Sandro Mazzola, figura lendária do Inter e do futebol italiano - Foto: IMAGO
Sandro Mazzola, figura lendária do Inter e do futebol italiano - Foto: IMAGO
Adicione A BOLA às suas preferências do Google

Morreu Sandro Mazzola, lenda do Inter e do futebol italiano

Venceu duas Taças dos Campeões Europeus, uma delas frente ao Benfica. Era filho de Valentino, uma das vítimas da tragédia de Superga

O futebol italiano está de luto pela morte de Sandro Mazzola, uma das suas maiores figuras, que faleceu aos 83 anos. O anúncio foi feito pelo Inter, clube que representou durante toda a sua carreira e ao qual ajudou a dar a alcunha de Grande. «Adeus Sandro, bandeira eterna», pode ler-se na nota do clube.

Mazzola foi um dos mais brilhantes intérpretes do futebol mundial, deixando um legado indelével no Inter, onde jogou durante 17 anos e foi dirigente por outros 11. Ao serviço da seleção italiana, somou 70 internacionalizações e marcou 22 golos.

O legado do pai e a ascensão no Inter

Filho de Valentino Mazzola, lenda do Grande Torino que morreu na tragédia de Superga, após o regresso de um jogo realizado no Estádio da Luz, Sandro tinha apenas seis anos quando perdeu o pai. Juntamente com o seu irmão Ferruccio, tornou-se uma espécie de mascote do Inter, entrando em campo com o equipamento antes dos jogos em San Siro. Aos 15 anos, ingressou nas camadas jovens do clube, onde foi treinado por outra lenda, Peppino Meazza.

A sua estreia na Serie A, aos 18 anos, ocorreu num polémico Juventus-Inter a 10 de junho de 1961. Devido a um protesto do presidente Angelo Moratti, o Inter apresentou a equipa de juniores. Apesar da pesada derrota por 1-9, Mazzola marcou o único golo da sua equipa, de penálti, e impressionou. No final do jogo, Giampiero Boniperti, que jogara com o seu pai, disse-lhe: «És digno do teu pai». A partir da época 1962/63, o treinador Helenio Herrera integrou-o definitivamente na equipa principal, dando início à era do Grande Inter.

Mazzola tornou-se a peça fundamental no sistema de contra-ataque de Herrera. Rápido, tecnicamente dotado e com faro de golo, foi o herói da primeira grande conquista europeia do clube, a Taça dos Campeões Europeus de 1964, frente ao Real Madrid.

Com Gianni Rivera, grande rival no Milan

Na final disputada em Viena, a 27 de maio de 1964, marcou dois dos golos na vitória por 3-1 sobre a equipa de Puskás, Di Stefano e Gento. No final, o lendário jogador húngaro ofereceu-lhe a sua camisola número 10 e repetiu as palavras que Boniperti lhe dissera anos antes: «És digno do teu pai. Joguei contra ele. Era fortíssimo.»

O avançado italiano foi igualmente decisivo na conquista da primeira Taça Intercontinental do Inter, frente aos argentinos do Independiente, e continuou a ser uma figura central nos sucessos que se seguiram, incluindo a caminhada até à final da Taça dos Campeões Europeus do ano seguinte, onde marcou um golo crucial nas meias-finais contra o Liverpool e derrotando o Benfica na final, disputada no Giuseppe Meazza, com golo de Jair da Costa.

Sandro Mazzola, figura incontornável da história do Inter, foi protagonista em todos os grandes triunfos internacionais do Grande Inter, incluindo o golo decisivo contra o Independiente que valeu a segunda Taça Intercontinental. No entanto, o seu golo mais memorável foi marcado já no ocaso dessa equipa lendária, na época de 1966/67, contra o Vasas de Budapeste, quando driblou cinco adversários e o guarda-redes numa jogada estonteante.

A equipa do Inter que derrotou o Benfica na final da Taça dos Campeões em 1965, no Giuseppe Meazza

Conhecido como Il Baffo, Mazzola é o único italiano a ter sido o melhor marcador de uma edição da Taça dos Campeões Europeus (1963/64) e a marcar em duas finais da competição (1964 e 1967). A sua qualidade técnica e velocidade eram de tal ordem que, em 1971, ficou em segundo lugar na votação da Bola de Ouro, apenas atrás de Johan Cruyff. A sua modernidade em campo seria hoje cobiçada pelos maiores clubes do mundo.

A rivalidade com Rivera e a carreira na seleção

A carreira de Mazzola na seleção italiana, que durou 70 internacionalizações, ficou marcada pela famosa staffetta (estafeta) com Gianni Rivera no Mundial do México. Esta tática limitou a sua participação a apenas seis minutos na final perdida contra o Brasil. A rivalidade entre Mazzola e Rivera, os dois ícones de Milão, definiu uma geração do futebol italiano. Campeão da Europa em 1968, Mazzola estreou-se pela squadra azzurra aos 20 anos, num particular contra o Brasil de Pelé em San Siro, onde marcou de penálti na vitória por 3-0.

Fora dos relvados, os dois eram mundos opostos. Enquanto Rivera era conhecido pelo seu estilo de vida glamoroso, Mazzola casou-se aos 21 anos com Graziella, com quem teve três filhos. Com o avançar da idade, Mazzola adaptou o seu jogo, recuando para a posição de número 10, o que o aproximou taticamente do seu rival.

Com José Mourinho, em 2010, quando o português treinava o Inter

Curiosamente, o último jogo da sua carreira foi precisamente contra o Milan de Rivera, na final da Taça de Itália de 1977, que o Inter perdeu por 2-0. Mazzola despediu-se dos relvados de forma polémica, citando Dante — «Vuolsi così colà dove si puote ciò che si vuole…» — em protesto contra uma arbitragem que considerou tendenciosa.

A vida após o futebol

Após pendurar as botas, Sandro Mazzola teve duas passagens como dirigente do Inter, onde desempenhou um papel fundamental na contratação de Ronaldo Fenómeno e Álvaro Recoba. No entanto, viu goradas as tentativas de contratar Michel Platini, por decisão do presidente Fraizzoli, e Falcão, que acabou por rumar à Roma. Trabalhou ainda para o Génova e o Torino e foi comentador televisivo durante vários anos.

Na apresentação de Ronaldo 'Fenómeno' no Inter,com o diretor desportivo Luis Suárez

Sandro Mazzola faleceu no dia em que o estádio Giuseppe Meazza celebrava o seu centésimo aniversário, um final poético para uma das suas maiores lendas.

A iniciar sessão com Google...