1. ALISSON BECKER


Clube: Liverpool

Data de nascimento: 2 de outubro de 1992

Posição: Guarda-redes

O posto de guarda-redes está no ADN da família. O bisavô de Alisson jogava na baliza do clube da sua cidade natal e o seu pai usava as luvas em todos os jogos com os amigos. A mãe também era guarda-redes, mas de andebol. E o seu irmão mais velho, Muriel, abriu o caminho para Alisson ao tornar-se profissional e ser um modelo para ele no Internacional. Alisson juntou-se à Roma em 2016 e está no Liverpool desde 2018, tendo vencido todos os troféus possíveis, incluindo a Liga dos Campeões. A religião desempenha um papel importante na sua vida, existindo vídeos seus a batizar Roberto Firmino e a mulher de Fred. «Há uma pequena distinção: não sou religioso, sou seguidor de Cristo», disse à Folha de São Paulo em 2020. «Quando falamos de religião, está muito ligada a tradições e fatores que, de certa forma, mancham a rica história do Cristianismo. Jesus é muito mais do que religião.»

12. WEWERTON


Data de nascimento: 13 de dezembro de 1987

Clube: Grêmio

Posição: Guarda-redes

Uma das muitas escolhas surpresa de Carlo Ancelotti nesta convocatória final, Weverton completa 39 anos em dezembro. Por que razão mereceu a confiança em detrimento de rivais mais jovens? Ancelotti justificou de forma simples: «Em certas posições, como a de guarda-redes, damos prioridade à experiência.» A opção por um profissional veterano para a cobertura do posto terá sido motivada pelas preocupações com a condição física de Alisson e com a forma intermitente de Ederson à entrada para o torneio, surgindo como uma alternativa competente caso seja chamado a intervir naquele que será o seu segundo Mundial. Foi peça-chave no ciclo de sucesso do Palmeiras entre 2018 e o início deste ano, altura em que se mudou para o Grêmio com um contrato válido por três temporadas, embora o peso da idade comece a fazer-se notar — e nunca tenha sido um especialista a defender grandes penalidades. A sua reação ao ser convocado tornou-se viral na internet: um vídeo mostra o guardião aparentemente a desmaiar ao ouvir o seu nome. «O meu coração estava a mil», explicou mais tarde, acrescentando: «Brincadeiras à parte, a minha queda foi de alívio, de emoção e de tudo o que nos passa pela cabeça naquele momento.»

23. EDERSON


Clube: Fenerbahce

Data de nascimento: 17 de agosto de 1993

Posição: Guarda-redes

Jogar com Ederson é como ter um homem extra na linha defensiva quando se tem a posse de bola. Durante os seus oito anos no Manchester City, foi frequentemente o ponto de partida para lances de ataque — uma qualidade que deve muito à sua formação no São Paulo, onde idolatrava Rogério Ceni, o guarda-redes com mais golos de todos os tempos: 131 tentos em 25 anos de carreira. Luiz Batista da Silva Júnior, então treinador de guarda-redes das camadas jovens do clube, disse ao Guardian em 2018: «Tínhamos um plano para produzir o sucessor de Ceni, por isso os nossos treinos com os rapazes tinham um grande foco no jogo de pés. Embora fosse muito tímido, o Ederson prestava atenção a todos os exercícios e aprendia tudo rapidamente». Em 2023, Ceni disse a Ederson: «Sinto que és a extensão da minha carreira, de como eu era. Consigo ver-me quando te vejo jogar». Em 2025, Ederson falou à BBC sobre um ritual particular que o ajudou ao longo da sua carreira em Inglaterra. «Só tenho uma superstição. Jogo todos os jogos com a mesma cueca. Oito anos, a mesma cueca.» Deixou o City pelo Fenerbahce no ano passado.

4. MARQUINHOS


Clube: PSG

Data de nascimento: 14 de maio de 1994

Posição: Defesa

Descrito como «um líder dentro e fora de campo» pelo seu treinador no clube, Luis Enrique, Marquinhos tem sido um dos melhores na sua posição há mais de uma década, brilhando desde que se juntou ao PSG, vindo da Roma, em 2013. Em miúdo, gostava de jogar à baliza, por isso comandar a defesa esteve sempre na sua natureza. Agora, como capitão da seleção de Ancelotti, será o encarregado de erguer o troféu se o Brasil vencer este verão. Já tinha conquistado 10 títulos da Ligue 1 quando finalmente deitou as mãos ao troféu da Liga dos Campeões, no ano passado, e elogiou Luis Enrique por fazer isso acontecer. «Ele é certamente um dos melhores treinadores do mundo, e mostra-nos isso todos os dias. É um treinador muito exigente, muito claro com os jogadores, e traz sempre algo extra.»

