Marco Silva, treinador do Benfica, fez a antevisão ao duelo com o Gil Vicente, a contar para os quartos de final da Taça da Liga

Marco Silva — caso Durán, as novidades nos lesionados, a batalha por todos os troféus

Conferência de Imprensa antes do jogo com o Gil Vicente da Taça da Liga

— Como foi feita a gestão e a preparação da equipa para este jogo com o Gil Vicente? Que adversário espera encontrar?
— Gil Vicente é uma equipa de qualidade, muito bem treinada, como tem vindo a demonstrar ao longo da época. Já tivemos a oportunidade de defrontá-la, num jogo que se tornou difícil pela qualidade e organização que apresentou no Estádio da Luz. Fizemos um belo jogo naquela tarde e a vitória foi totalmente justa. O Gil Vicente tem bons jogadores no ataque, apresenta sempre boa organização e uma estratégia bem planeada e, com bola, tem ideia clara do que quer e tem coragem. É um jogo de decisão e com características um pouco diferentes. Mas daremos tudo para vencer. A preparação foi normal para uma equipa que vinha de viagens e de dois jogos fora. Foi uma vitória importante. Estando em desvantagem ao intervalo, foi importante perceber o caráter e a personalidade da equipa.

— Justifica-se a realização da Taça da Liga que acrescenta jogos aos principais candidatos ao título em janeiro, mês decisivo para as aspirações europeias?
— É a realidade. Sinceramente é uma competição doméstica muito importante. Não vejo como sobrecarga. Depois depende da importância que cada clube dá à prova. Se olharmos só para um 11, acaba por ser uma densidade muito grande, se olharmos para um plantel que precisa de competitividade e de ter no mínimo dois jogadores por posição, acaba também por ter uma oportunidade para dar competição e jogo a muita gente. Infelizmente temos alguns jogadores lesionados e algumas condicionantes para fazer essa rotação. Mas não há que lamentar a densidade de jogos. Até posso estar a falar contra nós. Se ambicionamos [conquistar] todas as competições, teremos de estar preparados.

— Rui Borges mudou 11 jogadores no Sporting. A rotação do Benfica pode seguir na mesma linha?
— Ainda estamos a analisar a recuperação dos jogadores e a perceber quais os que podem estar mais ou menos em risco. Falou do Rui [Borges] e do Sporting e não vou comentar. Mas são situações diferentes até pela proximidade dos jogos. Houve 48 horas entre dois jogos [do Sporting], no nosso caso nesse aspeto é diferente independentemente de virmos de uma viagem e de um jogo difícil, num relvado também muito complicado. Poderemos ou não fazer alterações, mas sempre com o objetivo de termos jogadores frescos e não perdermos a nossa essência e nalgumas posições mantermos parte da nossa estrutura, porque é um jogo decisivo e queremos muito disputar a Final Four. 

— Já tem alguma novidade sobre Jhon Durán? Preparou o jogo a contar com ele?
— Fiz a análise no final do jogo [comentário na flash interview] pelo feedback que tinha do jogador. Já tive acesso ao relatório [do árbitro] e só veio confirmar aquilo que vos tinha dito. Só veio dar mais certeza sobre o que tinha dito, que não tinha acontecido absolutamente nada e que o jogador não tinha estado envolvido em absolutamente nada. Felizmente acreditei no jogador, é esse o meu papel. Quando tenho conversas com eles, queremos que sejam honestos o máximo possível, errando ou não errando, porque todos erramos na vida. Neste caso só veio confirmar o que vos tinha dito e aquilo que era o feedback [do jogador]. Estou muito curioso para perceber qual será a decisão. Sinceramente, depois de ler e de ver o que vi, ter analisado todas as imagens e depois de ler o que foi escrito… Estou muito curioso para perceber o que é que vai acontecer em relação ao Jhon Durán. Neste momento está convocado para o jogo de amanhã.

— Esta situação demonstra a necessidade de rever procedimentos disciplinares no âmbito do Conselho de Disciplina para evitar que sejam tomadas decisões em cima da hora do jogo?
— Sim, possivelmente. É óbvio que estamos a falar de um jogador que viu um vermelho totalmente injusto no fim do jogo. Neste momento, não sabemos se poderá ou não ser utilizado. Percebo a questão, tem a ver com os timings de reunião de quem vai tomar a decisão. Era importante que houvesse uma decisão o mais rápido possível para também sabermos com o que contamos.

— Nos últimos dois jogos, o Benfica teve menos intensidade e menos energia nas primeiras partes e depois teve de ir atrás do resultado nas segundas. Porque acontece isso?
— Sinceramente nem é uma questão de intensidade. Se calhar usei a palavra intensidade, quando falo de intensidade é jogarmos ao nosso nível, termos a capacidade de assumir o jogo e de jogar como habitualmente fazemos. [...] Não fomos tão capazes [contra o Santa Clara na primeira parte], acontece. Retificámos ao intervalo, os jogadores perceberam um pouco melhor [o que precisávamos] e, não há que esconder, a inspiração individual de dois ou três jogadores ajudaram-nos a resolver o jogo.

— Esta competição é, verdadeiramente, uma prioridade ou poderá aproveitar para lançar jovens como Anísio Cabral, José Neto ou Daniel Banjaqui?
— Banjaqui não estará disponível. Está na fase final de recuperação, já tem integrado os treinos com a equipa  e ainda é um pouco cedo utilizá-lo. Seria importante até pelo desgaste de Bah, que tem jogado praticamente os 90 minutos em todos os jogos desde a última paragem. Não sei se voltará na segunda-feira ou no jogo seguinte. Neto irá jogar daqui a pouco na Youth League. Anísio estará nos convocados: Não vemos esta competição para lançar jovens ou não, queremos ganhar o jogo de amanhã e participar na Final Four. No Benfica fazemos tudo para ganhar as competições. O campeonato nacional é o campeonato nacional, a nossa grande prioridade, mas é para dar o máximo em todos os títulos em disputa, para os conquistarmos.

— Considerando que Banjaqui está lesionado e o que disse de Bah, faz sentido pensar na utilização de Duarte Soares, que acabou de fazer um bom jogo com o Feirense?
— Está lesionado.

— Então faz mais sentido uma adaptação. Qual o ponto de situação dos lesionados?
— Banjaqui está numa fase muito perto de estar disponível, mas ainda é um pouco cedo para este jogo. Iremos tomar decisões nos próximos dias para perceber quando começará a competir. O Enzo também já integra aos poucos o trabalho da equipa, o que é bom. Kaminski está de volta, estará nos convocados. Já sabem que o Leandro irá demorar um pouco mais.

— Sudakov jogou, aparentemente, numa posição mais recuada com o Santa Clara. Vai tentar apostar nesta abordagem novamente ou começam a esgotar-se oportunidades de Sudakov? 
— Para já, não gosto do termo de esgotar as oportunidades. Temos de fazer com que os jogadores compitam para a posição e depois compete-me tomar as decisões. Se não esteve ao melhor nível, a responsabilidade é minha, coloquei-o em campo. Simples. Não é por um jogo menos bom ou não tão positivo dele que vou fazer com que se esgotem as oportunidades.

— Kaminski poderá ser o lateral-direito?
— Têm de esperar para perceberem quem será. Há uma opção direta: Bah, que está disponível e convocado. Ou iremos por outro caminho. É muito cedo para Kaminski começar de início. Será uma opção durante o jogo. Podemos optar por Bah ou adaptar um jogador.

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