24. ÁLVARO MONTERO


Clube: Vélez Sarsfield

Data de nascimento: 29 de março de 1995

Posição: Guarda-redes

Se há algo que define Montero é a sua enorme autoconfiança. Quando chegou ao Vélez Sarsfield, no ano passado, afirmou: «Sou um guarda-redes muito difícil de bater – essa é a minha melhor qualidade. Depois disso, temos altos e baixos, forças e fraquezas». Montero tentou a sua sorte no estrangeiro, no São Caetano (Brasil) e no San Lorenzo (Argentina), mas quase não jogou. Foi apenas no regresso à Colômbia, com o Tolima, que começou a ganhar confiança. O clube só tinha vencido um título de campeão em 63 anos, mas com Montero na baliza conquistou dois em quatro anos, surpreendendo o Atlético Nacional e o Millonarios em segundas mãos fora de portas. Após a final de 2021 celebrou com um grande (mas não retribuído) abraço ao árbitro pelas costas, puxando-lhe os calções. Quando o treinador do Tolima, Alberto Gamero, rumou ao Millonarios, Montero disse-lhe: «Chefe, se quer ganhar troféus lá, terá de me levar consigo.» Assim foi, e venceram três.

1. DAVID OSPINA


Clube: Atlético Nacional

Data de nascimento: 31 de agosto de 1988

Posição: Guarda-redes

Suplente de Vargas após quase uma década como dono da baliza. Quando era pequeno, durante as idas ao supermercado, Ospina abandonava os pais em busca de bolas de futebol. Inicialmente, não queria ser guarda-redes. Tinha todas as características de um avançado: rematava com os dois pés e tinha faro pelo golo. No entanto, quando o guarda-redes da equipa da academia, Alexis García, não apareceu num jogo, Ospina ofereceu-se e assumiu o posto entre os postes. Aos 18 anos já conquistava campeonatos como titular do Atlético Nacional. A sua estreia internacional aconteceu quase por acidente, quando o titular Miguel Calero foi expulso num jogo contra o Uruguai e Ospina foi lançado em campo. Mais de 125 internacionalizações depois, o veterano de 38 anos chega ao seu terceiro Mundial. No currículo, conta com duas Taças de Inglaterra pelo Arsenal, tendo jogado a final de 2017 contra o Chelsea, e uma Taça de Itália pelo Nápoles.

12. CAMILO VARGAS


Clube: Atlas

Data de nascimento: 9 de março de 1989

Posição: Guarda-redes

Titular

Perito em quebrar maldições, fê-lo em dois dos clubes mais tradicionais da América do Sul. Em 2012, ajudou a sua primeira equipa, o Santa Fe, a conquistar o primeiro título de campeão desde 1975. E isso teve muito a ver com a sua sogra, Sandra Merino. Ela não gostava de futebol, mas começou a interessar-se quando a filha, Ángela, se juntou a Vargas. Devota de Cristo, Sandra disse aos diretores do Santa Fe que a equipa estava a ser afetada por feitiçaria. Apesar do ceticismo inicial, o clube convidou Sandra a conhecer a equipa e ela lavou os pés aos jogadores. A partir daí, os atletas passaram a entrar em campo descalços antes dos jogos. Resultou. Já no México, em 2021, Vargas ajudou o Atlas a vencer o seu primeiro título em 70 anos. O tímido guarda-redes raramente fala aos jornalistas e tem a paciência de um santo: só substituiu David Ospina como número 1 da Colômbia já perto dos 40 anos.

18. WILLER DITTA


Clube: Cruz Azul

Data de nascimento: 23 de janeiro de 1998

Posição: Defesa

Na qualificação jogou apenas duas partidas, sendo titular numa, e viu outras três do banco. Sentiu que precisava de fazer mais para garantir um lugar no avião para a América do Norte, por isso decidiu treinar extra. «É para continuar a evoluir a nível pessoal e desportivo. Decidimos trabalhar arduamente nestes dois meses antes do Mundial para melhorar o aspeto físico e técnico», disse ao jornalista Adrián Esparza Oteo. Nascido em Ibirico, Ditta cresceu em Barranquilla, no norte, antes de se mudar para La Jagua de Ibirico com a mãe. Não havia muitas oportunidades para jogar futebol; foi rejeitado pela equipa regional e acabou a jogar «por refrigerantes» fora do estádio do Valledupar. Pablo Zuleta, o treinador que inicialmente o descartou, viu-o jogar num torneio escolar e percebeu o erro. Após uma passagem pela Argentina, afirmou-se no México.