6. ALEX SANDRO


Clube: Flamengo

Data de nascimento: 26 de janeiro de 1991

Posição: Defesa

Não importa para onde vá, Alex Sandro coleciona troféus. Depois do Athletico Paranaense (2008-2010), Santos (2010-2011), FC Porto (2011-2015) e Juventus (2015-2024), chegou ao Flamengo em 2024 e, desde então, venceu todos os troféus que há para ganhar na América do Sul. Deve muito da sua velocidade, precisão e foco técnico ao facto de ter passado muito tempo, enquanto jovem, a praticar capoeira, a tradicional arte marcial brasileira sem contacto. «Mesmo em Itália, alguns treinadores disseram-me que alguns dos movimentos se assemelham à capoeira», afirmou. «A minha mãe fazia, o meu irmão também; temos uma história dentro disso.» Sempre teve uma sólida ética de trabalho: em rapaz, vendia CDs e DVDs nas ruas. O seu irmão Flávio disse ao Globo em 2022: «Era a forma de ele arranjar dinheiro para comprar doces ou o que quer que ele quisesse.»

16. DOUGLAS SANTOS


Data de nascimento: 22 de março de 1994

Clube: Zenit São Petersburgo

Posição: Lateral-esquerdo

O lateral-esquerdo de 32 anos tem vivido uma relação intermitente com a seleção do Brasil. Somou a sua primeira convocatória em 2013, mas sentiu dificuldades para dar continuidade a esse momento e, em março do ano passado, a alinhar no Zenit São Petersburgo desde 2019, e após ter recebido a nacionalidade russa em 2024, esteve muito perto de mudar a sua dupla nacionalidade internacional para representar a Rússia — cenário que mudou quando foi incluído na lista prévia do Brasil para a qualificação do Mundial. «Sempre tive um enorme respeito pela Rússia, pois é o país onde construí grande parte da minha carreira», revelou ao Fifa.com em maio, completando: «Mas vestir a camisola brasileira sempre foi o grande sonho, por isso isso teve prioridade.» A sua inclusão nesta comitiva é a concretização de um desejo de infância. «A minha primeira memória clara é a do Mundial de 2002, a ver os jogos com a minha família, bem como a ansiedade antes de cada partida. Isso marcou muito a minha infância. Creio que foi aí que nasceu o meu sonho de vestir a camisola do Brasil num Mundial. Ver o Ronaldo marcar os dois golos na final, depois de tudo o que tinha superado, foi algo extraordinário. A festa da equipa, o país inteiro que parou. Demonstrou o quão grande é o Mundial para os brasileiros.»

13. DANILO


Clube: Flamengo

Data de nascimento: 15 de julho de 1991

Posição: Defesa

Um dos poucos jogadores a ter vencido os títulos da Liga dos Campeões e da Taça Libertadores. No ano passado, um cabeceamento seu garantiu ao Flamengo a sua quarta Libertadores, numa final contra o rival Palmeiras. Lateral-direito em jovem, adaptou-se ao centro durante os seus anos na Juventus e é agora uma rocha na linha defensiva do Flamengo, e seu capitão. Ser líder é algo que faz desde a infância, quando cuidava dos seus três irmãos mais novos enquanto o pai, motorista de camião, e a mãe, empregada doméstica, estavam fora. «Preparava um biberão para cada um, porque depois do biberão eles adormeciam. Tomei muito conta de todos eles», disse à Globo TV. Um dos irmãos, Dener, afirmou: «O Danilo sempre foi aquele tipo super-protetor. A dar conselhos, a repreender… Além disso, sempre foi muito estudioso, sempre o melhor da turma». Poliglota, Danilo continua a preferir ler livros a jogar videojogos. «Leio um pouco de tudo, mas o que mais gosto são livros que falam sobre interações humanas, relações interpessoais e histórias de superação e resiliência.»

