Villas-Boas, presidente do FC Porto - Foto: Miguel Nunes
Villas-Boas, presidente do FC Porto - Foto: Miguel Nunes

Alerta no Porto: o campeão precisa de mercado

Dragões ainda esperam pela chegada de um avançado e de um lateral, mas há outras questões por resolver em termos de saídas. Época será mais exigente e sem desculpas na Europa

FC Porto e Torreense disputam, no próximo sábado, a Supertaça, numa altura em que o campeão nacional ainda pouco mexeu no plantel que conquistou o tão desejado título na época passada. É verdade que ainda falta muito mercado, e que várias das transformações positivas da equipa há um ano foram feitas mais tarde, mas agora há outro fator a ter em conta: pelo que vimos sobretudo frente ao Aston Villa, os dragões não têm grandes surpresas para apresentar aos adversários e o impacto que Farioli teve no verão de 2025, com consequências até à classificação final, dificilmente terá nesta altura.

Há aspetos positivos na ausência de mudanças. Se Diogo Costa ficar mesmo após um Mundial de excelente nível, valerá sempre muitos pontos. Os centrais polacos são intocáveis, embora a saída de Thiago Silva deixe entregue a Nehuén Pérez e Prpic qualquer substituição forçada. E Froholdt e Gabri Veiga têm pernas e talento para mais uma época de grande nível, agora com Liga dos Campeões. A equipa que derrotou os ingleses no passado sábado sabe o que tem de fazer, quando tem de fazer, e ainda foi possível ver um cheirinho do que Inbeom Hwang pode acrescentar, com qualidades diferentes dos restantes médios.

Chegaram também André Silva e João Afonso. O primeiro será sempre melhor do que Deniz Gul, que já demonstrou que não tem nível suficiente para o FC Porto. O segundo será uma aposta mais a longo prazo, não entrando para estas contas. Falta, obviamente, um ponta de lança que garanta golos, sobretudo até Samu voltar de lesão, mas, mesmo depois disso, para dar soluções a uma equipa que esta época não terá a obsessão pelo campeonato que desculpa más prestações europeias, como no ano passado. Se André Villas-Boas e Farioli quiserem ter alguma hipótese na Liga dos Campeões, como a história do clube o exige, também falta certamente um lateral-esquerdo: Zaidu dará sempre tudo, mas com limitações, e Francisco Moura não tem mais margem para falhar.

E é aqui que entra a outra vertente do mercado: as vendas. Há um ano, a administração foi capaz de orientar muitos excedentários ou até titulares que não tinham grande futuro na equipa. Por agora há Moura e Gul, mas também pode ser equacionado Borja Sainz, que esteve uns furos abaixo dos colegas extremos. Isso pode levar à necessidade de um novo extremo, sobretudo se Pepê for o ativo a vender. E mesmo Alan Varela parece estar a pensar nisso... Ainda pode mexer muita coisa - e terá mesmo de mexer, porque esta será uma época bem diferente.

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