Yannick Semedo, à direita, com a camisola 16 de Cabo Verde - Foto: IMAGO

Mundial: médio revela «segredo» de Cabo Verde após brilharete frente ao Uruguai

Em declarações a A BOLA, Yannick Semedo refere que «as pessoas só vão ter noção real do que a equipa tem feito daqui a alguns anos»

Quando todos pensavam que a surpresa estava consumada, os Tubarões Azuis adicionaram mais um capítulo à mais bonita história do futebol cabo-verdiano. Depois do nulo frente à campeã europeia Espanha, na estreia em Mundiais, a seleção orientada por Bubista voltou a desfeitear um histórico do futebol — e antigo campeão do Mundo — ao empatar (2-2) com o Uruguai, em Miami, na noite de domingo.

Um feito que vem adensar o mérito do mérito de uma das equipas menos cotadas em prova e a deixa com aspirações legítimas de reservar um lugar na fase a eliminar. Seja como for, já foi feita história, mesmo que a ficha ainda não tenha caído totalmente. «Conseguimos bater-nos, novamente, contra uma das grandes seleções mundiais. Acho que as pessoas só vão ter noção real do que esta equipa tem feito daqui a alguns anos. Foi um grande resultado», afiançou, em declarações exclusivas a A BOLA, Yannick Semedo, médio de Cabo Verde que entrou ao minuto 80 no embate com os charrúas.

«A nível pessoal foi um momento único. Acho que ainda não me caiu a ficha. Tenho 30 anos, sinto que já vivi muito no futebol, mas nada se compara a isto. Sinto-me um menino, tanta é a felicidade que tenho», prosseguiu o jogador que, na última época, esteve ao serviço do Farense.

Mas qual a chave desta magia africana que os Tubarões vão libertando nas Américas? Semedo garante que é simples: «O segredo tem sido o facto de sermos uma família. Já estive em vários grupos ao longo da carreira, mas nenhum tão unido quanto este. Todos torcem uns pelos outros. Quando um marca, outros marcam. Quando um festeja, todos festejam. Quando um sofre, todos sofrem. Somos mesmo unidos e, mais do que a carreira de cada um, importa-nos defender o nosso país, o nosso povo.»

Com o sonho de chegar ao mata-mata na estreia em Mundiais, Cabo Verde olha para o embate decisivo com a Arábia Saudita como «uma final», mas livre de pressão. «Não temos pressão nenhuma. Jogamos todos os jogos olhos nos olhos, sem qualquer tipo de pressão. Estamos a desfrutar, a mostrar o nosso futebol e a representar o nosso país. Não demonstrámos qualquer tipo de pressão nos primeiros dois jogos e não é por nos podermos qualificar para a próxima fase que vamos passar a ser dominados pelo medo, pela pressão. Sem medos, sem pressão e olhos nos olhos. É assim que vamos encarar a final com a Arábia Saudita», frisa Yannick Semedo ao nosso jornal, horas depois de ter somado a 10.ª internacionalização A no maior palco possível.

Mas cautela nunca fez mal a ninguém e os cabo-verdianos acreditam que a campanha que têm vindo a protagonizar pode servir de motivação para os sauditas. «Vêm de uma derrota pesada contra Espanha [4-0], mas sabem que está tudo nas mãos deles para poderem chegar à próxima fase. Estão vivos. Vão querer deixar uma imagem melhor contra a nossa equipa e certamente que, agora, também haverá motivação por poderem ser os primeiros a derrubar-nos. O fundamental é sermos fiéis a nós mesmos e mantermos a humildade que nos tem caracterizado até aqui. Temos de jogar como fizemos nestes primeiros jogos. Respeito pelo adversário, mas muito respeito pela nossa identidade e história», acrescenta Yannick.

Fenómeno Vozinha «merece tudo o que está a viver»

Dentro da surpresa que tem sido Cabo Verde, há uma história que já conquistou os corações dos devotos do desporto rei. Aos milhões, literalmente. Após a grande exibição frente à Espanha, Vozinha, guarda-redes dos Tubarões Azuis, saltou para a ribalta e saltou de 46 mil seguidores no Instagram para o patamar dos 15 milhões (e promete não ficar por aqui...), num exemplo perfeito do poder do futebol à escala global.

Questionado sobre este fenómeno, Yannick Semedo não hesitou: o veterano guardião, de 40 anos, merece tudo o que está a viver. «É um grande guarda-redes e, acima de tudo, uma extraordinária pessoa. Só tenho coisas boas a dizer dele. Temos muita sorte em poder contar com ele. Sem dúvida alguma que merece tudo o que está a viver connosco. Vai continuar a ajudar-nos muito ao longo do Mundial», remata o médio.

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