3. GABRIEL MAGALHÃES


Clube: Arsenal

Data de nascimento: 19 de dezembro de 1997

Posição: Defesa-central

Gabriel, agora um dos melhores defesas-centrais do mundo, teve um início tremido no futebol. Em adolescente, deixou a sua casa em São Paulo para se juntar à academia do Avaí, mas regressou após uma semana, com saudades. Depois de falar com o pai, Gabriel ligou ao treinador do Avaí, Diogo Fernandes, que aceitou recebê-lo de volta. «Sabíamos que isto podia acontecer, pois o primeiro problema que um futebolista enfrenta é estar longe da família», disse Diogo em 2020. «Também sabíamos que o Avaí seria um dos poucos clubes que aceitaria o Gabriel. Ele era magro e muito alto, esquerdino, mas era um pouco brando nos duelos e não cabeceava muito bem. No final, tivemos razão: foi a maior transferência da história do Avaí [quando vendido ao Lille em 2017] e um jogador soberbo… Ele não foi construído pelo talento, mas pela sua vontade de melhorar as suas lacunas e aprender que podia superar qualquer dificuldade que a vida lhe impusesse. Soubemos que ele podia ser um jogador de topo desde o início». Após três anos em França juntou-se ao Arsenal por 27 milhões de libras. Conhecido no Emirates como "Big Gabi", para evitar confusões com o seu homónimo Martinelli.

2. ÉDERSON

Data de nascimento: 7 de julho de 1999

Clube: Atalanta

Posição: Médio

Éderson esperava um verão focado no plano interno, a preparar-se para a sua nova vida em Manchester, após ter sido riscado da convocatória preliminar do Brasil. Mas tudo mudou quando Wesley, da Roma, sofreu uma lesão na coxa dias antes do torneio. Em vez de recorrer a outro defesa, Carlo Ancelotti optou por chamar novamente o versátil médio box-to-box da Atalanta para a equipa. Éderson juntou-se ao clube vindo da Salernitana em 2022, estreando-se pelo Brasil dois anos mais tarde, e acertou os detalhes de uma transferência de 35 milhões de libras para o Manchester United em junho, que fará dele a primeira contratação do mandato de Michael Carrick como treinador permanente. Irá substituir Casemiro – um lugar difícil de preencher. Um dos seus antigos treinadores, Tiago Nunes, disse em 2024: «Fez um longo caminho este rapaz introvertido, desde que o conheci. Ele estava muito focado no que queria alcançar no futebol, mas ainda com um nível baixo de confiança. Penso que nem sequer imaginava a dimensão do seu potencial. Mas amadureceu passo a passo e, consequentemente, a história fala por si».

14. BREMER


Data de nascimento: 18 de março de 1997

Clube: Juventus

Posição: Defesa-central

O pai de Gleison Bremer gostava de batizar os filhos em homenagem a figuras ilustres. Um dos irmãos de Bremer chama-se Kennedy, devido a John F. Kennedy, enquanto o próprio Bremer recebeu o seu nome por causa de Andreas Brehme, o herói da Alemanha na final do Mundial de 1990. «Somos três irmãos na família e todos recebemos o nome de alguém importante, reverenciado ou admirado», revelou Bremer ao The Telegraph em 2023, acrescentando: «Andreas Brehme era um jogador de quem o meu pai gostava muito.» Aquando da morte de Brehme, em 2024, Bremer escreveu na internet: «Eras o ídolo do meu pai. Para mim, serás sempre um exemplo de desportivismo.» Bremer trocou o Torino pela Juventus em 2022, ano em que se estreou pela seleção do Brasil. Imponente, veloz e destemido, o central assume que deve muitas das suas valências ao futebol de rua que praticava na infância. «Aprendi a não perder. Aprendi a ser agressivo nas ruas. Também aprendi a ser um bocadinho matreiro.» Quando não estava a jogar futebol ou a estudar em miúdo, ajudava a família na quinta ou a vender gelados. «A minha mãe fazia os gelados e eu ajudava-a a colocá-los no congelador para os poder vender no dia seguinte, que era dia de mercado. Ela dava-me metade do que eu faturava para eu poder ir jogar futebol para a cidade vizinha ou jogar videojogos», recordou à ESPN.

