trabalhar estas duas épocas em conjunto, ele nestas alturas aparece... e aparece em grande. E dá sempre uma grande resposta. Lembro-me perfeitamente quando nós subimos à Liga, nos últimos seis, sete jogos ele marcou praticamente em todos. E fez uns golaços.»