Matheus Cunha resgatou o 'Fergie Time' e a crise do United pode esperar
Tudo fazia crer que o pesadelo ia continuar. Com apenas uma vitória nos últimos 11 jogos em todas as competições e sofrendo dois golos nos primeiros 18 minutos (nunca acontecera em Old Trafford para jogos de grandes competições europeias), o Manchester United tinha tudo para se afundar ainda mais na crise de identidade que assola o clube. A Roma aproveitava as debilidades defensivas da formação dirigida por Michael Carrick e mostrava o porquê de estar em terceiro lugar na Serie A.
Rodrigo Mora foi novamente titular, no lado esquerdo de um tridente ofensivo ainda composto por Malen ao centro e Matías Sulé à direita, e esteve em evidência na assistência para o esquerdino inaugurar o marcador, surgindo nas costas de Diogo Dalot, lateral-esquerdo adaptado - Yoro, central de raiz, foi também adaptado à direita.
Sempre com mais bola, os romanos mandavam e não permitiam aos ingleses qualquer aproximação à baliza de Vásquez e o segundo golo chegou de penálti, após Heaven (muito desastrado, o jovem central) ter colocado mão na bola a remate de Soulé. Malen enganou Lammens nos onze metros e Old Trafford ficava ainda mais gelado.
Ao intervalo, o treinador da Roma quis gerir. Tirou Rodrigo Mora e as transições rápidas da primeira parte perderam perigo. E nem mesmo a lesão de Baleba (entrou Tielemans) tirou o ímpeto à equipa da casa, que apareceu após o intervalo determinada a lutar pela honra.
Após algumas aproximações perigosas, Matheus Cunha conquistou um penálti que foi convertido por Bruno Fernandes, permitindo a defesa de Vásquez, mas com direito a segunda oportunidade após invasão na área de jogadores da Roma que impediram a recarga do português. Aí, o capitão não falhou e o jogo entrou num registo que lembrou o passado que faz deste estádio um dos mais emblemáticos do futebol mundial.
Mbeumo ainda deixou os adeptos de cabelos em pé com um remate aos dois postes, mas a Roma cedia tanto que acabou por cometer um erro capital, através do seu central Balerdi, incapaz de cortar uma bola fácil no coração da área. Atrás do argentino estava Matheus Cunha, felino, a receber, rodar e rematar para o 2-2.
Alex Ferguson estava na bancada e aos adeptos vinha a memória do Fergie Time, lembrando aquele último fôlego da suas equipas quando os jogos já caminhavam para o fim e golos milagrosos que pareciam surgir com a energia das bancadas. Esse fenómeno parece ter estado presente no momento do êxtase, quando aos 86', recebendo a bola do menino Shea Lacey, Matheus Cunha desferiu um tiro que surpreendeu Vásquez.
Na celebração, o brasileiro viu o amarelo. E no entusiasmo a tentar o corte a Balerdi, o avançado viu o segundo (90+1'). Falha a deslocação a Alvalade, mas ganhou o direito a cantarem o nome dele. A crise entrou em modo de pausa em Manchester.