15. LÉO PEREIRA


Data de nascimento: 31 de janeiro de 1996

Clube: Flamengo

Posição: Defesa-central

Os últimos cinco anos no Flamengo têm sido uma autêntica montanha-russa para Léo Pereira. Remetido ao banco de suplentes, chegou a equacionar a saída do clube, mas, após a chegada de Dorival Júnior para uma terceira etapa no comando técnico, cresceu até se tornar num dos pilares de uma equipa altamente vitoriosa. O antigo treinador do emblema rubro-negro, Filipe Luís, afirmou no ano passado: «Para mim, ele é o melhor defesa-central a atuar no Brasil.» Somou a sua primeira internacionalização em março deste ano, sendo lançado a titular diante da França e, embora a sua exibição não tenha sido brilhante — com o primeiro golo gaulês a surgir após o central perder um duelo com Kylian Mbappé —, a sua capacidade para iniciar lances ofensivos a partir de trás, o passe preciso e o bom posicionamento convenceram Carlo Ancelotti de que merecia uma vaga na comitiva deste verão. «A minha passagem pelo Flamengo foi marcada pela minha resiliência e pelo facto de eu, a minha família e as pessoas mais próximas nunca termos deixado de acreditar», sublinhou após a primeira convocatória, completando: «Tive um início difícil no Flamengo mas, de 2022 em diante, consegui encontrar uma regularidade muito boa e conquistar vários títulos com os meus companheiros. É muito difícil sagrares-te campeão e vencer múltiplos títulos na carreira, e creio que esses são alguns dos fatores que me colocaram hoje na seleção.»

24. ROGER IBÁÑEZ


Data de nascimento: 23 de novembro de 1998

Clube: Al-Ahli

Posição: Defesa-central

Filho de mãe uruguaia e pai brasileiro — a quem costumava ajudar na carpintaria da família quando era rapaz —, Ibáñez era elegível para representar o Uruguai, mas optou por vincular-se ao país onde nasceu. Formado na academia do Fluminense, mudou-se para Itália em 2019 pela mão da Atalanta, vindo depois a conquistar a Liga Conferência como peça-chave na Roma de José Mourinho, em 2022. Um ano mais tarde, rumou ao Al-Ahli por uma verba a rondar os 30 milhões de euros. Sendo um dos defesas-centrais mais velozes em prova no torneio, garante ainda polivalência, sendo capaz de atuar como lateral-direito ou médio-defensivo. Integrar a convocatória para um Mundial era um objetivo antigo e, quando este se concretizou, o jogador escreveu na internet: «Isto é o significado de um sonho tornado realidade. Em 2020 disse-o abertamente, em 2022 contive-me, mas em 2026 a história será diferente. É com enorme gratidão que olho para trás e me orgulho do percurso até aqui. Obrigado à minha família, aos meus amigos, aos meus companheiros de equipa que fizeram parte desta caminhada. Farei tudo o que for possível para trazer a sexta estrela para o Brasil. Estar num Mundial é o sonho da minha vida… Deus abençoe o Brasil!»

18. DANILO SANTOS


Data de nascimento: 29 de abril de 2001

Clube: Botafogo

Posição: Médio

Recuando a 2020, os sub-20 do Palmeiras realizavam um treino de conjunto contra as reservas da equipa principal, sob o olhar atento do treinador principal, Vanderlei Luxemburgo. Um jovem franzino de 18 anos saltou-lhe imediatamente à vista. «Ele estava em todo o lado», recordou Luxemburgo, acrescentando: «Não passava para trás nem para os lados, só para a frente. P*** que pariu, que jogador. Queria-o já.» Danilo estreou-se na equipa principal pouco tempo depois e foi contratado pelo Nottingham Forest em 2022 por uma verba a rondar os 16 milhões de libras. Contudo, logo na jornada inaugural, fraturou o tornozelo, o que fez com que somasse apenas 13 aparições nessa primeira temporada. O Botafogo trouxe-o de regresso ao Brasil por 21 milhões de libras em 2025 e, em março deste ano, o médio somou a primeira internacionalização na era Carlo Ancelotti. Em maio, explicou a razão pela qual parece sempre tão calmo no miolo. «Quando estou em campo, não penso em mais nada», revelou ao Fifa.com, completando: «Sinto-me completamente livre. Não interessa o que está a acontecer no jogo, contra quem estamos a jogar, se estamos a jogar bem ou mal. Sinto-me sempre à vontade — como se estivesse numa peladinha em Fazenda Coutos, apenas a desfrutar do jogo, a brincar com o meu cão, o Pit. Tudo flui de forma muito natural ali dentro.»

