23. MOSTAFA 'OUFA' SHOUBIR


Clube: Al Ahly

Data de nascimento: 17 de março de 2000

Posição: Guarda-redes

Berço de guardiões

Shobeir dificilmente teria escapado à gravidade do futebol durante o seu crescimento. O seu pai, Ahmed Shobeir, é um dos mais celebrados guarda-redes egípcios, tendo sido o dono da baliza no Mundial-1990 e no Al Ahly ao longo de uma carreira de 13 anos. O filho seguiu-lhe as pisadas, ingressando na academia do Al Ahly antes da estreia profissional em 2020. Desde então, afirmou-se como uma presença fiável no seu clube, mantendo sempre a calma sob pressão. O jogador de 26 anos manteve a baliza invicta em nove jogos consecutivos na Liga dos Campeões da CAF — recorde da competição — a caminho do seu terceiro troféu continental na época 2023/24, tendo sido descrito pela FIFA, antes do Mundial de Clubes, como «inexpugnável».

1. MOHAMED EL-SHENAWY


Clube: Al Ahly

Data de nascimento: 18 de dezembro de 1988

Posição: Guarda-redes

O veterano

El-Shenawy foi forjado nos escalões inferiores do futebol egípcio antes de encontrar o caminho para o topo. Ingressou nas camadas jovens do Al Ahly ainda adolescente e passou lá os seus anos de formação antes de sair em 2009, primeiro para o Tala'ea El Gaish, depois Haras El Hodoud e, mais tarde, Petrojet, onde passou três épocas a aperfeiçoar a sua arte. Regressou ao Al Ahly em 2016 e tem sido o titular indiscutível durante a maior parte desse tempo, somando mais de 350 jogos em todas as competições. A nível internacional, foi o número 1 do Egito no Mundial-2018, na Rússia — a primeira presença dos Faraós em 28 anos — e conta com 40 jogos sem sofrer golos em 75 internacionalizações à data em que este texto foi escrito. Após vencer o prémio de Homem do Jogo contra a África do Sul no CAN-2025, afirmou: «Este prémio não é só meu. É para os 28 jogadores do plantel. Jogamos com o coração de um só homem por uma nação», antes de acrescentar que a união entre os guarda-redes é total: «Somos todos um. Jogamos juntos pelo Egito e representamos 120 milhões de pessoas». Com 1,91 metros, é conhecido pela sua imponente presença aérea e reflexos entre os postes, mas pode ser atreito a erros. Agora com 37 anos, enfrenta uma batalha pela titularidade neste Mundial contra o jovem Shobeir, mas a sua experiência e estatuto tornam-no um membro inestimável do grupo.

16. EL MAHDY SOLIMAN


Clube: Zamalek

Data de nascimento: 8 de junho de 1987

Posição: Guarda-redes

Um veterano cujo percurso profissional atravessou grande parte dos clubes do futebol egípcio, Soliman é agora o decano do corpo de guarda-redes. O jogador de 39 anos iniciou a carreira profissional no Enppi em 2008 e passou por vários outros emblemas antes de rumar ao Zamalek em 2025. Com 1,89 metros de altura, Soliman é uma presença serena na baliza, elogiado pela compostura e capacidade de jogar com os pés, características que lhe valeram comparações com os modernos sweeper-keepers.

26. MOHAMED ALAA


Data de nascimento: 1 de janeiro de 1999

Clube: El Gouna

Posição: Guarda-redes

O mais jovem dos quatro guarda-redes do Egito, Alaa é uma intrigante escolha surpresa. O jogador de 26 anos afirmou-se no El Gouna como um dos guardiões mais competentes fora dos três gigantes tradicionais do país. Na temporada passada, Alaa foi a principal razão pela qual o El Gouna evitou a despromoção, mantendo a baliza a zeros em dois dos três jogos do play-off. A sua inclusão nos convocados do Egito pela primeira vez durante a paragem internacional de março reflete a vontade de Hossam Hassan em olhar para lá do status quo dos grandes clubes em busca de talento fiável.

