Yeimar Mosquera, defesa colombiano de 21 anos, chega proveniente do Aston Villa - Foto: IMAGO
Yeimar Mosquera, defesa colombiano de 21 anos, chega proveniente do Aston Villa - Foto: IMAGO

A lógica de uma parceria

Sentido de pertença é o espaço de opinião de André Coelho Lima, jurista, empresário e associado do Vitória SC

1 — Terminado o Mundial, viram-se as atenções dos adeptos para os seus clubes. No Vitória temos assistido a uma pré-temporada, para já, muito discreta — três saídas (Diogo Sousa, Noah Saviolo e Nélson Oliveira) e três entradas (Oliwer Zych, Yeimar Mosquera e Doucet). O que me merece dois comentários. O primeiro de que esta sobriedade — que a realidade financeira do clube impõe — acaba por ser forçada pelo parcial inconseguimento nas vendas.

Isto é, apesar de, findo o período eleitoral, já toda a gente parecer ter-se esquecido do que então mais se discutia, indiferente que sou às ocasiões eleitorais, mantenho as minhas preocupações intocadas; porque a minha preocupação é com o Vitória.

Ora, não se tendo atingido os 25 milhões de euros de vendas necessários (embora não se tivesse ficado muito longe), é natural que isso impacte na capacidade atual do clube em conseguir as contratações que porventura Tiago Margarido desejaria. Em todo o caso, ainda falta muito para fechar a pré-temporada.

2 — Mas o segundo comentário que estas contratações me merecem tem que ver com a circunstância de dois dos três novos atletas serem provenientes do Aston Villa, clube detido pela VSPORTS, por sua vez titular de 29 % da SAD do Vitória.

Isso já é revelador de uma alteração substancial na postura de aquisições e no relacionamento com a VSPORTS sobre que considero dever tomar posição.

Os sócios do Vitória votaram esmagadoramente pela aceitação da entrada de um acionista na SAD externo à condição de associado. Essa posição foi uma posição substantiva, amplamente debatida, acerca da qual os sócios do clube se pronunciaram favoravelmente a uma alteração da política de desenvolvimento desportivo que passaria pela abertura do seu capital a investidores externos ao clube e à região.

Ora, na minha perspetiva, essa posição substantiva só faz sentido se implicar uma progressiva miscigenação das estruturas, se dela resultar colaboração, cooperação, consórcio, parceria.

3 — É evidente que esta progressiva colaboração não pode implicar que a estrutura desportiva do Vitória seja subsidiária da do Aston Villa, dela dependente ou a ela obediente. Mas se confiarmos em quem nos representa, na sua sageza negocial e na sua capacidade em representar condignamente os nossos interesses, então parece-me evidente que esta colaboração nos pode ser amplamente frutífera.

Pode representar uma forma de podermos ter ao nosso serviço atletas que de outra forma nunca, ou muito dificilmente, poderiam estar ao serviço do Vitória.

Poderemos dar a muitos atletas uma oportunidade de desenvolvimento do seu potencial, do qual poderá sair a ganhar o detentor do seu passe, o clube que ele represente e, naturalmente, o próprio atleta. Nesse câmbio haverá atletas que apenas pretenderão rodar (como parece ser o caso Oliwer Zych), como haverá atletas relativamente aos quais o Vitória poderá ficar detentor de parte dos seus direitos desportivos (como parece ser o caso de Yeimar Mosquera), seja como for, é um trade-off que, na minha perspetiva, pode ser extremamente positivo para o Vitória.

Afinal, se tivemos já ao nosso serviço, jogadores como Bruno Alves, Rubens Júnior, Alex, César Peixoto, Alan, Otávio, Bruno Gaspar, Héldon, Dodô, Pepelu, Geny Catamo, Kaio César, entre outros vindos, todos na condição de emprestados e de adversários nossos, porque não haveríamos de o fazer com o clube que connosco partilha o seu acionista e que tem um interesse concreto no nosso sucesso?

Olhemos para a frente que é talvez a melhor forma de deixar de olhar para trás.

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