17. FABINHO


Data de nascimento: 23 de outubro de 1993

Clube: Al-Ittihad

Posição: Médio

Desde que rumou ao clube português Rio Ave, com apenas 18 anos, que Fabinho vive fora do Brasil, capitaneando os sauditas do Al-Ittihad desde 2023. Os anos de maior sucesso da sua carreira foram passados ao serviço do Liverpool, conquistando a Liga dos Campeões na sua época de estreia e o título inglês na segunda temporada. A sua decisão de abandonar os reds há três anos, após 219 jogos em cinco anos, surpreendeu muita gente. «O Jürgen Klopp ligou-me e perguntou-me o que eu queria», recorda Fabinho, prosseguindo: «Disse-lhe que tinha ouvido a proposta e que tinha gostado, mas que queria ouvir da parte dele o que pensava. Ele respondeu que, se houvesse jogadores com vontade de sair, não os iria prender. Foi um discurso que acabou por me abrir as portas da saída. Essa conversa com o treinador podia ter-me segurado no clube, mas ele deixou a questão em aberto e eu não gostei muito disso. O Liverpool é um clube que amo, mas as coisas que aconteceram na altura encaminharam a minha vida para a Arábia. Saí em paz e feliz com a minha decisão.» O médio traz uma enorme bagagem de experiência e liderança para a comitiva deste verão. Quando recebeu a chamada, escreveu na internet: «Mais uma oportunidade de viver uma das maiores honras da minha vida: jogar uma Copa do Mundo pelo meu país. Hoje e sempre grato a Deus! Vamos!»

5. CASEMIRO


Clube: Manchester United

Data de nascimento: 23 de fevereiro de 1992

Posição: Médio

Um dos grandes de sempre do Real Madrid e um vencedor em série com os merengues. Quando se mudou para o Manchester United em 2022, foi questionado pelos repórteres sobre uma das muitas coisas novas a que teria de se habituar, nomeadamente a ausência de Liga dos Campeões. Era algo que o incomodava? «Bem, eu tenho cinco», sorriu. Desde então, o seu tempo no United tem sido misto — um declínio acentuado, mas, esta temporada — a sua última no United — uma recuperação, encontrando a forma no momento ideal para este verão. Ancelotti disse aos repórteres no ano passado: «Não há jogadores no Brasil com as mesmas características do Casemiro». É conhecido, também, pela liderança tranquila, tendo dito ao Guardian em 2020: «É apenas a minha personalidade. Sou muito, muito, muito calmo, mesmo que o meu estilo de jogo seja agressivo e todos possam ver isso. São os valores da minha mãe: ser educado, tratar todos da mesma forma. Não se pode perder isso, nunca. Não é preciso gritar para liderar». O seu nome correto é Casimiro; acabou por ficar e manter "Casemiro" quando o São Paulo escreveu mal o seu nome na camisola. «Joguei muito bem nesse dia e sou uma pessoa muito supersticiosa, por isso disse ao clube: "Não precisam de mudar." Foi um erro de um jogo; agora vou carregá-lo comigo para sempre.»

20. LUCAS PAQUETÁ


Clube: Flamengo

Data de nascimento: 27 de agosto de 1997

Posição: Médio

«Não acho que o Flamengo precisasse de mim, mas eu precisava do Flamengo». Paquetá, tendo sido ilibado no ano passado de suspeitas de manipulação de apostas após uma investigação de dois anos, estava determinado a deixar o West Ham e voltar para casa. O stress a que estava submetido foi evidente em novembro, quando viu dois cartões amarelos, ambos por protestos, na derrota frente ao Liverpool. Mais tarde, respondeu online a um vídeo do comentador da Sky, Rob Green, que o acusava de «comportamento ridículo», escrevendo: «É ridículo ter a vida e a carreira afetadas durante dois anos sem qualquer apoio psicológico da federação. Talvez este comportamento ridículo seja apenas um reflexo de tudo o que tive de suportar e, parece, continuo a ter de suportar! Peço desculpa se não sou perfeito». Quando regressou ao Brasil, com a sua transferência de 35,5 milhões de libras do West Ham para o Flamengo a tornar-se a mais cara da história do país, afirmou: «Sonhei tanto com este momento. Tudo o que quero é desfrutar desta felicidade de estar finalmente em casa. Quero ser feliz, trazer alegria à nação e dar o meu melhor». A sua capacidade de ditar o jogo como médio "box-to-box" faz dele um jogador único no plantel de Ancelotti, e titular certo se estiver em forma.