6. MOHAMED ABDELMONEIM


Clube: Nice (Fra)

Data de nascimento: 1 de fevereiro de 1999

Posição: Defesa-central

Favorito dos adeptos

Abdelmonem é um dos defesas jovens mais promissores do Egito, mas nem sempre esteve destinado a jogar no eixo recuado. «Comecei como avançado», revelou. «Quando tinha 10 anos, o meu clube estava num torneio contra uma equipa que tinha um número 9 muito forte. Ele estava a destruir os nossos defesas, a bater neles e a empurrá-los. O meu treinador disse-me para recuar e fazer marcação homem a homem... Fiz um jogo muito bom e, a partir daí, o treinador passou a ver-me como defesa. Eu ligava ao meu pai, a chorar, a dizer que queria jogar a número 10... Agora, tento ser o melhor defesa possível, mas sem deixar de marcar golos». Abdelmonem trocou o Al Ahly pelo Nice da Ligue 1 em 2024, tornando-se o primeiro egípcio a representar o clube do sul de França. O jogador de 27 anos formou-se no Al Ahly, somando 115 jogos em três épocas e vencendo 10 títulos importantes. Ganhou reconhecimento internacional após exibições estelares na caminhada do Egito até à final do CAN-2021. Contudo, oito meses após chegar ao Nice, sofreu uma rotura do ligamento cruzado anterior e acaba de regressar aos treinos com a equipa principal.

4. HOSSAM ABDELMAGUID


Clube: Zamalek

Data de nascimento: 30 de abril de 2001

Posição: Defesa-central

Em ascensão

Um dos defesas jovens mais cotados do futebol egípcio, Abdelmaguid integrou o sistema do Zamalek ainda adolescente e tornou-se um dos jogadores mais importantes do clube. Venceu o seu primeiro título de campeão em 2020/21, somou um segundo na época seguinte e brilhou nas conquistas da Taça das Confederações da CAF e da Supertaça da CAF em 2024. Abdelmaguid — com os seus 1,94 m — é uma presença dominante no jogo aéreo e tem facilidade na saída de bola. Sobre a concorrência interna, afirmou: «Trabalho sempre e faço o que tenho de fazer. Quem joga ou não joga é decisão do treinador. O que me compete é "matar-me" em campo e fazer o que o treinador me pedir. Está feito». Com apenas 24 anos é considerado uma das maiores promessas defensivas do Egito para a próxima década. O seu contrato com o Zamalek termina no verão e, segundo o seu agente e irmão, tem despertado o interesse de clubes europeus como o West Brom e o Anderlecht.

5. RAMY RABIA


Clube: Al Ain (Emiratos Árabes Unidos)

Data de nascimento: 20 de maio de 1993

Posição: Defesa-central

Líder vocal

Ramy Rabia ingressou na academia do Al Ahly e estreou-se na equipa principal com apenas 17 anos, em 2010, tornando-se rapidamente um dos mais brilhantes jovens defesas do país. Durante as suas duas passagens pelo Al Ahly — interrompidas por uma curta e pouco produtiva experiência no Sporting — conquistou 10 ligas egípcias, seis Ligas dos Campeões da CAF e quatro Supertaças da CAF. Internacional experiente com mais de 40 jogos, viu a sua utilização na seleção oscilar ao longo dos anos, mas 2025 marcou o seu ano mais ativo pelos Faraós sob o comando de Hossam Hassan. O jogador de 32 anos é um líder vocal, dotado de força física e grande compostura em momentos de alta pressão.

2. YASSER IBRAHIM


Clube: Al Ahly

Data de nascimento: 10 de fevereiro de 1993

Posição: Defesa-central

Afirmação tardia

Ibrahim deu-se a conhecer no Smouha, onde passou quatro épocas antes de rumar ao Al Ahly, em 2019, tornando-se um dos pilares defensivos mais fiáveis do clube com mais de 230 jogos. Tem também a particularidade de aparecer em momentos importantes para marcar golos, tendo feito manchetes internacionais em 2021, após um bis na primeira parte contra o Al Hilal, no Mundial de Clubes, e marcado o golo da vitória do Egito no prolongamento contra o Benim, nos oitavos de final do CAN-2025, com um cabeceamento em arco. Aos 33 anos, está entre os defesas mais experientes do plantel e a sua carreira internacional conheceu uma afirmação tardia, contando apenas com 16 internacionalizações AA à data desta publicação.

