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Modric antevê Portugal: «Não temos de ter medo»
Aos 40 anos, Luka Modric continua a ser decisivo. Voltou a sê-lo contra o Gana, de Carlos Queiroz, ao aparecer no momento em que a Croácia mais precisava para fazer a assistência que selou a passagem aos 16 avos de final do Mundial 2026. Um pormenor de classe que mantém viva uma seleção habituada a competir no limite e que, de quebra, lhe permitiu escrever mais uma página na história da competição.
O próximo desafio já tem nome: Portugal. O destino quis cruzar Modric com Cristiano Ronaldo num jogo que poderá ter um significado especial, já que um dos dois continuará a sonhar com o título, enquanto o outro, muito provavelmente, encerrará a sua última participação em Mundiais. Após o jogo, Modric refletiu sobre o atual momento da sua carreira numa entrevista a Alberto Pereiro, da Onda Cero.
«O fim está cada vez mais próximo e tentas desfrutar, embora não seja fácil, sobretudo na seleção, onde há uma pressão enorme. Depois de dois Mundiais em que conseguimos dois grandes resultados, há muita pressão e as pessoas esperam de nós coisas que talvez não sejam realistas. Mas, como habituámos as pessoas e a nós mesmos a que podemos competir contra todos, também colocamos uma pressão adicional sobre nós, e por vezes isso influencia o nosso jogo», começou por dizer.
A Croácia continua a encontrar no seu capitão muito mais do que um nome. Já não precisa de intervir em todas as jogadas para mudar um jogo, bastando-lhe aparecer nos momentos cruciais. «Estamos habituados a lutar, a dar tudo até ao fim. No final, se fizermos tudo isso com a qualidade que temos, que acredito ser bastante, a recompensa acaba sempre por chegar. Hoje chegou e estamos muito contentes», explicou.
Elogios a Portugal
«Os jogadores de Portugal são fenomenais, são uma grande equipa. Vamos lutar e dar o nosso melhor. Não tinha qualquer preferência quanto ao nosso adversário [Portugal, RD Congo ou Colômbia]. Tenho a certeza de que eles também não se vão sentir à vontade ao ver-nos do outro lado. Não temos de ter medo de nada, só temos de dar o nosso melhor e ver o que acontece. Temos de descansar bem, preparar-nos para enfrentá-los e fazer um grande jogo», disse ainda na zona mista.
«Estamos satisfeitos com o primeiro objetivo, que era o mínimo: passar da fase de grupos. Qualquer outra coisa teria sido uma desilusão. Começa um novo torneio, o que é bom e o que todos adoramos, e estaremos prontos. Só precisamos de dar o nosso melhor, desfrutar e ver o que acontece. Não podemos colocar pressão extra sobre nós próprios com expectativas elevadas. Acreditamos em nós próprios, sabemos do que somos capazes, só temos de continuar a demonstrá-lo. Acredito que estas duas vitórias nos vão ajudar muito», apontou o médio.
Chamada de Mourinho?
A sua forma de liderar pelo exemplo, mantendo um nível que poucos alcançam aos 40 anos, não mudou. Por isso, continua a ser uma referência, embora desta vez não espere uma chamada de Mourinho, como a que lhe mudou a vida há mais de uma década. «Mourinho? Ele não me ligou, não. Desejo-lhe sorte, como sempre. É um grande, um dos melhores, e tenho um carinho especial por ele», admitiu.
Com 40 anos e 292 dias, o médio croata tornou-se no jogador mais velho de sempre a fazer uma assistência num Campeonato do Mundo, superando um recorde que Edin Dzeko tinha estabelecido poucos dias antes neste mesmo torneio. Para trás ficam nomes como Thiago Silva, Roger Milla ou Fritz Walter.