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Mundial 2026: o guia da Colômbia
O PLANO
A atual «selección» da Colômbia ainda tem uma espinha dorsal de jogadores que são recordados com carinho dos Mundiais do Brasil e da Rússia, em 2014 e 2018. Alguns deles estão a participar no seu terceiro torneio, liderados por James Rodríguez, que continua a ser uma figura fulcral numa equipa cujo sistema de 4-2-3-1 é construído em torno da sua posição de número 10. Existe apoio nas alas, onde Luis Díaz se tornou uma fonte de golos, embora não ao nível em que brilha ao serviço do Bayern Munique.
A Colômbia teve uma caminhada de altos e baixos até este Campeonato do Mundo. A sua campanha de qualificação incluiu momentos de glória, como a vitória por 2-1 sobre o Brasil ou a desforra contra a Argentina após a derrota na final da Copa América de 2024. Mas depois surgiu uma derrota por 1-0 na Bolívia que deu início a uma série de seis jogos sem vencer e colocou em perigo a sua vaga na fase final. No fim, duas goleadas impostas à Bolívia e à Venezuela selaram o apuramento.
As dúvidas sobre a equipa persistem após exibições dececionantes em jogos particulares contra a Croácia e a França, em março, mas o selecionador, Néstor Lorenzo, de 60 anos, mostra-se otimista. «A forma como a Colômbia joga – tentando jogar ao ataque, sem se esconder – dá-me satisfação», disse ao La Nación na sua Argentina natal. «A ideia é jogar bem, não apenas ganhar a qualquer custo. E a equipa sente isso: eles acreditam na ideia e aqui estamos. Esperemos começar bem e conseguir construir o melhor Campeonato do Mundo na história da Colômbia».
O SELECIONADOR
No quinto Campeonato do Mundo da sua carreira, Néstor Lorenzo vai liderar uma equipa como selecionador principal pela primeira vez. Jogou pela Argentina em 1990 e foi adjunto de José Pekerman com a Argentina em 2006, e novamente com a Colômbia em 2014 e 2018. «O José tem sido como um pai para mim», afirmou Lorenzo. «Mal tinha tirado o meu curso de treinador quando ele me integrou na equipa técnica da seleção nacional. Conhece-me desde pequeno, quase sempre como treinador, mas também me treinou nas reservas do Argentinos». Além da Colômbia, a única outra equipa que Lorenzo liderou foi o Melgar de Arequipa, no Peru. Isso não impediu o antigo defesa do Swindon de fazer um bom trabalho.
A ESTRELA
Luis Díaz surgiu em cena após 2018 e teve de esperar para se tornar o jogador mais importante da Colômbia. Tornou-se um nome consagrado na Copa América de 2021, no Brasil, catapultando a Colômbia para as meias-finais com uma marca de quatro golos, a melhor do torneio. Agora com 29 anos, o antigo extremo do Liverpool ganhou maturidade e esteve sensacional ao serviço do Bayern Munique esta temporada. «Sei que temos uma grande "selección", uma grande equipa, grandes treinadores. A qualificação foi aceitável para nós porque conseguimos alguns resultados muito importantes», disse Díaz à ESPN.
JOGADOR A SEGUIR
Andrés Gómez somou apenas um punhado de jogos pela Colômbia, mas entrou com o pé direito. Na sua primeira internacionalização, em dezembro de 2023, marcou o golo da vitória contra o México e assinou um empate tardio na visita ao Uruguai, num jogo que a Colômbia acabou por perder. O avançado do Vasco da Gama é uma espécie de revelação tardia mas, aos 24 anos, é agora maduro o suficiente para ser uma alternativa credível a Jhon Arias ou até mesmo a Luis Díaz. Teve um início de vida muito difícil. «Em miúdo, cresci a ver alguns dos meus amigos serem assassinados e vi outros seguirem pelo caminho errado. Mas toda a minha família sempre foi ligada ao futebol», escreveu no Chocó 7 Días.
HERÓI DISCRETO
O homem que traz equilíbrio à Colômbia é Jefferson Lerma, que não passou pela formação de nenhum dos grandes clubes locais. Conquistou a sua transferência para a Europa a partir do modesto Atlético Huila e foi uma escolha surpresa na convocatória de José Pekerman para o Mundial de 2018, na Rússia, sem ter participado na qualificação. Agora, o homem do Crystal Palace é titular indiscutível no meio-campo ao lado de Richard Ríos. A estrela do Benfica pode estar encarregue de espalhar a magia, mas o trabalho de Lerma é cobrir os espaços e fazer o trabalho sujo.
XI PROVÁVEL
(4-2-3-1): Vargas; Muñoz, Sánchez, Lucumí, Mojica; Ríos, Lerma; Jhon Arias, James, Luis Díaz; Suárez.
O QUE ESPERAR DOS ADEPTOS NOS JOGOS
Os adeptos da Colômbia estão entre os mais dedicados do mundo. Encheram estádios no Brasil e até na Rússia. O facto de existirem muitos imigrantes colombianos no México e nos Estados Unidos, embora menos no Canadá, garante uma presença considerável da «febre amarela» neste Campeonato do Mundo. A partida do grupo contra Portugal, em Miami, é o segundo jogo com mais pedidos de bilhetes no torneio, logo atrás da final. Dito isto, os adeptos colombianos terão de ter cuidado, pois serão vigiados de perto pelas autoridades após os distúrbios nas bancadas na Copa América de 2024, nos EUA.
RELAÇÕES COM OS EUA/TRUMP
A seleção nacional ainda não foi arrastada para o que é uma relação bastante difícil entre a administração de Donald Trump e o governo colombiano liderado por Gustavo Petro. O presidente Petro viu o seu visto americano ser revogado – entretanto restabelecido – e ele e o seu círculo mais próximo foram, em outubro de 2025, incluídos na «Lista Clinton» do governo dos EUA (o Gabinete de Controlo de Ativos Estrangeiros do Departamento do Tesouro). O Tesouro dos EUA acusou Petro de presidir a uma política de droga «desastrosa e ineficaz». Reuniões entre os dois países acalmaram, desde então, as tensões. Petro negou ter ameaçado tirar a seleção colombiana do Mundial se Israel também garantisse a presença no torneio, após rumores nesse sentido que circularam nas redes sociais.
Textos de José Orlando Ascencio, do El Tiempo. Estes textos foram escritos no âmbito da Guardian Experts' Network, a rede de troca de conteúdos para o Mundial 2026, liderada pelo jornal inglês The Guardian e que tem A BOLA como representante português, e foram traduzidos com recurso a Inteligência Artificial.
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