13. AHMED FATOUH


Clube: Zamalek

Data de nascimento: 22 de março de 1998

Posição: Lateral-esquerdo

Produto da academia do Zamalek, Fatouh foi peça vital na equipa que venceu campeonatos consecutivos em 2021 e 2022. A sua capacidade de cruzamento e qualidade técnica tornaram-no favorito de sucessivos selecionadores e treinadores do Zamalek, mas em agosto de 2024 recebeu uma pena de prisão suspensa de um ano, uma multa de 20.000 EGP (cerca de 325 euros) e a cassação da licença de condução após um acidente de viação fatal que vitimou um agente da polícia de 55 anos. As análises confirmaram que conduzia sob o efeito de estupefacientes. Fatouh aceitou ainda pagar 12 milhões de EGP à família da vítima como indemnização. Sobre os rumores de que o Zamalek teria coberto o pagamento, Fatouh esclareceu: «Paguei o valor total do meu próprio bolso. O erro foi meu». O caso deixou a sua carreira num limbo durante meses, encontrando-se agora a tentar reconstruir a sua reputação e forma desportiva.

3. MOHAMED HANY


Clube: Al Ahly

Data de nascimento: 2 de fevereiro de 1996

Posição: Lateral-direito

Homem de um só clube

Hany passou toda a carreira no Al Ahly, onde se tornou num dos laterais-direitos mais titulados do futebol africano. Subiu à equipa principal em 2014/15 e desde então somou mais de 390 jogos como sénior, vencendo oito campeonatos, quatro Ligas dos Campeões da CAF e seis Supertaças do Egito. O seu estilo de jogo define-se pela velocidade e resistência, permitindo-lhe ser uma ameaça ofensiva constante pelo flanco direito. Soma 40 internacionalizações e tem sido presença habitual nas memoráveis campanhas continentais do Al Ahly.

24. TAREK ALAA


Clube: Pyramids

Data de nascimento: 5 de janeiro de 2002

Posição: Lateral-direito / Médio-defensivo

Um dos membros mais jovens do plantel, Alaa é um jogador polivalente que pode atuar como lateral-direito ou no papel de trinco com igual serenidade. Atualmente emprestado pelo Pyramids ao Zed FC, tem-se destacado como um jogador tecnicamente evoluído e confortável com a bola em espaços reduzidos. Informações recentes sugerem que o Al Ahly está interessado na sua contratação para ser o sucessor de Mohamed Hany. Com apenas uma internacionalização até ao momento, Alaa continua em fase de evolução, e este Mundial representa a oportunidade para um dos perfis jovens mais promissores do Egito se provar no maior palco de todos.

15. KARIM HAFEZ


Data de nascimento
: 12 de março de 1996

Clube: Pyramids

Posição: Lateral-esquerdo

Hafez deixou o Egito jovem, fazendo o seu caminho por Bélgica, Chipre, França e Turquia, e foi frequentemente associado a transferências de regresso a casa. Há vários anos, quando questionado sobre o Al Ahly e o Zamalek, disse que não tencionava regressar ao Egito – mas o futebol, como de costume, tinha outros planos. Acabou por regressar a casa em 2022, ingressou no Pyramids, e tornou-se uma opção extremamente consistente e experiente no lado esquerdo. A sua carreira internacional tem sido intermitente. Hafez passou quatro anos fora dos convocados antes de regressar na vitória no amigável de maio sobre a Rússia. Não é o lateral-esquerdo mais rápido do plantel, mas dá equilíbrio ao Egito, um pé esquerdo natural e cobertura numa posição onde Hossam Hassan tem poucas soluções perfeitas. Consegue ser profundo nas redes sociais, tendo escrito uma vez: «Precisamos de aceitar que nem sempre tomaremos as decisões corretas, que às vezes vamos estragar tudo por completo – compreendendo que o fracasso não é o oposto do sucesso. Faz parte do sucesso.»

