Morreu o ginasta francês Gaël Da Silva
O mundo da ginástica está de luto pela morte do francês Gaël Da Silva, de 41 anos. O antigo ginasta morreu na sequência de um acidente de viação. Conhecido pela alcunha de Gaou, o atleta tinha sido visto há apenas 10 dias nos Campeonatos de França por equipas, em Amiens.
A carreira de Da Silva, marcada por uma enorme resiliência, teve o seu ponto alto em 2012, quando conquistou a medalha de bronze no exercício de solo nos Campeonatos da Europa, em Montpellier. Este feito, que o tornou no único ginasta francês medalhado nessa competição, garantiu-lhe a qualificação para os Jogos Olímpicos de Londres2012, onde ajudou a equipa francesa a alcançar o oitavo lugar. Individualmente, ficou em décimo lugar na qualificação de solo, muito perto da final. Retirou-se da competição em 2013.
🇫🇷 Médaillé européen en gymnastique, Gaël Da Silva nous a quittés à l'âge de 41 ans 🕊️
— SPORTRICOLORE (@sportricolore) May 27, 2026
Triste nouvelle survenue suite à un terrible accident de voiture.
Pensées pour la famille et les proches. pic.twitter.com/PQab4AEA5c
Nascido em Vaulx-en-Velin em dezembro de 1984, o percurso do ginasta foi pautado por graves lesões e infortúnios. Em 2004, uma lesão grave no joelho impediu-o de participar nos Jogos Olímpicos de Atenas. Poucas semanas depois, sofreu um grave acidente de mota ao ser abalroado por um carro. «A minha primeira sorte foi ter sido atropelado por um bombeiro que evitou que eu perdesse todo o meu sangue», recordou na altura, acrescentando que a sua mãe convenceu o cirurgião a optar por uma haste no fémur em vez de uma prótese.
Apesar das múltiplas cirurgias, a sua determinação nunca vacilou. «Na minha cama de hospital, via a ginástica a afastar-se, mas não queria parar ali», afirmou. Em apenas quatro meses, passou da cadeira de rodas para as muletas, regressando rapidamente aos treinos. «Sou um pouco louco», admitia com um sorriso.
O azar voltou a bater-lhe à porta em 2008, quando, a três dias de partir para os Jogos de Pequim, sofreu uma rotura dos ligamentos cruzados do joelho direito durante um treino. A medalha de bronze europeia, quatro anos mais tarde, foi vista por ele como «uma bela recompensa e um sinal de esperança» após tantos obstáculos.
Atualmente, Gaël Da Silva estava em processo de reconversão profissional, trabalhando como representante técnico-comercial na empresa Gymnova. O antigo atleta deixa mulher, Camille, também ela uma ginasta que competiu nos Jogos de Atenas em 2004, e três filhos: Hugo, de 12 anos, Jules, de 9, e Lou, de 6.