McLaren explica aposta errada nos pneus intermédios no Canadá
A escolha de iniciar o Grande Prémio do Canadá com pneus intermédios para Lando Norris e Oscar Piastri revelou-se uma aposta estratégica comprometedora para a corrida da McLaren. A decisão, tomada em condições de pista húmida e desafiadoras em Montreal, levou a paragens precoces nas boxes para montar pneus slicks, fazendo desmoronando a partir daí as expetativas da equipa.
Embora a McLaren não tenha sido a única equipa a optar pelos intermédios — a Audi, a Cadillac (com ambos os carros) e a Williams (com um) fizeram o mesmo —, os seus pilotos partiam do top 10, tendo, por isso, muito mais a perder em comparação com os outros.
Apesar do revés, a escolha permitiu a Lando Norris assumir a liderança da corrida no arranque, superando os dois Mercedes. «Tive muito mais aderência, é tão simples quanto isso», explicou Norris. «Honestamente, mostra o quão escorregadia a pista estava para eles no início, e eu tinha uma vantagem de dois segundos após uma volta. Portanto, não foi estúpido estar com aquele pneu.»
No entanto, o piloto britânico reconheceu que a estratégia não funcionou a longo prazo. «Foi a decisão errada em retrospectiva. Obviamente, foi boa por uma volta e manteve-me longe de problemas. [...] Mas foi uma decisão errada no final. Não creio que por má tomada de decisão. Penso que havia razões válidas para o que fizemos. Estou contente por termos arriscado e mantido a nossa posição. Às vezes não resulta, é assim que é. Aceitamos e aprendemos com isso», concluiu.
Oscar Piastri corroborou que a decisão foi tomada em conjunto. «Foi uma decisão de grupo», afirmou. «Eu fui uma das pessoas que disse sim aos intermédios. Entre o hino e a entrada no carro, a pista ficou significativamente mais molhada e, dada a dificuldade em chegar à grelha, pensei que os intermédios, se conseguíssemos aquecê-los, seriam mais rápidos.»
O piloto australiano acrescentou: «Esse era todo o nosso raciocínio e depois a chuva parou. Portanto, sim, foi uma pena. Pensámos que estávamos a tomar a decisão mais segura e correta, e não foi o caso.»
Andrea Stella, chefe de equipa da McLaren, também participou na decisão e detalhou o processo. «Em termos de tomada de decisão, na verdade, foi relativamente partilhada pelas pessoas e pelos pilotos», disse o italiano. «Até eu dei a minha opinião, porque quando era preciso tomar uma decisão, queria apenas garantir que estávamos com pneus que pudessem aguentar a primeira volta.»
O momento da escolha foi crucial, como explicou Stella, devido aos regulamentos da FIA. «Temos de considerar que os pneus são montados cinco minutos antes do arranque. E isso significa que tivemos de tomar uma decisão operacional cerca de sete minutos antes. Na nossa opinião, a pista estava escorregadia. [...] Naquele momento, o pneu certo era o intermédio. Depois disso, a chuva parou muito rapidamente.»
Um fator que complicou a situação foi o arranque abortado, causado por um problema de embraiagem no Racing Bulls de Arvid Lindblad, que levou a duas voltas de formação extra. Durante esse tempo, a pista começou a secar, tornando os intermédios uma escolha visivelmente errada, ao ponto de Piastri já pedir para trocar para slicks.
Stella defendeu, no entanto, a lógica por detrás da escolha inicial. «No momento em que se tem de decidir o que montar, e sem uma ideia clara de quando a chuva pararia, a pista estava escorregadia. O pneu certo naquele momento era o intermédio», reiterou. «Penso que temos de ter sempre algum cuidado ao julgar as decisões apenas pelo resultado. É preciso julgar a decisão no momento em que ela teve de ser tomada.»
«Como digo, o facto de a chuva ter parado praticamente após o sinal de cinco minutos, e depois a dupla volta de formação extra, acrescentou uma clara penalização para quem arrancou com pneus intermédios. Mas se a chuva tivesse durado mais alguns minutos, e a corrida começado na hora certa, penso que poderíamos ter visto os carros a debaterem-se com os pneus de seco.»