18. NABIL DONGA


Data de nascimento: 6 de abril de 1996

Clube: Al-Najma

Posição: Médio-defensivo

Nabil Emad, mais conhecido como Donga, fez o seu percurso pelos escalões inferiores do futebol egípcio antes de se transferir para o Pyramids e, depois, para o Zamalek, em 2022, onde se tornou um pilar do meio-campo defensivo. Ali venceu a Liga Egípcia, a Taça do Egito, a Taça das Confederações da CAF e a Supertaça da CAF antes de, na última janela de inverno, se juntar ao Al-Najma, da Arábia Saudita. A sua alcunha acompanha-o há muito tempo, desde que um dos seus treinadores nas camadas jovens o comparou à lenda brasileira que venceu o Campeonato do Mundo (Dunga). Na seleção nacional, Donga oferece a Hossam Hassan uma opção de meio-campo mais conservadora. Embora possa não ser tão vistoso como Emam Ashour ou tão expansivo como Marwan Attia, será certamente útil quando o Egito precisar de ganhar duelos e segundas bolas. O seu lugar este verão foi colocado em dúvida dias após o anúncio da convocatória, quando o jogador foi alvo de alegações de agressão feitas por uma mulher italiana. O seu advogado, Shaaban Saeed, negou veementemente as acusações, afirmando que o seu cliente era vítima de «uma campanha para distorcer a imagem do jogador... devido à sua recusa em submeter-se a chantagem financeira».

14. HAHMDY FATHY


Clube: Al-Wakrah

Data de nascimento: 29 de setembro de 1994

Posição: Médio-defensivo

Âncora

Um médio combativo cujo percurso o levou das trincheiras do futebol egípcio até à glória continental com o Al Ahly. Fathy começou no Damanhour, rumou ao Enppi em 2015, Petrojet um ano depois, e ingressou no Al Ahly em 2019. Foi aí que a sua carreira floresceu, tornando-se titular indiscutível e conquistando três campeonatos, três Taças do Egito, três Supertaças e três Ligas dos Campeões da CAF. Mudou-se para os qataris do Al-Wakrah em 2023, mas no verão de 2025 o Al Ahly resgatou-o por empréstimo especificamente para disputar o Mundial de Clubes. É presença habitual na seleção, com 62 jogos, atuando como o elemento de desequilíbrio à frente da defesa. «Posso jogar a número 6, como central num sistema de três ou de dois. Farei o que o treinador quiser», garante. «Não tenho preferência. O que me importa é o interesse da equipa.»

19. MARWAN ATTIA


Clube: Al Ahly

Data de nascimento: 1 de agosto de 1998

Posição: Médio-defensivo

Pilar do meio-campo

Attia é um médio central trabalhador, conhecido pelo pulmão e qualidade de passe. Formou-se no Al Ittihad Alexandria, chegando à equipa principal em 2019. Foi uma presença constante e capitão durante quatro épocas antes de rumar ao Al Ahly. «Jogo futebol desde os sete anos e o meu sonho de sempre era vestir aquela camisola vermelha», disse Attia. «Quando soube que o Al Ahly me queria, não pensei duas vezes. Senti nos ossos que ia viver o meu sonho de infância». Sob o comando de Hossam Hassan emergiu como o equilíbrio para equipas mais ofensivas, embora também consiga surgir no ataque. Na CAN-2025 apareceu na área para marcar um golo brilhante contra o Benim e, mais tarde, cruzou para o golo da vitória. Fora de campo, demonstrou enorme resiliência em tempos difíceis, perdendo o pai em 2023 e regressando imediatamente à ação para ajudar o Al Ahly a garantir o triplete.

