Maxi Araújo e Telmo Arcanjo estiveram em destaque (IMAGO)
Maxi Araújo e Telmo Arcanjo estiveram em destaque (IMAGO)

Golos épicos para Cabo Verde noutra noite de gala de Maxi Araújo (crónica)

Uruguai e ‘tubarões azuis’ não saíram do empate num dos jogos mais emotivos do Mundial 2026. Fase a eliminar é uma hipótese real para os africanos

Raça sul-americano e garra crioula: os dois termos foram sinónimos desde o primeiro minuto. Se o Uruguai achava que podia intimidar Cabo Verde com agressividade, os africanos responderam na mesma moeda e não mudaram, mesmo quando Lopes Cabral viu o cartão amarelo logo aos 5’.

Aguentada essa entrada do adversário, Cabo Verde não demorou a sair da casca. Telmo Arcanjo, em dia do 25.º aniversário, ofereceu um livre direto a Kevin Pina e, assim, um lugar na história. Com um pontapé forte e que passou pelo meio da barreira, o médio protagonizou (21’) o lance que vai ficar emoldurado na memória coletiva de Cabo Verde – o primeiro golo do país num Mundial.

O homem do Vitória de Guimarães foi figura quase até ao intervalo. Minuto 33, Telmo está a desmarcar-se na área nas costas de Gilson Benchimol, só que o colega não vê o seu movimento e perde a bola; depois, cai no chão com queixas musculares por duas vezes. A bola não saiu, não saiu… e não saiu, até que Maxi Araújo, oportunista, encostou (44’) de cabeça para o golo do empate.

O jogador do Sporting estava só a abrir o livro e ainda antes do descanso respondeu (45+6’) a um cruzamento de Bentancur para assistir Canobbio para o golo da reviravolta. Em pouco tempo, Maxi fez o que quis dos tubarões azuis.

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Autênticos guerreiros

Cabo Verde podia partir com uma desvantagem anímica na 2.ª parte, mas esta seleção não liga a rótulos ou expectativas, e está habituada a fazer o inesperado. Além disso, a seleção do Uruguai, apesar da ideia de jogo pressionante e de velocidade de execução, foi muito errática, tendo talvez demasiado sangue na guelra, quando às vezes precisava de cabeça fria.

Assim, a turma de Bubista começou a crescer no encontro, Lopes Cabral ameaçou (52’) até que Mathías Olivera errou (61'): um mau atraso obrigava o quarentão Muslera a correr mais que o recém-entrado Hélio Varela. Hipótese inverosímil. O homem que despontou para o futebol no Vitória de Setúbal e passou por Amora, Sintrense e Portimonense chegou à bola e, sem a deixar cair, atirou para uma baliza deserta.

Maxi Araújo (sempre ele) ainda fez (69’) o 3-2 para o Uruguai, mas foi apanhado em fora de jogo. Estavam lançados uns minutos finais alucinantes, nos quais os jogadores fizeram das tripas coração, já que todos queriam ganhar. Para lá dos 90’, Darwin Núñez ultrapassou Pico Lopes (coisa rara) com muita classe e fez um cruzamento tenso, ao qual só ficou a faltar o desvio.

E quase no último lance do jogo, Nuno da Costa ia a pôr o pão na boca, só para Bentancur o tirar com um carrinho fenomenal. Apito final, Uruguai e Cabo Verde ficam com dois pontos, sendo que os tubarões azuis enfrentam a Arábia Saudita na última jornada, com uma oportunidade real de se apurarem para os 16 avos de final do Mundial! Já o Uruguai, que continua com dificuldades em controlar o jogo com bola, joga com a Espanha.

O melhor em campo: Maxi Araújo (7)

Claramente a maior figura do Uruguai neste Mundial, esteve em todos os golos marcados pela seleção até ao momento. Contra Cabo Verde, foi sagaz no movimento para cabecear sozinho na pequena área, e depois assistiu com muita qualidade Cannobio. Não fosse o fora de jogo teria marcado de novo. Acabou o encontro visivelmente desgastado.

A figura de Cabo Verde: Kevin Pina (7)

Só o golaço que marcou quase merecia esta distinção – não só por ser de livre direto, mas também pelo peso histórico que teve –, só que o antigo jogador do Chaves também comandou o meio-campo de Cabo Verde, tanto em fase defensiva como ofensiva. Importante na circulação de bola, cortou ataques adversários e foi sempre um farol para a equipa.

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