3. JHON LUCUMÍ


Clube: Bolonha

Data de nascimento: 26 de junho de 1998

Posição: Defesa

Destinado a ser futebolista. No dia em que nasceu, a Colômbia foi eliminada do Mundial de 1998 pela Inglaterra, pondo fim à geração de Carlos Valderrama. Foi no clube que Valderrama deixou para jogar na Europa, o Deportivo Cali, que Lucumí começou. O olheiro Michel Arango viu-o jogar num campo no bairro de San Luisito, em Cali: tinha apenas 10 anos, jogava a avançado, mas destacava-se pela altura. Arango sugeriu que seria melhor como defesa. Aos 17 anos já jogava na equipa principal do Cali, estreando-se como lateral-esquerdo porque o treinador, Fernando Castro, não tinha opções. Orientado pelo antigo central da seleção Mario Yepes, Lucumí garantiu a mudança para a Europa via Genk e faz parte da equipa do Bolonha que chegou à fase principal da Liga dos Campeões e venceu a Taça de Itália no ano passado.

2. DANIEL MUÑOZ


Clube: Crystal Palace

Data de nascimento: 26 de maio de 1996

Posição: Defesa

Afirmação tardia

Nascido em Amalfi, terra de algumas das maiores minas de ouro da Colômbia, Muñoz demorou a explodir. Era um fervoroso adepto do Atlético Nacional e ia frequentemente ver os jogos. Aos 18 anos, após ser rejeitado por vários clubes, virou as costas ao futebol. Queria ir para os Estados Unidos procurar emprego, mas não conseguiu visto. Finalmente, a equipa Total Soccer abriu-lhe as portas. «Não foi fácil chegar a um sítio e jogar com miúdos mais novos, sabendo que alguns dos meus colegas já eram profissionais», confessou Muñoz. Aos 21 anos, profissionalizou-se no Águilas Doradas, em Rionegro, antes de atrair o interesse do clube dos seus sonhos, o Atlético Nacional. Daí partiu para o Genk, na Bélgica, e foi peça fundamental no Crystal Palace que conquistou o primeiro grande troféu do clube, a Taça de Inglaterra, no ano passado.

23. DAVINSON SÁNCHEZ


Clube: Galatasaray

Data de nascimento: 12 de junho de 1996

Posição: Defesa-central

O matemático

Pode ser difícil para jogadores sul-americanos que não sejam do Brasil ou da Argentina garantir uma mudança para a Europa com grande pompa. «Quem diabo é Davinson Sánchez?», perguntou um adepto do Tottenham na internet quando o defesa assinou, vindo do Ajax, em 2017. Por essa altura, já tinha uma medalha de vencedor da Taça Libertadores pelo Atlético Nacional e uma excelente estreia na Eredivisie. Foi a contratação recorde dos Spurs por 42 milhões de libras, mas teve de convencer os céticos antes de se tornar peça-chave na equipa que chegou à final da Liga dos Campeões de 2019. E se não fosse futebolista? «Sou bom a matemática, por isso teria estudado algo relacionado com números. Não sei, algo como engenharia ou administração», disse à revista Bocas em 2018, ano em que se estreou em Mundiais. Atualmente é bicampeão turco pelo Galatasaray.

17. JOHAN MOJICA


Clube: Maiorca

Data de nascimento: 21 de agosto de 1992

Posição: Defesa

Joga na Europa há quase 12 anos e os seus atributos físicos permitiram-lhe brilhar em Espanha e Itália. Mas nem sempre teve este físico. O seu primeiro clube, o Academia Compensar, em Bogotá, duvidava que ele conseguisse singrar. «Quando o Johan chegou, estava abaixo do peso para a idade... não víamos como é que aquele rapaz ia melhorar», disse Jorge «Caracol» Serna ao portal Gol. «Mas a sua técnica e capacidade de ler o jogo eram tão boas que lhe demos tempo». Traçaram um plano a longo prazo para o ajudar a ganhar peso e davam-lhe um suplemento alimentar mensal. «A única coisa que cresceu foi o cabelo», brincou Serna. Agora com 33 anos, Mojica já representou vários clubes da La Liga, além da Atalanta na Serie A.