17. MOHANAD LASHIN


Clube: Pyramids FC

Data de nascimento: 29 de maio de 1996

Posição: Médio-centro

Lasheen é um jogador que conhece bem o valor do trabalho. Fez parte do plantel do Alassiouty (atual Pyramids) que subiu à Primeira Divisão, marcando o golo que garantiu a promoção cinco semanas antes do fim do campeonato. É um médio polivalente com boa visão de passe e uma forte ética defensiva. Quando se juntou à seleção em 2025 durante a qualificação para o Mundial, fê-lo enquanto lutava contra uma lesão. Na altura, afirmou que os jogadores percebiam o peso da qualificação desde o início do estágio e que estava «numa corrida contra o tempo» para estar apto. Com 21 internacionalizações, continua a ser peça vital na rotação do meio-campo e recuperou a tempo da fase final.

21. MAHMOUD SABER


Clube: Pyramids FC

Data de nascimento: 30 de julho de 2001

Posição: Médio-centro

Saber, agora no ZED, trilhou um percurso sinuoso no futebol egípcio: do Nogoom FC ao Pyramids, seguido de empréstimos e curtas passagens por ZED e Smouha, antes de regressar ao ZED em 2025. Aos 24 anos, já conta com 14 internacionalizações AA, apesar de se ter estreado apenas em 2024. É conhecido pela capacidade de encontrar espaços em meios-campos congestionados e pelos seus passes de rutura precisos. Destro, taticamente adaptável, pode atuar como médio-ofensivo ou descaído para a esquerda quando necessário.

8. EMAM ASHOUR


Clube: Al Ahly

Data de nascimento: 20 de fevereiro de 1998

Posição: Médio-centro

Proveniente de uma família ligada ao futebol, Ashour treinava em criança com escalões mais velhos, no Ghazl El Mahalla e quase desistiu quando os treinadores da formação o ignoraram: «Só jogava no El Mahalla porque os meus irmãos jogavam lá», recorda. Acabou por chegar à equipa principal e tornou-se num dos talentos mais vistosos do país. Em 2019 assinou pelo Zamalek, onde ajudou a conquistar títulos domésticos e chegou à seleção, tendo passado brevemente pelos dinamarqueses do Midtjylland antes de rumar ao grande rival Al Ahly em 2023. Ali, o seu faro pelo golo levou-o ao topo do futebol egípcio, terminando como melhor marcador da liga em 2024/25. As lesões, contudo, têm sido recorrentes, com uma fratura na clavícula a interromper a sua participação no Mundial de Clubes de 2025. No Egito atua como um "número 10" ofensivo, criando oportunidades e jogando solto entre as linhas.

11. MOSTAFA ZICO


Data de nascimento: 27 de abril de 1997

Clube: Pyramids

Posição: Extremo-esquerdo/Avançado

Teve de amadurecer cedo

Mostafa Mohamed Zaki Abdelraouf – mais conhecido como Zico – fez o caminho mais longo até à seleção nacional. A partir de Shibin El-Kom, trabalhou e subiu a pulso através do Haras El Hodoud, do ZED e do Pyramids para conquistar o seu lugar entre a elite do Egito. A sua orgulhosa mãe afirma que a sua ascensão surgiu após «anos de esforço e desafios», acrescentando que o jogador teve de assumir responsabilidades demasiado cedo na vida quando o seu pai faleceu, quando Zico tinha apenas 11 anos. A sua estreia pelo Egito dificilmente poderia ter corrido melhor. No amigável de preparação contra a Rússia, no Cairo, saltou do banco e marcou o único golo da partida com um cabeceamento na segunda parte. Após o encontro, declarou: «Mesmo que eu próprio tivesse escrito o guião, não poderia ter imaginado a minha estreia a correr desta forma». Não se espera que Zico seja titular este verão – as posições na frente de ataque do Egito estão muito concorridas, com Mohamed Salah, Omar Marmoush, Trezeguet, Ibrahim Adel e outros à sua frente. No entanto, o seu valor poderá residir no papel de um suplente que pode cobrir várias funções atacantes e entrar em campo sem o peso da expectativa carregado pelos nomes mais sonantes.

