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Mundial 2026: o guia da Bélgica
O PLANO
O selecionador, Rudi Garcia, está bem ciente de que a força dos Diabos Vermelhos reside no ataque. Kevin De Bruyne, Jérémy Doku e Romelu Lukaku podem, cada um à sua maneira, fazer a diferença. A defesa é, à exceção do guarda-redes Thibaut Courtois, o ponto fraco, depois de a geração de ouro de Toby Alderweireld, Vincent Kompany, Thomas Vermaelen e Jan Vertonghen ter saído de cena. «É por isso que optarei sempre por quatro defesas e não cinco», explica Garcia. «Com cinco defesas teria de sacrificar um jogador ofensivo e isso seria uma pena.»
Garcia opta habitualmente por um bloco médio para apoiar o ataque e não colocar demasiada pressão sobre os defesas. O seu raciocínio poderia ser considerado errado porque existe um problema com Lukaku. O avançado jogou apenas 64 minutos pelo Nápoles esta temporada e nenhum pela seleção nacional devido a lesões. Ficou também profundamente afetado pela morte do pai. O melhor marcador de sempre da Bélgica — com 89 golos — iniciará, por isso, o Campeonato do Mundo sem ritmo de jogo.
A qualificação correu sem sobressaltos frente a Gales, Macedónia do Norte, Cazaquistão e Liechtenstein. Apesar de a equipa ter terminado invicta, o nível de jogo não foi elevado e registaram-se três empates, dois contra a Macedónia do Norte e um no Cazaquistão. Com 29 golos em oito jogos, os Diabos Vermelhos sublinharam onde residem os seus trunfos. É claro que haverá imensa atenção sobre Doku no ataque e Courtois para evitar os golos.
Garcia assumiu o comando técnico apenas em janeiro de 2025 e afirmou na sua apresentação: «Estou pronto para aceitar o desafio. Levará tempo a aprender, mesmo que não tenhamos muito. Não se trata de tentar, trata-se de fazer, esse é o meu lema.» O trabalho árduo é a chave, de acordo com o francês. «Devemos concentrar-nos na mentalidade. Devemos vestir a camisola com orgulho e dar tudo pela seleção nacional.»
O SELECIONADOR
Rudi Garcia assume as funções de selecionador nacional pela primeira vez na carreira e fará, por isso, a sua estreia em Campeonatos do Mundo, na América do Norte. O técnico de 62 anos sucedeu a Domenico Tedesco em janeiro de 2025 e traz na bagagem uma enorme experiência, tendo orientado clubes como o Lille, Roma, Marselha, Lyon, Al Nassr e Nápoles, entre outros. O francês é da velha escola, rejeita análises baseadas em dados (data-led) e devolveu o bom ambiente ao grupo de trabalho da seleção. «O que me importa é que haja uma equipa em campo», afirma. «A minha experiência mostra que é assim que se chega mais longe.»
A ESTRELA
Jérémy Doku é o jogador mais popular do plantel. O avançado de 23 anos do Manchester City continua a dar passos de gigante na sua evolução. Depois de ter dependido unicamente da sua velocidade impressionante, desenvolveu recentemente a capacidade de cruzamento e marcou alguns golos importantes na reta final desta temporada da Premier League. «Conheço as minhas qualidades e sei que tenho de trabalhar nas minhas estatísticas», disse. «Mas ainda não cheguei lá.»
JOGADOR A SEGUIR
Matias Fernandez-Pardo não entrava nos planos de Garcia até ao início de maio. O avançado de 21 anos do Lille, que detém passaportes espanhol e belga, tinha declarado que iria escolher a seleção de Espanha. Quando a federação belga o sondou novamente, devido às dúvidas em torno de Lukaku e ao declínio de Loïs Openda na Juventus, o jogador mudou de ideias. A sua velocidade, capacidade de drible e oportunismo valeram-lhe uma vaga nos convocados para o Campeonato do Mundo. Fernandez-Pardo deixou o Gent no inverno de 2025 como extremo, mas o treinador do Lille, Bruno Génésio, utilizou-o como avançado-centro, o que resultou em oito golos e cinco assistências em 29 jogos na liga em 2025/26.
HERÓI DISCRETO
Maxim De Cuyper. O lateral-esquerdo de 25 anos do Brighton é de enorme utilidade para os Diabos Vermelhos com as suas contribuições ofensivas. Na ausência de Lukaku assumiu-se como um marcador regular de golos, com quatro tentos nos seus últimos 14 jogos até meados de maio, cada um mais belo ou importante do que o anterior. Sob o comando de Garcia, foi titular em todas as partidas em que esteve apto. Deverá manter esse estatuto durante o Campeonato do Mundo, apesar de ser suplente com demasiada frequência no Brighton.
XI PROVÁVEL
4x3x3: Courtois - Castagne, Ngoy, Théate, De Cuyper - Onana, Tielemans, De Bruyne - Saelemaekers, De Ketelaere, Doku.
O QUE ESPERAR DOS ADEPTOS
Os adeptos belgas adoram beber algumas cervejas antes de entrarem no estádio, divertem-se e nunca são violentos. No entanto, não existem muitos cânticos porque se fala neerlandês, francês e um pouco de alemão na Bélgica, e esta mistura linguística torna difícil a coordenação das músicas. Como compromisso, cantam simplesmente em inglês, isto quando há cânticos.
RELAÇÃO COM OS EUA/TRUMP
Tal como na maioria dos outros países da União Europeia, existe ceticismo em relação a Donald Trump, e certamente quanto à sua forma de expressão. O político norte-americano chamou outrora a Molenbeek, um subúrbio de Bruxelas, um «antro de perdição» (hellhole), o que não caiu nada bem. É improvável que a federação belga faça qualquer declaração pública e, embora os adeptos se tenham queixado dos preços elevados, não se falou de qualquer boicote.
Textos de Ludo Vandewalle, do Het Nieuwsblad. Estes textos foram escritos no âmbito da Guardian Experts' Network, a rede de troca de conteúdos para o Mundial 2026, liderada pelo jornal inglês The Guardian e que tem A BOLA como representante português, e foram traduzidos com recurso a Inteligência Artificial.
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