13. YERRY MINA


Clube: Cagliari

Data de nascimento: 23 de setembro de 1994

Posição: Defesa

Ameaça aérea

Apesar da sua fisionomia franzina quando era jovem, Mina não era muito bom no jogo de cabeça – algo que viria a compensar mais tarde. Fez testes no Deportivo Cali, mas não ficou. Também jogou no América de Cali, altura em que pedia boleia em camiões para poupar dinheiro nos autocarros. Acabou no Deportivo Pasto, onde dois colegas o incentivaram a tirar partido da sua elevada estatura. Quando assinou pelo Santa Fe já era uma força aérea dominante. Teve um papel fulcral na conquista da Taça Sul-Americana em 2015 e garantiu a mudança para o Palmeiras, antes do grande salto para o Barcelona. Foi o melhor marcador da Colômbia no Mundial 2018, com os seus três golos a surgirem de cabeça, incluindo o empate tardio contra a Inglaterra nos oitavos de final. Após cinco anos no Everton, o jogador de 31 anos tornou-se um favorito na Sardenha.

4. SANTIAGO ARIAS


Clube: Independiente (Arg)

Data de nascimento: 13 de janeiro de 1992

Posição: Defesa

O antigo lateral de PSV e Atlético Madrid quase escolheu uma modalidade diferente. «Na escola tínhamos de escolher uma atividade desportiva. Estava pronto para escolher taekwondo porque gostava muito dos filmes de karaté, mas acabei por escolher futebol», contou Arias à Bocas. Foi o seu pai, Raúl, quem o convenceu. «Era um grande adepto de futebol», disse Arias. «Apoiante do Atlético Nacional. Íamos ao estádio juntos. Tudo com ele era futebol, 24 horas por dia. É graças a ele que estou onde estou». Não foi no Nacional que começou a carreira, mas no La Equidad. Raúl nunca viu o filho jogar pela seleção – foi tragicamente morto a tiro em 2009, ao proteger crianças de assaltantes armados à porta de uma escola.

22. DEIVER MACHADO


Data de nascimento: 2 de setembro de 1993

Clube: Nantes

Posição: Lateral-esquerdo

Machado percorreu um longo caminho desde que deu os seus primeiros passos no futebol, num campo de 14 metros de comprimento construído pela comunidade local na pequena cidade de Tadó, no departamento de Chocó, na Colômbia. A sua família foi deslocada pela violência e passou a viver em Santa Cecilia, do outro lado da fronteira, no departamento de Risaralda, e foi aí que um Machado de nove anos fez testes no Deportivo Pereira. Teve de esperar para se estrear na equipa principal depois de o futuro do clube ter sido mergulhado na dúvida devido à descida de divisão. Um dos seus irmãos sugeriu que ele fosse para Medellín para fazer um teste no Atlético Nacional. O jogador de 32 anos encontrou uma casa em França, onde jogou pelo Toulouse, Lens e agora Nantes. No início de maio, disse que o seu «principal objetivo» era ir ao Campeonato do Mundo. No final do mês, estava no avião.

14. GUSTAVO PUERTA


Data de nascimento
: 23 de julho de 2003

Clube: Racing Santander

Posição: Médio

Existem cinco clubes de futebol profissional no departamento de Valle, onde Puerta nasceu, mas ele não conseguiu singrar em nenhum deles – apesar de impressionar nas escolas de futebol da região. Procurou a sua sorte na capital com o Bogotá FC, do segundo escalão, de onde deu o salto massivo para a Europa com o Bayer Leverkusen. Xabi Alonso estava lá à sua espera. «É um privilégio estar rodeado de pessoas desta craveira e deste nível de jogadores. Ele foi um dos melhores na sua posição. Ensinou-me muito – ajuda-nos a explorar o nosso potencial», disse Puerta. Após uma passagem pelo Championship com o Hull, encontrou uma casa no norte de Espanha com o Racing, ajudando-os esta época a alcançar a La Liga pela primeira vez em 14 anos. O antigo capitão dos sub-20 da Colômbia marcou na sua primeira internacionalização AA contra a Nova Zelândia, em novembro passado.