20. IBRAHIM ADEL


Clube: Nordsjaelland

Data de nascimento: 23 de abril de 2001

Posição: Extremo-esquerdo

Bala de velocidade

Extremo rapidíssimo, Adel emergiu em Port Said, tendo sido detetado aos oito anos. Filho do antigo avançado do Zamalek, Ashraf Adel, herdou o amor pelo jogo. A sua velocidade explosiva e pontaria despertaram atenções e rumou ao Pyramids em 2018, ajudando-os a vencer os seus dois primeiros troféus — a Liga dos Campeões Africana e a Taça do Egito. O seu estilo e remates de longa distância valeram-lhe a alcunha de «Baby Hulk». O Getafe tentou contratá-lo, mas o Pyramids manteve-se intransigente. Está agora emprestado ao FC Nordsjælland, na Dinamarca. Foi eleito o melhor jogador do CAN Sub-23 em 2023 e soma 21 internacionalizações AA e três golos.

7. MAHMOUD HASSAN 'TREZEGUET'


Clube: Al Ahly

Data de nascimento: 1 de outubro de 1994

Posição: Extremo-esquerdo / Médio-ofensivo

A alcunha de Trezeguet, "emprestada" da lenda francesa David Trezeguet, acompanha-o desde a adolescência e define uma carreira colorida. Estreou-se no Al Ahly aos 18 anos, vencendo as Ligas dos Campeões da CAF de 2012 e 2013. Na Europa, brilhou no Kasimpasa, na Turquia, tornando-se o sétimo egípcio a atingir os dois dígitos de golos numa liga europeia. O Aston Villa contratou-o em 2019, onde os seus golos foram decisivos para evitar a descida em 2020. Passou novamente pela Turquia antes de regressar ao Al Ahly. Soma mais de 90 internacionalizações e 20 golos, tendo sido crucial no apuramento para o Mundial-2018. «Joguei na melhor liga do mundo, a Premier League. Joguei perante adeptos incríveis na Turquia. Abdicaria de tudo isso se fosse preciso», afirmou. «Mas nunca abdicaria de representar o Egito». Aos 31 anos, é um dos jogadores mais experientes do grupo.

25. AHMED SAYED 'ZIZO'


Clube: Al Ahly

Data de nascimento: 10 de janeiro de 1996

Posição: Extremo-direito

Herói discreto

Zizo construiu a reputação de ser um dos extremos mais eficazes do futebol egípcio. A sua melhor campanha aconteceu em 2021/22, pelo Zamalek, quando foi o melhor marcador da liga com 19 golos. Quando o seu contrato expirou, em junho de 2025, o Al Ahly agiu rapidamente para garantir a sua contratação por quatro épocas, naquela que foi uma das transferências mais controversas do país. «Como poderia o Al Ahly não contratar o melhor jogador do Egito, sendo ele um jogador livre?», questionou Nader El-Sayed, antiga glória egípcia. Aos 30 anos, traz velocidade e técnica às opções de ataque. «Sempre quis ser futebolista», diz. «Nunca pensei em que nível chegaria, nem sonhava jogar pelo Egito, mas ia ser jogador. Não havia outra opção.»

12. HAISSEM HASSAN


Clube: Real Oviedo (Esp)

Data de nascimento: 8 de fevereiro de 2002

Posição: Extremo-direito / Avançado

Recém-chegado

A elegibilidade internacional de Haissem Hassan foi uma história de várias pretensões. Nascido em Paris, filho de pai egípcio e mãe tunisina, e tendo representado a França nos escalões jovens, foi cobiçado por duas federações. A Tunísia confirmou a abordagem, tal como o Egito. Hassan decidiu-se pelos Faraós a 15 de março de 2026, expressando o desejo de competir no Mundial. Iniciou a carreira profissional no Châteauroux, com apenas 16 anos, rumando ao Villarreal em 2020. Em agosto de 2024 juntou-se ao Real Oviedo e tornou-se titular após a subida à La Liga. O jogador de 24 anos é um atacante de flanco direito, rápido, direto e forte no um contra um.

