O PLANO

Esta é a sexta vez consecutiva que a Suíça se qualifica para um Mundial e a comitiva voará para a Costa Oeste dos EUA com as expectativas em alta, estabelecendo o seu quartel-general em San Diego. «Queremos fazer o melhor Mundial de sempre de uma seleção suíça», assumiu o selecionador, Murat Yakin, ao jornal Blick. «A sensação de que poderíamos ter alcançado a final do último Europeu [onde caíram nas grandes penalidades frente à Inglaterra, nos quartos-de-final] dá-nos legitimidade para sonhar.»

O melhor desempenho da Suíça num Mundial aconteceu em solo caseiro, em 1954, quando atingiu os quartos-de-final. Desde então, as suas aventuras têm terminado nos oitavos-de-final, tal como sucedeu em 2022, em Doha, quando foi goleada por 6-1 face a Portugal.

No entanto, existem muitos motivos para os adeptos helvéticos encararem o torneio com esperança e antecipação. A equipa esteve muito confortável na qualificação, terminando no topo do Grupo B da UEFA, à frente de Kosovo, Eslovénia e Suécia, somando quatro vitórias e dois empates.

Há uma boa mistura no plantel entre os veteranos mais consagrados — como Granit Xhaka, Manuel Akanji e Ricardo Rodriguez — e uma geração mais jovem, representada por Dan Ndoye, Fabian Rieder e Johan Manzambi, entre outros. Além disso, a Nati tem evitado lesões antes deste Mundial, com o avançado do Burnley, Zeki Amdouni, aparentemente a vencer a corrida para recuperar de uma rotura do ligamento cruzado anterior.

Noah Okafor também está de regresso, depois de ter sido afastado na sequência de um Euro 2024 modesto, onde não reagiu bem ao facto de não jogar, a que se somou uma crítica pública a Yakin após ter sido excluído das convocatórias seguintes. O avançado do Leeds United pediu desculpa ao selecionador e ao resto do grupo, encontrando-se na melhor forma da sua vida. «Ambos fizemos o que estava correto. A evolução dele tem sido muito positiva; pode ser um jogador-chave no Mundial», destacou Yakin.

O sistema preferido de Yakin é o 4x2x3x1, embora tenha vindo recentemente a namorar o 3x4x3, com Denis Zakaria na posição de ala-direito. Foi, aliás, com essa estrutura que os suíços chegaram aos quartos-de-final do Europeu.

O SELECIONADOR

Murat Yakin, selecionador da Suíça - Nacionalidade: Suíça
Murat Yakin, selecionador da Suíça - Nacionalidade: Suíça

Murat Yakin. O prestígio do selecionador nacional nunca esteve tão alto — e o defesa Ricardo Rodriguez é um dos que se confessam impressionados. «O Murat está a fazer um excelente trabalho», elogia Rodriguez. «Ao longo dos anos, tornou-se ainda mais aberto e comunicativo connosco, jogadores. Fala muito connosco, pede a nossa opinião de vez em quando e escuta-nos. É brilhante nisso.»

A nomeação de Yakin como sucessor de Vladimir Petkovic, em agosto de 2021, surgiu como uma surpresa, dado que na altura orientava o FC Schaffhausen, da segunda divisão, e houve períodos delicados pelo meio, como a derrota por 6-1 frente a Portugal e exibições cinzentas na antevisão do Euro 2024, que lhe valeram críticas públicas do capitão Granit Xhaka. Contudo, após o saldo positivo no torneio, prolongou o seu vínculo contratual até 2028.

A ESTRELA

O capitão Granit Xhaka continua a ser o jogador mais importante da equipa, aos 33 anos. É a peça-chave na primeira fase de construção da Suíça, ditando os ritmos e garantindo o equilíbrio entre a defesa e o ataque. Este será, muito provavelmente, o último Mundial do homem que detém o recorde de internacionalizações pela Suíça, embora possa perfeitamente continuar a sua carreira internacional após o torneio. O médio deu seguimento a dois anos excecionais no Bayer Leverkusen com uma temporada igualmente impressionante ao serviço do Sunderland, o recém-promovido à Premier League que carimbou o passaporte para a Liga Europa na última jornada do campeonato. Xhaka, como o próprio diz, é como o bom vinho do Porto: quanto mais velho, melhor.