10. JAMES RODRÍGUEZ


Clube: Minnesota United

Data de nascimento: 12 de julho de 1991

Posição: Médio

O «playmaker»

Não é o primeiro membro da família a jogar um Mundial: o seu pai fez parte da seleção colombiana no Mundial Sub-20 em 1985. Após a separação de Wilson James e Pilar Rubio, foi o padrasto de Rodríguez, Juan Carlos Restrepo, quem o incentivou a seguir o sonho. Formou-se no Envigado, uma das melhores academias do país. «Juan Carlos é um obsessivo; encarregou-se de tornar James uma estrela. Merece muito crédito», disse Silvio Sandri, o seu primeiro empresário, em 2014, ano em que James conquistou a Bota de Ouro no Mundial do Brasil e selou a transferência milionária para o Real Madrid. O vencedor de duas Ligas dos Campeões joga agora na MLS aos 35 anos, após passagens por Merseyside, Qatar, Grécia, Brasil e México. Este será o seu terceiro Mundial.

11. JHON ARIAS


Clube: Palmeiras

Data de nascimento: 21 de setembro de 1997

Posição: Médio

Quibdó é, talvez, a capital mais pobre dos 33 departamentos da Colômbia e foi lá que a jornada de Arias começou. Não foi fácil – e teve de emigrar para ter uma oportunidade de brilhar. «Sou de um sítio lindo, onde não há muitas oportunidades; foi lá que nasceu este miúdo com sonhos», disse ao El Colombiano. «Todas as experiências e dificuldades que tive em criança deram-me a certeza de que todo o esforço valeu a pena». De Quibdó, Arias foi para Cali e depois para as camadas jovens no México. Após ser rejeitado pelo Tijuana, passou por quatro clubes na Colômbia antes das suas exibições pelo Santa Fe na Libertadores de 2021 lhe valerem a mudança para o Fluminense, onde conquistou o título continental em 2023. Após uma passagem pelo Wolverhampton, o jogador de 28 anos regressou ao Brasil para o Palmeiras.

16. JEFFERSON LERMA


Clube: Crystal Palace

Data de nascimento: 25 de outubro de 1994

Posição: Médio

Demorou muito tempo a conquistar a confiança dos treinadores na juventude. Após ser rejeitado por três clubes, acabou no Atlético Huila. Farto da falta de oportunidades, Lerma regressou à sua cidade natal, El Cerrito. Quando Álvaro de Jesús Gómez assumiu o comando do Huila, em 2013, perguntou quem dos Sub-20 poderia subir à equipa principal. Ao falarem-lhe de Lerma, foi à sua procura e disse-lhe para voltar, pagando-lhe as despesas de viagem. Pouco depois era titular; dois anos mais tarde estava na Europa e, em 2016, jogou os Jogos Olímpicos. A sua inclusão no Mundial 2018 foi polémica porque não participou na qualificação. Lerma quase abandonou a seleção face às críticas, mas foi convencido a ficar. Transferiu-se para o Bournemouth nesse verão e é agora peça integral da seleção. Venceu a Taça de Inglaterra com o Palace em 2024/25.

15. JUAN PORTILLA


Clube: Athletico Paranaense

Data de nascimento: 12 de setembro de 1998

Posição: Médio

Os primeiros passos de Portilla no futebol foram uma aventura. O seu pai, eletricista de profissão, inscreveu-o numa pequena escola em Cali, mas não tinha dinheiro para o manter lá. Pouco depois, um amigo do pai recomendou-o ao Boca Juniors de Cali. A estreia sénior aconteceu no Universitario de Popayán, mas Portilla queria expandir horizontes. Fez testes numa equipa da terceira divisão em Jacksonville (EUA) e depois no Melipilla, da segunda divisão chilena. O amor pela família trouxe-o de volta à Colômbia, onde finalmente explodiu no América, o rival local da equipa que apoiava em criança, o Deportivo Cali. Após uma passagem pelo Talleres na Argentina, mudou-se para o Brasil em janeiro passado.