10. MOHAMED SALAH


Clube: Liverpool (Ing)

Data de nascimento: 15 de junho de 1992

Posição: Extremo-direito / Médio-direito

Herói nacional

O «Rei Egípcio» dispensa apresentações e a sua carreira tornou-se um argumento permanente contra a existência de limites. Em dezembro, tornou-se o jogador com mais participações diretas em golos por um único clube na história da Premier League, com 277, superando Wayne Rooney. Ninguém venceu mais Botas de Ouro na história da liga do que as suas quatro (partilhando o recorde com Thierry Henry), e é o melhor marcador estrangeiro da competição. Salah liderou o Egito a duas finais do CAN (2017 e 2021), mas o seu momento definidor na seleção continua a ser o penálti nos descontos contra o Congo, em outubro de 2017, que colocou o Egito no Mundial-2018 após 28 anos de ausência. Após anunciar que vai encerrar o seu capítulo de nove anos no Liverpool, tem jogado com uma certa liberdade, apesar de não estar na sua melhor forma esta época. Salah leva 65 golos pela seleção, estando apenas atrás do recorde de Hossam Hassan, o seu atual selecionador. Como capitão e figura central, continua a ser o sol em torno do qual orbitam os planos da equipa.

22. OMAR MARMOUSH


Clube: Manchester City (Ing)

Data de nascimento: 7 de fevereiro de 1999

Posição: Avançado / Extremo

Noutra vida, Marmoush poderia ter vestido cores diferentes. «Cerca de três anos depois de estar na Alemanha, o Canadá contactou-me», revelou o avançado. «Disseram que sabiam que eu tinha cidadania e queriam que me juntasse a eles. O selecionador ligou-me pessoalmente. Mas a minha decisão já estava tomada há muito tempo. A seleção egípcia, para mim, está acima de tudo». Destacou-se no Wolfsburg, Estugarda e St. Pauli antes das exibições no Eintracht Frankfurt garantirem a transferência para o Manchester City. «Sem ele não seria possível a qualificação para a Champions e chegar à final da FA Cup», afirmou o seu treinador Pep Guardiola. «É um jogador especial. Vejo-o mais como um avançado do que propriamente um extremo». Hossam Hassan ainda não seguiu o conselho de Guardiola, utilizando-o muitas vezes no flanco. Com 46 jogos e 10 golos, ele e Salah são as primeiras escolhas na folha de equipa.

9. HAMZA ABDELKARIM


Data de nascimento: 1 de janeiro de 2008

Clube: Barcelona B, por empréstimo do Al Ahly

Posição: Avançado-centro

«O Haaland egípcio»

O jogador mais jovem deste grupo por uma distância considerável, e uma das promessas mais entusiasmantes do futebol egípcio. Formou-se na academia do Al Ahly, representou o Egito no escalão de sub-17 e, depois, juntou-se ao Barcelona B durante a janela de transferências de inverno, por empréstimo com opção de compra. Abdelkarim, o primeiro futebolista egípcio na história do clube catalão, já começou a dar que falar na equipa de sub-19, somando cinco golos em sete jogos no campeonato. A sua chamada à seleção principal do Egito este verão é claramente uma aposta, mas não uma loucura. Hossam Hassan abdicou de avançados mais consagrados para manter um atacante adolescente que mal começou a sua carreira sénior, mas a atração é óbvia: Hamza, conhecido como «Haaland egípcio», é alto, móvel e um predador nato da grande área, num plantel que, de resto, depende fortemente de extremos e de médios com rotinas de rutura para fazer golos. É pouco provável que lhe seja pedido para carregar o ataque do Egito, mas se a equipa precisar de uma referência na área nos minutos finais, o jogador mais jovem do grupo poderá tornar-se, de repente, extremamente importante.

Textos de Saher Ahmed, do Kingfut.com. Estes textos foram escritos no âmbito da Guardian Experts' Network, a rede de troca de conteúdos para o Mundial 2026, liderada pelo jornal inglês The Guardian e que tem A BOLA como representante português, e foram traduzidos com recurso a Inteligência Artificial.

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