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Marco Silva como Jesus na diferença que marca a identidade deste Benfica

Comparação com a época transata denota enorme salto na produção ofensiva e remete para... 2009/10; novas dinâmicas colocaram trio (que já morava na Luz) em evidência; índices defensivos é que (ainda) deixam a desejar

Há já uma certeza na versão 1.0 do Benfica de Marco Silva: o sucessor de José Mourinho conseguiu devolver os encarnados a desempenhos ofensivos que andavam arredados da Luz há algumas épocas. E é já seguro dizer que a águia 2026/27 não só joga mais e melhor — se bem que a fasquia do ponto de partida, na realidade, era baixa… —, como também marca mais. Muito mais. Essa é, aliás, a principal diferença em relação à temporada transata: a produção ofensiva.

Os números, neste caso, são como o algodão e... não enganam. Com a primeira paragem competitiva doméstica em curso, o Benfica já riscou do calendário desta temporada 14 jogos: sete na Liga e sete na UEFA Europa League, entre qualificação e fase de liga.

Marco Silva venceu 10 jogos, empatou dois e perdeu outros tantos (St. Gallen e FC Porto), e viu a equipa marcar total de 43 golos, sofrendo 13. Só no que concerne à Liga, o pecúlio de golos marcados/sofridos cifra-se nos 22-7. Comparando com igual período da época transata (que começou com a Supertaça e redundou no apuramento para a fase de liga da Champions), o Benfica de Bruno Lage nos primeiros 10 jogos (não sofreu golos nos primeiros sete...) e o de José Mourinho nos primeiros quatro marcou total de apenas 21 golos e só sofreu oito — registou mais um empate e menos uma vitória em relação a 2026/27. Desses, 13 foram apontados na Liga, sendo que as águias só sofreram quatro.

Ou seja, o Benfica atual marca o dobro, mas também sofre mais vezes. Em 14 partidas, só registou cinco clean sheets (St. Gallen, Casa Pia, Marítimo, Moreirense e Milan) — menos três que em 2025/26. Contas feitas, a águia de Marco Silva tem média de 3 golos marcados/jogo e de 0.92 golos sofridos/jogo nesta fase inicial da temporada, quando na temporada anterior os encarnados tinham média de 1,5 golos marcados/jogo e de 0.57 sofridos/jogo.

Rolo compressor... no molde

Cingindo-nos apenas à Liga, o cenário classificativo ao dia de hoje é diferente do da época passada, mas não para melhor. São cinco os pontos de distância para o FC Porto ao cabo de sete jornadas e depois da derrota (1-3) no Dragão, quando na pretérita temporada eram quatro (mas ainda sem qualquer clássico travado). Mas as águias trocaram de posição com o Sporting e estão no segundo lugar, contra o terceiro da época anterior por esta altura.

No entanto, e apesar de ser obrigado a caminhar sobre brasas nas jornadas que se seguem, proibido de perder mais pontos para não deixar fugir ainda mais o FC Porto na liderança, este Benfica de Marco Silva continua a ter palavra a dizer na luta pelo título e sabe que uma equipa que marca tanto como esta está no caminho certo.

E este dado é sintomático: para encontrarmos um Benfica com mais de duas dezenas de golos marcados nas primeiras sete jornadas temos de recuar até 2009/10, a primeira época de Jorge Jesus no comando técnico das águias. Depois do famoso «comigo, vão jogar o dobro», o agora selecionador nacional também colocou a equipa a marcar o dobro — e a sofrer metade!

Depois dos 13-8 em golos marcados e sofridos nas primeiras sete jornadas de 2008/09, a águia saltou na época seguinte para os 24-4. Já os atuais 22-7 de Marco Silva sucedem aos 13-4 da época anterior. Ainda não é um rolo compressor como o Benfica de Jesus, mas para lá bem pode caminhar.

Pavlidis, Prestianni, Rafa...

De resto, as novas dinâmicas ajudam a explicar estas diferenças na produção ofensiva e o dedinho de treinador, entre outros aspetos, vê-se na forma como Pavlidis está a jogar e marcar mais (14 golos e três assistências no total, contra sete tentos e um passe letal na época passada), na explosão de Prestianni (oito golos e três assistências, contra um tento e um passe mortífero no início de 2025/26), ou na maior acutilância de Rafa Silva (já com cinco golos e uma assistência, contra os seis golos e dois passes de toda a segunda metade da época anterior).

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