JOGADOR A SEGUIR

Johan Manzambi (IMAGO)
Johan Manzambi (IMAGO)

Johan Manzambi. A época impressionante do médio nascido em Genebra, ao serviço do Friburgo, não passou despercebida, com os principais clubes europeus a monitorizarem agora este polivalente jogador. Dificilmente passa uma semana sem que surja um novo rumor sobre o próximo destino do maior talento da Suíça. Manzambi poderá mesmo protagonizar a transferência mais cara de sempre de um futebolista suíço após o Mundial, superando os 45 milhões de euros que o Arsenal pagou ao Borussia Mönchengladbach por Granit Xhaka em 2016. A sua versatilidade joga a favor, sendo capaz de atuar como camisola 6, 8, 10 ou até em posições mais adiantadas. Na seleção ainda não é titular indiscutível, sendo frequentemente lançado sobre uma das alas. Yakin já assumiu que Manzambi pode ser uma «arma secreta» para os helvéticos na América do Norte, acrescentando: «A evolução dele é realmente impressionante. Quando foi chamado pela primeira vez à seleção, no verão passado, percebemos de imediato o incrível potencial que possui.»

HERÓI DISCRETO

Remo Freuler a celebrar o primeiro golo da Suíça frente à Itália com os seus colegas de equipa (Imago)

Remo Freuler. O jogador natural de Zurique teve de trabalhar no duro para chegar ao topo, depois de outrora lhe terem dito que não tinha qualidade suficiente para o Grasshoppers, o que motivou uma mudança para o Winterthur, do segundo escalão. Quatro anos mais tarde, a sua transferência do Lucerna para a Serie A, pelas portas da Atalanta, apanhou muitos de surpresa, mas adaptou-se perfeitamente a Itália e tornou-se cada vez mais importante também na seleção nacional. Tendo conquistado o seu lugar no XI inicial após o Mundial 2018, é agora indispensável e o complemento perfeito para o estratega Granit Xhaka no miolo. O futebolista, de 34 anos, destaca-se pela sua capacidade de quilómetros percorridos, pela sua força nas situações de um para um e pela inteligência tática — conseguindo inclusive faturar um ou outro golo decisivo de tempos a tempos.

XI PROVÁVEL

(4x2x3x1) Kobel – Widmer, Elvedi, Akanji, Rodriguez – Xhaka, Freuler – Vargas, Rieder, Ndoye – Embolo

O QUE ESPERAR DOS ADEPTOS

Os adeptos suíços costumam comparecer em massa nos grandes torneios e as marchas no Euro 2024, na Alemanha, ainda estão bem frescas na memória. Nessa altura, mais de 10 mil apoiantes pintaram as cidades de vermelho e branco. Isso, infelizmente, não se repetirá na América do Norte. Apenas cerca de 500 pessoas garantiram bilhetes para os jogos da fase de grupos através da Federação Suíça, e perto de 2.000 para as eliminatórias. Tal como aconteceu há quatro anos no Qatar, o panorama político afasta alguns de fazer a viagem, um cenário agravado pelos custos exorbitantes dos voos, alojamento e deslocações internas no continente norte-americano. A sua canção favorita é «Schwiizer Nati, olé olé» e os adeptos criaram até um cântico próprio para o avançado Breel Embolo, adaptado ao ritmo do clássico The Lion Sleeps Tonight.

RELAÇÃO COM OS EUA/TRUMP

Não se espere que nenhum jogador comente as tiradas do presidente norte-americano ou a situação política. O presidente da Federação Suíça, Peter Knäbel, afirmou no final de 2025: «Garantiremos novamente este ano que a equipa se possa focar e se foque 100 por cento no plano desportivo. Se um assunto afetar diretamente os nossos valores enquanto associação, tomaremos — como fizemos no passado — uma posição clara.» Os EUA e a Suíça estiveram envolvidos em discussões comerciais tensas nos últimos meses, com Donald Trump a apontar baterias aos suíços em abril. «A Suíça apresenta-se como um país "pequeno e brilhante"», atirou à CNBC. «São brilhantes porque não nos pagam quase nada. Agora pagam um bocadinho. Deviam pagar muito mais.»

Textos de Christian Finkbeiner, do Blick. Estes textos foram escritos no âmbito da Guardian Experts' Network, a rede de troca de conteúdos para o Mundial 2026, liderada pelo jornal inglês The Guardian e que tem A BOLA como representante português, e foram traduzidos com recurso a Inteligência Artificial.

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