«Comandante» Froholdt festeja o 2-1 no Dragão. Foto Rogério Ferreira/KAPTA+
«Comandante» Froholdt festeja o 2-1 no Dragão. Foto Rogério Ferreira/KAPTA+
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Dragão teve as respostas certas para cada momento do jogo (crónica)

O pragmatismo do campeão nacional voltou a valer três pontos, o que aliás sucede desde a primeira jornada. Expulsão de Lenglet e 1-1 que durou apenas dois minutos foram momentos decisivos num clássico intenso

O FC Porto segue confortável na liderança do campeonato antes da primeira paragem, mercê de uma vitória clara sobre o principal perseguidor até ao momento, o Benfica. Na base do triunfo no primeiro clássico da época esteve, uma vez mais, um pragmatismo que parece à prova de bala. O campeão nacional soube resistir a um Benfica melhor no início e responder, depois, a cada desafio que o jogo foi apresentando.

O Benfica entrou personalizado no Dragão. Notava-se um digno e salutar respeito de parte a parte entre as duas equipas, mas talvez o FC Porto esperasse que a pressão alta adotada desde início impusesse um recuo do adversário que não chegou a verificar-se nos primeiros 20/25 minutos. Sendo que num jogo muito mexido e intenso sobravam as intenções e faltavam as oportunidades de golo, mas a primeira, séria, foi mesmo dos encarnados, aos 18 minutos. Houve negligência na defensiva azul e branca, Sudakov descobriu Bah à entrada da área e o dinamarquês atirou com selo de golo, valendo aos donos da casa o corte de cabeça de Pablo Rosario.

As duas equipas andavam encaixadíssimas em campo, sobretudo no meio, com triângulos invertidos que colocavam frente a frente, quase invariavalmente, as duplas opostas Froholdt-Palhinha, Rosario-Sudakov e Gabri Veiga-Aursnes.

Aquele lance em que Rosario brilhou quase como guarda-redes originou um clique no FC Porto. A intensidade subiu ainda mais e começou a ver-se, então, ligeiro ascendente dos visitados, embora sempre com a sensação de que a pressão demasiado alta poderia ter custos caso o Benfica conseguisse saltar linhas em contra-ataque. O primeiro remate só surgiu aos 22 minutos, fraco e por cima (Martim). Mas depois veio um livre perigoso, com amarelo para Lenglet e Veiga a atirar por cima. E pouco depois, aos 31 minutos, uma jogada em que o talento falou mais alto: primeiro o de Pepê e desmarcar Gabri Veiga nas barbas de Samuel Soares, depois o do espanhol a tocar, subtil, para desviar do guarda-redes do Benfica, que pagou cara uma hesitação de meio segundo entre sair à bola e guardar os postes. Era justa a vantagem? Em tese talvez não, mas lá está: classe e aproveitamento de oportunidades premeiam os audazes.

As coisas pioraram, e muito, para o Benfica com o segundo cartão amarelo mostrado a Lenglet quando a equipa de Marco Silva ainda tentava esboçar reação à desvantagem. Estar a perder no Dragão e a jogar dez para onze configura uma espécie de pesadelo. Entrou Circati e saiu Sudakov, o Benfica passou a jogar sem grande transposição no meio-campo e entretanto Gabri Veiga também teve de sair.

Como iriam os dois treinadores jogar os dados para a segunda parte era a grande incógnita ao intervalo, sabendo-se que o FC Porto sabe defender vantagens (ao contrário de outros adversários diretos fá-lo normalmente muito bem) e o Benfica não parece equipa de ficar-se em lamúrias, mesmo com menos um jogador em campo.

O Porto entrou dono e senhor do segundo tempo, mas lá está: na equipa da Luz também há muito talento e Prestianni abriu o livro, proporcionando a Bah cabecear para o empate.

Era o tempo do tudo ou nada para os encarnados. Conseguiriam agarrar-se, pelo menos, ao ponto? Dois minutos depois ficou claro que não. André Silva e Froholdt puseram tudo como estava e seis minutos mais tarde o ponta de lança português (de novo em jogada com participação do médio dinamarquês) serviu Inbeom para o 3-1 final.

A partir daí foi apenas uma questão de o campeão nacional gerir como sabe as vantagens. O Benfica tentou, mas jogar com menos um no Dragão, de facto, pode fazer a diferença. Faltando muito campeonato, o certo é que o FC Porto leva cinco e seis pontos de vantagem sobre os grandes rivais... ao fim de sete jornadas.

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