6. RICHARD RÍOS


Clube: Benfica

Data de nascimento: 2 de junho de 2000

Posição: Médio

Prodígio do futsal

Peça-chave no meio-campo de Néstor Lorenzo, sonhou um dia ser estrela de futsal, mas o destino tinha outros planos. Começou a jogar nas ruas de Vegachí, na região de Antioquía. A zona é conhecida pelas minas de ouro, mas também pela cana-de-açúcar. «O futebol foi uma boa alternativa para não seguir o caminho errado», disse Ríos. Destacou-se pela Colômbia num Sul-Americano de futsal Sub-18 no Brasil e teve um teste no Flamengo. «Sair do país não é fácil para ninguém, mas isso motivou-me. Nós, de fora do Brasil, vemo-lo como o país do futebol.» Essa mistura de garra de Antioquía e magia brasileira ajudou-o a recuperar de uma grave lesão no joelho e a garantir a transferência para o Benfica, após impressionar no Mundial de Clubes no verão passado.

5. KEVIN CASTAÑO


Clube: River Plate

Data de nascimento: 29 de setembro de 2000

Posição: Médio

Os pais de Castaño separaram-se pouco depois do seu nascimento e a mãe deixou a cidade natal, Itagüí, para trabalhar. O pai, Richard, criou-o juntamente com a avó, María Noelia. Richard foi também o primeiro treinador de Kevin, tendo sido contratado pelas camadas jovens do Itagüí Ditaires (atual Águilas Doradas) em 2008. «O Kevin era louco por futebol», contou Richard ao El Tiempo. «Jogava torneios locais e chamava a atenção. Colocava-o na frente e ele marcava sempre golos. Tinha um bom remate e era um grande líder». Quando Kevin se estreou pela equipa principal, em 2020, o seu pai estava a ser operado após ser internado com Covid. Após a cirurgia, a primeira coisa que Richard pediu foi para ver o jogo. Castaño recebeu a primeira chamada para a seleção em 2023 e, após passagens curtas por México e Rússia, o jogador de 25 anos está agora no River Plate.

8. JORGE CARRASCAL


Clube: Flamengo

Data de nascimento: 25 de maio de 1998

Posição: Médio

O sobrevivente

Em apenas oito meses no Flamengo, Carrascal venceu a Libertadores, o Brasileirão e o Carioca. No entanto, a sua carreira quase acabou antes de começar. Aos 18 anos mudou-se para o Sevilha, que o contratou apesar de uma lesão grave no joelho. Foi operado, mas o joelho cedeu novamente. Durante o processo da segunda operação, contraiu uma infeção bacteriana e esteve em risco de lhe amputarem a perna. Felizmente, recuperou. Na Colômbia, o treinador Ricardo Lunari comparou-o a Riquelme; no River Plate chamaram-lhe o «novo Neymar». Carrascal nunca gostou das comparações: «Cada jogador tem a sua carreira. Espero que um dia um jogador seja apelidado de "Carrascal". Nunca se sabe!»

20. JUAN QUINTERO


Clube: River Plate

Data de nascimento: 18 de janeiro de 1993

Posição: Médio

Apenas dois jogadores marcaram golos pela Colômbia em mais do que um Mundial: um é Juan Cuadrado e o outro é «Juanfer», que marcou contra a Costa do Marfim em 2014 e de livre contra o Japão em 2018. Quintero é conhecido pelos momentos espetaculares – como o golo na final da Libertadores de 2018 contra o Boca Juniors. Mas fora do futebol, Quintero vive com uma tragédia pessoal. O seu pai desapareceu em 1993, quando ele tinha dois anos. «Tenho o direito de saber o que aconteceu ao meu pai. Sofri e vi a minha família sofrer», disse Quintero em 2020, quando Eduardo Zapateiro, investigado no caso do desaparecimento, foi nomeado comandante-geral do exército colombiano.

9. JHON CÓRDOBA


Clube: Krasnodar

Data de nascimento: 11 de maio de 1993

Posição: Avançado

Há algumas duplas de pai e filho que jogaram pela Colômbia – mas apenas uma em que ambos marcaram golo pela seleção. Córdoba herdou o faro pelo golo do pai, Manuel Acisclo, que marcou três vezes na década de 80. «El Triciclo», como era conhecido, foi mentor mas também crítico. «O Jhon é uma pessoa muito forte», disse Manuel. «Não gosto de falar com ele antes dos jogos. No dia seguinte, quando ele está calmo, falamos. Se cometeu um erro, eu digo: "Fizeste isto mal e é por isto"». Manuel é exigente: «Eu marquei 153 golos. Ele ainda tem um longo caminho». Após passagens por México, Espanha e Alemanha, Jhon, de 32 anos, já ultrapassou essa marca.