8. BRUNO GUIMARÃES


Clube: Newcastle

Data de nascimento: 16 de novembro de 1997

Posição: Médio

Aos três anos, Bruno Guimarães esteve no hospital com pneumonia, e novamente dois anos depois. Os médicos encorajaram os pais a mantê-lo ativo para ajudar na recuperação e fortalecer os pulmões. Primeiro tentaram a natação, mas ele não gostou. Depois veio o futebol, e ele nunca mais olhou para trás. No entanto, foi um caminho difícil até ao topo. Aos 16 anos juntou-se ao Audax, em São Paulo, onde, contou ao UOL em 2022, «partilhava um quarto com outros 22 rapazes, alguns ratos e algumas infiltrações». Duvidou seriamente de si próprio no Audax, paralisado pelos nervos, e diz dever tudo ao seu treinador de então, Fernando Diniz. «Costumava ter pavor de jogar futebol, sentia-me mal e chegava a vomitar antes dos jogos, magro como um espeto, sem força nenhuma, a ouvir o Diniz dizer-me "vais ser um jogador espetacular". E eu só pensava "este gajo é maluco". Ele disse-me que eu seria bom em qualquer profissão que escolhesse porque era dedicado e determinado… Ele é um tipo único, uma pessoa fundamental. Torço por ele e ainda mantemos contacto. Ele até me ligou o outro dia para ver como eu estava». O futuro de Guimarães no clube é incerto perante rumores de ligação ao Manchester United, que procura um substituto para Casemiro.

7. VINÍCIUS JÚNIOR


Clube: Real Madrid

Data de nascimento: 12 de julho de 2000

Posição: Ala

Quase toda a gente no Brasil sabia o que aí vinha de Viní Jr, logo desde o início. O alvoroço começou quando ele era pré-adolescente no Flamengo, e ele correspondeu. Em 2017, aos 17 anos, aceitou uma transferência de 39 milhões de libras para o Real Madrid, onde cresceu até se tornar o símbolo do sucesso da equipa pós-Cristiano Ronaldo. A forma nem sempre foi consistente, inclusive na Seleção, mas se há um homem que sabe como tirar o melhor dele, esse homem é Carlo Ancelotti. Em 2024, Vinícius disse do seu então treinador no clube: «Ele fez tudo por mim. Sempre me deu confiança, repreendeu-me quando foi preciso. Ele preocupa-se comigo tanto quanto eu me preocupo com ele. Mudou-me como jogador, não no campo, mas na forma como penso». Tem sido repetidamente vítima de insultos racistas na La Liga e tem falado repetidamente contra isso. Disse em 2024: «Só quero jogar futebol, mas é difícil seguir em frente… Sinto cada vez menos vontade de jogar. Mas nunca me passou pela cabeça [deixar Espanha] porque se eu sair de Espanha dou aos racistas exatamente o que eles querem.»

11. RAPHINHA


Clube: Barcelona

Data de nascimento: 14 de dezembro de 1996

Posição: Ala

Enquanto adolescente, Raphinha quase desistiu do desporto. Começou a jogar num clube de um projeto social em Porto Alegre e era frequentemente dispensado por ser demasiado magro, falhando uma série de testes em clubes, o que abalou a sua confiança. Mas acabou por ser observado pela academia do Avaí e mudou-se de lá para o Vitória de Guimarães, em Portugal, onde fez a sua afirmação profissional. Desde então, com passagens por França, Inglaterra e agora no Barcelona, desenvolveu-se de forma constante num dos atacantes laterais mais rápidos e perigosos do jogo, um pesadelo para os adversários. Terminou 2024-25 com 34 golos marcados e 22 assistências em 57 jogos, mas apenas em quinto lugar no ranking da Bola de Ouro, o que não caiu bem. «Acho que merecia ser o primeiro pelo que entreguei durante a temporada, pelos títulos que conquistei, pelos números que alcancei e por tudo o que contribuí em campo. Acho que merecia ganhar.»

9. MATHEUS CUNHA


Clube: Manchester United

Data de nascimento: 27 de maio de 1999

Posição: Avançado

Cunha foi utilizado regularmente por Tite durante o ciclo para o Mundial de 2022, mas, deixado à margem da equipa principal do Atlético de Madrid, falhou a convocatória para o Qatar. «Senti-me mal, muito mal», disse ao Guardian no ano passado. «Sofri muito. Senti-me mal por não ter jogado o Mundial e senti-me ainda pior porque não fui ao Mundial por não estar a jogar no meu clube». A mudança para os Wolves deu a volta à situação. «Às vezes tudo o que queremos na vida é carinho. As pessoas pensam que temos tudo, mas também somos seres humanos. Precisamos de um pouco de compreensão — temos as nossas dificuldades. Os Wolves devolveram-me essa alegria». Voltou a entrar nas contas da seleção, garantindo a transferência de 62,5 milhões de libras para o Manchester United no ano passado. Carlo Ancelotti é um grande fã do seu estilo e versatilidade, pelo que poderá tornar-se o quinto número 9 diferente do Brasil nos últimos cinco Mundiais — uma posição sem um "dono" fixo desde que Ronaldo parou de jogar.

