Adeptos do Boavista no Bessa
Adeptos do Boavista no Bessa

Movimento 'Salvar o Boavista' expectante pela decisão do tribunal

Onda de solidariedade permitiu angariar cerca de 80.000 euros nos últimos dias. Movimento retribui com uma camisola exclusiva da campanha para quem contribuir com, pelo menos, 50 euros, numa iniciativa em que já foram registados quase 1.500 pedidos. Objetivo será vender 3.000 peças

O movimento ‘Salvar o Boavista’ manifestou a sua ansiedade enquanto aguarda uma decisão judicial que poderá ditar o futuro do clube axadrezado, atualmente em risco de encerrar a atividade. A expectativa é elevada, especialmente após a mobilização de adeptos ter permitido angariar os fundos necessários para a reabertura.

«Vivemos dias de enorme ansiedade. Toda a família boavisteira aguarda uma decisão do tribunal que permita a reabertura do nosso clube», comunicou o movimento através das redes sociais, notando que a decisão, esperada ao longo da semana, ainda não foi proferida.

Há uma semana, a administradora de insolvência anunciou o encerramento da atividade do Boavista até ao final de julho. A medida, que afetaria cerca de 1.500 atletas de 31 modalidades, surgiu após o clube não ter conseguido depositar a verba necessária para cobrir as despesas correntes de junho. A entrega das chaves do Estádio do Bessa e de espaços adjacentes, livres de pessoas e bens, está prevista até 31 de julho.

Contudo, uma onda de solidariedade permitiu ao movimento ‘Salvar o Boavista’ angariar cerca de 80.000 euros nos últimos dias. «Quando muitos acreditavam que já nada podia ser feito, sócios, adeptos, antigos atletas, portuenses e boavisteiros espalhados por Portugal e pelo mundo uniram-se numa causa comum: salvar o Boavista», assegurou o grupo, confirmando que o valor angariado já foi depositado na conta da massa insolvente.

Na sequência desta mobilização, a direção do clube submeteu um requerimento ao tribunal para validar a reabertura das instalações, mas continua a aguardar uma resposta. O movimento expressa «alguma incompreensão» pela demora. «A rapidez com que foi determinado o encerramento do clube não está a ser acompanhada pela mesma celeridade na sua reabertura, apesar desta extraordinária demonstração de vida, força e capacidade de superação», lamentou.

O movimento, que se define como um grupo de voluntários sem ligação a «qualquer direção, candidatura ou interesse particular», nasceu «da dor, da preocupação e do amor incondicional de milhares de boavisteiros». O objetivo a longo prazo é ambicioso: «Queremos continuar a mobilizar a massa associativa, os adeptos, os antigos jogadores, os empresários, os portuenses e todos os que amam o Boavista para assegurar as despesas correntes do clube até ao final de 2026, permitindo que se possa reconstruir com estabilidade, dignidade e confiança.»

Para incentivar os donativos, quem contribuir com pelo menos 50 euros recebe uma camisola exclusiva da campanha. Já foram registados quase 1.500 pedidos, com a meta de vender 3.000 unidades. O movimento planeia ainda apresentar «uma proposta de um novo plano de quotização» à direção do clube.

O apoio institucional também se fez sentir. Na terça-feira, a Câmara Municipal do Porto aprovou por unanimidade uma moção conjunta em que reafirma o compromisso com a salvaguarda da relevância social do Boavista, tendo o executivo liderado por Pedro Duarte, da coligação PSD/CDS-PP/IL, mostrado disponibilidade para colaborar na procura de soluções.

Apesar da incerteza, a esperança mantém-se viva. «Acreditamos que o Boavista reabrirá portas até 31 de julho. Não faria sentido que assim não fosse, mas o nosso objetivo nunca foi apenas garantir a reabertura do clube. É ajudar a garantir a sua continuidade», concluiu o movimento.

O Boavista teve a sua liquidação aprovada em setembro de 2025, após acumular dívidas superiores a 150 milhões de euros, mas, três meses depois, chegou a acordo com os credores em tribunal para manter a atividade, comprometendo-se a cobrir o défice corrente da sua exploração. O clube detém 10% do capital social da Boavista SAD, que viu a respetiva liquidação ratificada em maio e também está a trabalhar num novo plano de recuperação, após ficar sem equipa profissional e ser relegada por via administrativa para os escalões distritais devido a problemas financeiros.

O Boavista clube inscreveu equipa principal de futebol masculino na quarta e última divisão distrital do Porto no verão de 2025, mas não disputou qualquer partida.

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