João Pinheiro a mostrar o vermelho a Embolo por simulação após ir ao VAR
João Pinheiro a mostrar o vermelho a Embolo por simulação após ir ao VAR - Foto: IMAGO

FIFA defende decisão de João Pinheiro e regra que levou à expulsão de Embolo

IFAB suspendeu a aplicação desse protocolo do VAR, que causou muita polémica no Mundial 2026, mas a FIFA emitiu um comunicado a afirmar que não foi erro do árbitro português

O International Football Association Board (IFAB), órgão responsável pelas leis do jogo, determinou a suspensão temporária de uma adaptação do protocolo do videoárbitro (VAR) utilizada pela FIFA no último Campeonato do Mundo. A FIFA, por sua vez, acatou a decisão, mas defendeu a sua aplicação durante o torneio, nomeadamente no lance que resultou na expulsão de Embolo, dada por João Pinheiro.

A polémica centra-se na utilização da cláusula de «erro de identidade» para corrigir situações de simulação. Durante o Mundial, o VAR interveio por duas vezes quando um árbitro admoestou o jogador errado após uma simulação, uma delas do português. A recomendação foi para que o juiz revisse o lance, retirasse o cartão amarelo ao jogador que não cometeu a infração e o mostrasse ao atleta que simulou a falta.

Esta interpretação da regra foi decisiva no jogo dos quartos de final entre a Argentina e a Suíça. O avançado suíço Breel Embolo, que já tinha um cartão amarelo, simulou uma falta a meio-campo. João Pinheiro assinalou a infração e mostrou o amarelo a Paredes. Contudo, após ser alertado pelo VAR, o luso anulou o cartão ao argentino e exibiu o segundo amarelo a Embolo, ditando a sua expulsão.

Um caso semelhante já tinha ocorrido na fase de grupos, no jogo entre os Estados Unidos e o Paraguai: nessa partida, um cartão amarelo mostrado ao defesa norte-americano Ream foi retirado após o VAR identificar uma simulação do paraguaio Almirón. Na sequência destes episódios, o IFAB emitiu uma circular na passada segunda-feira a instruir que esta aplicação específica da regra não seja utilizada noutras competições, por enquanto.

«O uso da cláusula de erro de identificação para lidar com casos de simulação durante o Campeonato do Mundo de 2026 foi bem recebido e será incluído na revisão detalhada do protocolo do VAR. Porém, essa medida não poderá ser aplicada dessa forma até que a revisão seja concluída», pode ler-se na circular.

Em resposta, a FIFA publicou um comunicado nas suas redes sociais a defender a sua atuação, garantindo que não se tratou de um erro do árbitro ou do VAR. «A interpretação da FIFA sobre Identidade Equivocada foi aplicada de forma consistente durante o Campeonato do Mundo da FIFA. Houve duas instâncias em que um jogador foi erroneamente identificado como tendo cometido uma infração passível de cartão amarelo, e o VAR aconselhou o árbitro a corrigir o erro factual causado pela simulação do adversário», defendeu o organismo.

A nota acrescenta ainda que «a simulação em si não pode ser contestada e não deve resultar numa sanção disciplinar contra um adversário que possa então levar a consequências adicionais, como uma expulsão por segundo cartão amarelo». A FIFA conclui, afirmando que «a decisão restaurou a justiça» e que o IFAB confirmou que a interpretação é válida e será discutida em futuras revisões ao protocolo.

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