19. ENDRICK


Clube: Lyon (emprestado pelo Real Madrid)

Data de nascimento: 21 de julho de 2006

Posição: Avançado

Têm sido uns anos de montanha-russa para Endrick. Aos 16 anos, o prodígio do Palmeiras assinou um pré-contrato com o Real Madrid numa transferência de 70 milhões de euros, apelidado de a maior promessa brasileira desde Neymar. Na sua primeira época em Espanha, quando fez 18 anos, teve altos e baixos, mostrando rasgos de brilhantismo. Mas depois as coisas azedaram: Carlo Ancelotti saiu, Endrick lesionou-se e, quando recuperou a forma, o novo treinador Xabi Alonso mal o utilizou. Foi uma conversa tranquilizadora com Ancelotti, por essa altura já selecionador do Brasil, que lhe levantou o moral: quando se juntou ao Lyon por empréstimo, no ano passado, Endrick disse que Ancelotti lhe «disse para ir, jogar e desenvolver as capacidades para jogar e ser feliz». Em França recuperou a confiança e mostrou as suas qualidades, forçando o regresso à convocatória do Brasil. Em 2023 falou sobre como lida com as críticas. «A minha mãe e a minha irmã dizem que sou frio. As pessoas dizem que tenho um coração de gelo e que sou muito frio com as decisões que tomo e o que digo… Eu costumava ficar zangado e tentar rebater as críticas. Mas depois percebi que não precisava de provar nada, não precisava de mostrar o contrário. Sou o Endrick. Se quiserem insultar-me, eu não vou ver.»

21. LUIZ HENRIQUE


Data de nascimento: 2 de janeiro de 2001

Clube: Zenit São Petersburgo

Posição: Extremo

Uma opção poderosa e capaz de agitar o jogo a partir do banco de suplentes para Carlo Ancelotti, que afirmou antes do torneio: «O Luiz Henrique tem um talento extraordinário. É muito forte fisicamente e fantástico no um contra um.» O veloz extremo trocou o Botafogo pelo Zenit São Petersburgo em janeiro do ano passado. É conhecido pela sua celebração de golo com a máscara do Pantera Negra, uma tradição que remonta à sua passagem pelo Betis, quando um dos treinadores disse que ele se parecia com o super-herói da Marvel. «Essa ideia agradou a um amigo meu, que compôs uma música para mim e sugeriu que eu usasse uma máscara e fizesse o gesto do Pantera Negra nas celebrações», revelou ao jornal russo Izvestia no ano passado, completando: «Ele sublinhou que a moda ia pegar e que as crianças e os adeptos iam adorar.» Contudo, este não é o seu super-herói preferido. «Gosto muito do Flash, porque ele é incrivelmente rápido. Também me chamam rápido com frequência. Por isso, de todos os superpoderes, escolheria a velocidade do Flash.» O jogador é também um grande admirador de Lionel Messi, ao ponto de ter batizado o seu cão com o nome do astro argentino. «Sim, é verdade. Chamei-lhe Messi porque ele também é ágil e, no bom sentido, faz-me lembrar o futebolista.»

22. GABRIEL MARTINELLI


Clube: Arsenal

Data de nascimento: 18 de junho de 2001

Posição: Ala

Martinelli já ajudou os sub-23 do Brasil a conquistar o ouro nos Jogos Olímpicos. Conseguirá agora ajudar a acabar com o jejum de títulos mundiais do Brasil que dura há 24 anos? Esta é a sua segunda oportunidade, tendo também participado no Qatar. Chega ao Mundial na sequência de uma excelente época no clube e mantém-se calmo e composto como sempre, ignorando a pressão. Em 2022, refletiu sobre a sua infância, dizendo como adorava futebol, mas raramente sonhava em tornar-se profissional — até que, lá está, o Mundial chegava. «Quando a bandeira é pintada na frente da tua casa», escreveu no Players' Tribune. «Quando tens 15 familiares no teu quintal, a televisão é trazida para fora, há balões, fogo-de-artifício, buzinas a tocar, os teus primos a correr pelas escadas e o teu tio no churrasco… como podes não sonhar? Estás a ver a Seleção e a pensar: "Imagina vestir aquela camisola num Mundial".»

