Insolvência do Boavista: administradora lamenta ausência de intervenção da CM Porto
Maria Clarisse Barros, administradora de insolvência do Boavista, lamenta a ausência de apoio da Câmara Municipal do Porto aos axadrezados, alertando que o clube pode fechar a atividade em breve devido a um défice mensal entre 50 mil e 55 mil euros.
Numa mensagem enviada à autarquia, a que a agência Lusa teve acesso, a responsável manifestou «profunda indignação, descontentamento e repúdio» após o executivo ter aprovado uma moção a acusá-la de estar «mais empenhada em conduzir ao encerramento» do que em encontrar soluções. A administradora vincou que não compete à Câmara emitir juízos públicos sem conhecimento integral do processo e criticou o facto de a autarquia só ter reagido publicamente perante a mobilização dos adeptos.
O encerramento da atividade e a entrega do Estádio do Bessa estão previstos até 31 de julho, uma decisão que afeta cerca de 1.500 atletas de 31 modalidades. Para evitar o fecho do clube — fundado em 1903 —, o movimento «Salvar o Boavista» angariou cerca de 50 mil euros em donativos, tendo a direção pedido autorização ao tribunal para reabrir as instalações.
Declarado insolvente em setembro de 2025 com dívidas superiores a 150 milhões de euros, o Boavista submeteu um plano de recuperação e inscreveu-se na Associação de Futebol do Porto para a época 2026/27. Em paralelo, a Boavista SAD, que acabou despromovida aos escalões distritais devido a graves problemas financeiros, também tenta viabilizar um novo plano de recuperação.