Ayrton Senna (2.º), Alain Prost (1.º) e Mark Blundell (3.º) no pódio do último Grande Prémio de F1 disputado em África - na África do Sul, 1993 (foto: IMAGO)
Ayrton Senna (2.º), Alain Prost (1.º) e Mark Blundell (3.º) no pódio do último Grande Prémio de F1 disputado em África - na África do Sul, 1993 (foto: IMAGO)

A Fórmula 1 oficializou um acordo histórico que marcará o regresso da categoria rainha do automobilismo ao continente africano. A estreia do Grande Prémio de África, sediado no Ruanda, está prevista para o início da próxima década, apontando-se para 2030 ou 2031, altura em que o campeonato passará a disputar-se então nos cinco continentes.

Recorde-se que a F1 não realiza qualquer corrida em solo africano desde 1993, ano em que a África do Sul acolheu a prova em Kyalami.

O palco do evento será um traçado inteiramente novo, construído em Bugesera, situado a cerca de 40 quilómetros a sul de Kigali e nas imediações do novo Aeroporto Internacional da capital. O projeto, concebido de acordo com os padrões de Grau 1 da FIA, é liderado pelo Rwanda Development Board e integra um plano alargado de desenvolvimento desportivo, turístico, infraestrutural e comercial no país que regista o maior crescimento económico de África.

De acordo com o comunicado da F1, a infraestrutura irá tirar partido das elevações naturais do terreno para proporcionar um traçado desafiante e boas condições de visibilidade para os espetadores, funcionando ao longo de todo o ano para competições internacionais, eventos corporativos e conferências.

Paul Kagame, Presidente da República do Ruanda, sublinhou a relevância da iniciativa para toda a região:

«Hoje é um dia para África. Durante mais de três décadas, o principal campeonato de automobilismo do mundo competiu sem a presença deste continente, e isso muda com este acordo. O Ruanda orgulha-se de acolher o Grande Prémio de África de Fórmula 1 e de partilhar este momento com mais de 100 milhões de adeptos em todo o continente; muitos deles são jovens que merecem ver este desporto em casa e ver-se refletidos nele: como engenheiros, técnicos, empreendedores e, um dia, como pilotos. Esta parceria de dez anos representa também um investimento no futuro do Ruanda. O circuito de Bugesera, situado junto ao novo aeroporto internacional, gerará emprego, capacitação, turismo e novas oportunidades de negócio para o nosso país e para a nossa região durante as próximas décadas, já que o nosso objetivo nunca foi organizar um único fim de semana de corridas, mas sim alcançar um benefício duradouro para a nossa população. Agradeço a Stefano Domenicali, à Fórmula 1 e a Mohammed Ben Sulayem o trabalho realizado para chegar a este dia. Esperamos dar as boas-vindas ao mundo no Ruanda por ocasião do Grande Prémio de África.»

Por sua vez, Mohammed Ben Sulayem, presidente da FIA, destacou o impacto do anúncio para a modalidade:

«O regresso do Campeonato do Mundo de Fórmula 1 da FIA a África é um momento histórico para o nosso desporto e um passo importante no contínuo crescimento global do automobilismo. O Ruanda demonstrou um forte compromisso em organizar um evento de categoria mundial, e a FIA trabalhará em estreita colaboração com a FOM e os nossos parceiros para desenvolver este novo circuito em conformidade com os mais elevados padrões internacionais. Este acordo visa igualmente criar um legado duradouro, inspirar novas gerações, desenvolver talento e abrir novas oportunidades para o automobilismo em África e mais além. Fomentar a acessibilidade é um pilar fundamental da missão da FIA, e temos a responsabilidade de garantir que o nosso desporto continua a crescer a todos os níveis, chegando a novas comunidades e criando oportunidades para pessoas em todos os cantos do mundo.»

Os pormenores relativos à data definitiva da corrida inaugural, aos avanços na edificação do circuito e ao programa da competição serão divulgados mais adiante.

Stefano Domenicali, presidente e CEO da Fórmula 1, sublinhou a importância deste passo para a modalidade:

«Hoje é um momento histórico para a Fórmula 1. Com a incorporação do Ruanda no calendário a partir da próxima década, o nosso desporto competirá em todos os continentes habitados, aproximando o Campeonato Mundial mais do que nunca dos adeptos de todo o planeta. África sempre fez parte do futuro da Fórmula 1 e, desde o início, tivemos a firme determinação de regressar da maneira adequada: com o parceiro idóneo, um compromisso a longo prazo e uma visão clara para gerar um impacto significativo. Quero expressar o meu agradecimento a Sua Excelência Paul Kagame, presidente da República do Ruanda; ao Governo do Ruanda; à Junta de Desenvolvimento do Ruanda (Rwanda Development Board); ao presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem; e a todas as pessoas cuja dedicação e colaboração tornaram isto possível.»

O dirigente máximo da F1 vincou ainda o alcance do projeto além das pistas, apontando ao crescimento da base de adeptos no continente africano:

«Trata-se de muito mais do que organizar um Grande Prémio. Juntos, podemos gerar benefícios económicos e sociais duradouros através do turismo, do investimento, do desenvolvimento de competências e do crescimento das empresas locais, garantindo assim que o impacto positivo deste evento perdure durante gerações. Para os nossos adeptos, este é um momento especialmente emocionante. África alberga mais de 100 milhões de seguidores da Fórmula 1, e esse número continua a crescer rapidamente. Estamos a aproximar a emoção, a energia e o drama da Fórmula 1 de milhões de pessoas que esperaram muito tempo para ver o regresso do nosso desporto ao continente, e esperamos escrever juntos um novo e apaixonante capítulo.»

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