25. LUIS SUÁREZ


Clube: Sporting

Data de nascimento: 2 de dezembro de 1997

Posição: Avançado

A máquina de golos

Não é «aquele» Suárez, mas o antigo avançado do Granada teve uma primeira época fantástica em Portugal e está na mira de colossos europeus. Mas há um ano o cenário era diferente. Marcaria golos na segunda divisão espanhola pelo Almería, mas estava longe da seleção e sofria com problemas de saúde mental. «Passei por uma depressão, da qual estou a sair aos poucos com a ajuda de psicólogos. Bati no fundo», confessou à Marca. O apoio da companheira, Carolina, foi fundamental. Após marcar quase um golo por jogo na Liga Portugal nesta temporada, o jogador de 28 anos é agora presença fixa na Colômbia.

21. JAMINTON CAMPAZ


Clube: Rosario Central

Data de nascimento: 24 de maio de 2000

Posição: Avançado

Enganou a morte para ser jogador. Em criança, em Chontal, ganhava dinheiro na pesca e foi mordido por uma cobra. Um colega espremeu a ferida e evitou o pior. Campaz vem de uma família de futebolistas: a mãe era guarda-redes; o irmão Mike jogou pela Guiné Equatorial e o outro irmão, Carlos Darwin Quintero, foi internacional colombiano. Campaz lutou pela carreira, mas foi rejeitado no América de Cali e quase perdeu a oportunidade no Deportivo Pasto por falta de um documento assinado pela mãe. Foi Mike quem o levou para o Tolima, onde se profissionalizou.

19. JUAN «CHUCHO» HERNÁNDEZ


Clube: Real Betis

Data de nascimento: 20 de abril de 1999

Posição: Avançado

Ganhou a alcunha por acaso. Apareceu num jogo com a cabeça rapada e os amigos chamaram-lhe «Cuchu» devido a Esteban Cambiasso. O futebol está-lhe no sangue: os pais, Néstor e Yanet, conheceram-se a jogar um torneio. Desde cedo acompanhou os pais e começou a jogar, acabando por ser detetado por Hernán Lisi, treinador do Deportivo Pereira. «Quero aquele jogador!», gritou Lisi ao vê-lo. Após bisar na estreia pela Colômbia, o jogador de 26 anos tem lutado para se afirmar como titular indiscutível.

26. ANDRÉS GÓMEZ


Clube: Vasco da Gama

Data de nascimento: 12 de setembro de 2002

Posição: Extremo

O aficionado das motas

Acumulou alcunhas na curta carreira: «Diablito» pelo estilo travesso; «Yanfri» por causa de um miúdo viral na internet; mas não gosta de «Tinito» – a comparação com Tino Asprilla – porque Asprilla era do rival Atlético Nacional. Gómez teve uma infância dura: «Cresci a ver alguns amigos serem mortos e outros a seguirem o caminho errado», escreveu. Admitiu até que quase seguiu esse caminho ao tentar um assalto uma vez, mas foi apanhado. O jogador de 24 anos tem duas paixões: motas e dança. «Onde quer que vá, danço sempre a dança popular do meu bairro. É uma forma de expressar de onde venho.»

7. LUIS DÍAZ


Clube: Bayern Munique

Data de nascimento: 13 de janeiro de 1997

Posição: Extremo

Superestrela

Quem vê Díaz jogar pelo Bayern não diria que em tempos teve de seguir uma dieta especial para ganhar 10kg. Foi no Barranquilla FC, onde chegou recomendado pelo lendário Carlos Valderrama. «El Pibe» viu-o jogar num torneio para comunidades indígenas em 2015. «O Valderrama dizia: "Aquele miúdo magrinho vai jogar, vai ser profissional". E olha o que aconteceu». O pai de Díaz, Mane, foi outra figura central. O seu sequestro por guerrilheiros em 2023, e posterior libertação, foi notícia mundial quando Díaz brilhava no Liverpool, onde venceu a Premier League, uma Taça de Inglaterra e duas Taças da Liga.

Textos de José Orlando Ascencio, do El Tiempo. Estes textos foram escritos no âmbito da Guardian Experts' Network, a rede de troca de conteúdos para o Mundial 2026, liderada pelo jornal inglês The Guardian e que tem A BOLA como representante português, e foram traduzidos com recurso a Inteligência Artificial.

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