25. IGOR THIAGO


Data de nascimento: 26 de junho de 2001

Clube: Brentford

Posição: Avançado

Tem sido uma caminhada extenuante até ao topo. Com apenas 13 anos, Igor Thiago fazia pequenos trabalhos informais para ajudar a sustentar a família, após a morte do pai. Enquanto a mãe ganhava a vida como varredora de rua na sua Cidade Ocidental natal, o jovem desdobrava-se como servente de pedreiro, carregador de fruta no mercado e lavador de carros. «Tinha amigos que queriam que eu roubasse com eles», revelou ao The Guardian, em janeiro, acrescentando: «Não eram amigos a sério, claro. Eram conhecidos da rua, mas queriam que eu consumisse drogas, que seguisse o caminho errado na vida. Muitas pessoas na minha cidade vivem uma realidade semelhante ou pior à que eu tinha na altura. Há muita gente com pais alcoólicos, que usam drogas, que foram abandonados.» A sua carreira no futebol ganhou vida quando o Cruzeiro lhe ofereceu uma oportunidade à experiência. Dali, mudou-se em 2022 para os búlgaros do Ludogorets, passou depois pelo Club Brugge e, finalmente, rumou ao Brentford em 2024, por uma verba a rondar os 30 milhões de libras. Duas lesões no joelho fizeram com que falhasse quase toda a sua primeira temporada, mas a segunda foi estrondosa. «Acredito que estou pronto», afirmou, concluindo: «A única coisa que sei fazer na vida é marcar golos. Deus preparou-me para este momento e, se Ele permitir, vamos trazer o sexto título mundial para o Brasil.»

26. RAYAN


Data de nascimento: 3 de agosto de 2006

Clube: Bournemouth

Posição: Avançado

A jovem sensação

Em 2018, o portal desportivo Globo Esporte publicou uma nota na internet sobre um miúdo que tinham descoberto nas camadas jovens do Vasco da Gama: «Anotem este nome, adeptos do Vasco: Rayan, 11 anos, marcou 115 golos em 2017.» Oito anos mais tarde, Rayan acaba de chegar ao seu primeiro Mundial no seguimento de uma temporada brilhante na Premier League, ao serviço do Bournemouth, e com o mundo aos seus pés. O avançado mudou-se para Inglaterra em janeiro por 24,7 milhões de libras, proveniente do Vasco, clube que representava desde os seis anos de idade e pelo qual tinha apontado 20 golos em 57 jogos em 2025. Entrou com o pé direito em solo inglês, aproveitando ao máximo a vaga deixada no Bournemouth quando Antoine Semenyo se transferiu para o Manchester City. Estreou-se pela seleção do Brasil apenas em abril, mas projeta um futuro imenso pela frente. E já tem tudo planeado: «Vejo-me daqui a cinco anos a jogar na Europa, pelo Bournemouth ou por outra equipa que me contrate», afirmou em março, concluindo: «Daqui a cinco anos, espero estar a jogar na Europa, na equipa mais poderosa do mundo.»

10. NEYMAR


Data de nascimento: 5 de fevereiro de 1992

Clube: Santos

Posição: Avançado

Superestrela

Com 79 golos apontados em 128 internacionalizações, ostenta um registo formidável para um avançado que se prepara para disputar o seu quarto Mundial — mas é evidente que o jogador de 34 anos é uma sombra daquilo que já foi. E isto sem contar com a lesão no gémeo sofrida mesmo antes do torneio, que o deixará, na melhor das hipóteses, com uma clara falta de ritmo competitivo nas rondas iniciais. Afastado dos trabalhos da seleção desde 2023, devido a problemas físicos e a exibições intermitentes desde o seu regresso ao Santos, mereceu ainda assim a confiança de Carlo Ancelotti, em detrimento de rivais como João Pedro ou Richarlison, aparentemente devido ao seu peso institucional. «Sei perfeitamente que o Neymar é muito querido, não apenas pelo público, mas também pelos jogadores», justificou Ancelotti, completando: «Isto é um fator a ter em conta, porque temos de considerar o ambiente que vai rodear a convocatória do Neymar.» O astro mantém-se desafiador perante as críticas e continua a abraçar o seu estatuto de celebridade fora dos relvados. Em 2020, chegou mesmo a exibir os seus dotes de representação ao fazer uma curta aparição como um monge chamado João nos episódios seis e oito da sua série favorita da Netflix, La Casa de Papel.

Textos de Gustavo Faldon do Estadão. Estes textos foram escritos no âmbito da Guardian Experts' Network, a rede de troca de conteúdos para o Mundial 2026, liderada pelo jornal inglês The Guardian e que tem A BOLA como representante português, e foram traduzidos com recurso a Inteligência Artificial.

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