Marco Silva garante que quer fazer acionar a cláusula para o terceiro ano de contrato, que depende de alcançar o título nacional

Marco Silva sem truques e frases para cachecóis

Momento conturbado do Benfica pedia um arranque sereno e sem foguetes. Treinador foi sóbrio, assertivo e respondeu a tudo sem fintas ou fugas para a frente

Marco Silva nunca será José Mourinho, Jorge Jesus ou Ruben Amorim a comunicar. É mais ponderado, terra a terra, não entra em excessos e mostrou maturidade nesse campo, à qual os vários anos na Premier League, onde passar a linha vermelha pode custar bem caro, não é alheia. Depois de, na véspera, Rui Costa ter tentado apagar o enorme fogo da novela Benfica-Mourinho-Real Madrid-Marco Silva-Fulham sem querer beliscar o antigo treinador — ficou por explicar o porquê de querer renovar com Mourinho, que nada ganhou e até o acesso à Champions falhou —, que lhe ocupou muito mais tempo de antena do que o atual, Marco Silva tinha de se distanciar disso e olhar para o futuro.

Desde logo porque arrumou com o assunto Mourinho ao dizer que «o que está para trás não interessa», depois porque respondeu a tudo de forma franca, sem truques, fintas linguísticas ou frases para mais tarde escrever em cachecóis. O momento do Benfica não é convidativo como outrora e também por isso é preciso destacar a coragem do treinador de deixar o melhor campeonato do Mundo para dar passo de enorme risco, dada a autêntica máquina trituradora de treinadores que a era Rui Costa tem sido para eles.

Mais do que ninguém, Marco Silva estará ciente do contexto delicado em que agora entrou: o Benfica arranca para 2026/2027 bem atrás de FC Porto e Sporting e terá, logo para abrir, uma pequena maratona para conseguir entrar na Liga Europa, que Rui Costa já disse querer ganhar. Sem recorrer ao chavão de apenas prometer trabalho, Marco Silva já deixou claro que quer uma equipa «dominadora», algo que a Luz não vê, com consistência, desde os melhores tempos de Roger Schmidt.

Ao mesmo tempo, vários jogadores do plantel que estavam condenados com José Mourinho —Lukebakio, Enzo Barrenechea ou Sudakov à cabeça —terão ganhado algum alento com o discurso do treinador. Sobretudo o ucraniano, que custou quase 30 milhões de euros e estava prestes a ser mais um no carrossel de jogadores que reforçam o Benfica, não rendem e meses depois saem, muitas vezes com perdas financeiras consideráveis. Sidny Cabral foi apenas o último de uma política de contratações desajustada e que não ajuda os treinadores.

Ter o plantel, mesmo com um ou outro ponto de interrogação, definido antes de 23 de julho seria um importante sinal de mudança e corte com o passado. O tempo para o fazer não é muito, mas o FC Porto de 2025/2026 mostrou que é possível e sem truques de magia.

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