Gianni Infantino, presidente da FIFA, e Donald Trump, presidente dos EUA, com o troféu do Mundial 2026
Gianni Infantino, presidente da FIFA, e Donald Trump, presidente dos EUA, com o troféu do Mundial 2026 - Foto: IMAGO

Mundial com receitas astronómicas após polémica política de bilheteira

Rendimento foi cinco vezes mais do que no Qatar em 2022

O alargamento do Campeonato do Mundo 2026 gerou receitas históricas para a FIFA, alavancadas em grande parte por uma controversa estratégia de bilheteira. A faturação com a venda de ingressos e pacotes de hospitalidade terá atingido uns expressivos 4,5 mil milhões de euros — cinco vezes mais do que o registado no torneio do Qatar, há quatro anos.

A edição realizada nos EUA, Canadá e México foi a primeira da história a contar com 104 partidas, fruto do aumento do número de seleções apuradas e da criação de uma ronda a eliminar suplementar. Este acréscimo de 40 jogos face a 2022 permitiu ao organismo que superintende o futebol mundial beneficiar de ganhos sem precedentes. Segundo avançou o The Times, o montante obtido superou largamente as projeções da FIFA e contribuiu para uma receita global do Mundial avaliada em 13,4 mil milhões de euros, valor não confirmado oficialmente pela organização.

O expressivo volume financeiro deveu-se à introdução da política de preços dinâmicos, na qual as quantias eram determinadas em função da procura em vez de tabelas fixas. Adicionalmente, a FIFA cobrou uma taxa de 30% sobre qualquer revenda, plataforma onde os bilhetes chegaram a atingir preços astronómicos, multiplicando várias vezes o respetivo valor facial.

Os custos das entradas foram alvo de duras contestações. O presidente da FIFA, Gianni Infantino, viu-se obrigado a justificar frequentemente os preços estabelecidos, recordando que as receitas de bilheteira e hospitalidade no Qatar se tinham ficado pelos 832 milhões de euros.

O líder do organismo sublinhou a natureza não lucrativa da instituição e a necessidade de financiar o desenvolvimento da modalidade à escala planetária: «O Mundial realiza-se durante um mês a cada quatro anos, pelo que geramos dinheiro num único mês. Durante os 47 meses seguintes, até ao próximo Mundial, gastamos esse dinheiro. O que muitas pessoas não sabem, porque naturalmente geramos milhares de milhões num Mundial, é que a FIFA é uma organização sem fins lucrativos.»

«Isso significa que todas as receitas que geramos são reinvestidas na organização do jogo, em 211 países por todo o mundo. Três quartos dos quais provavelmente não teriam capacidade para ter futebol organizado sem os subsídios que lhes concedemos, pelo que tentamos sempre encontrar o equilíbrio certo», frisou Infantino.

Apesar do balanço financeiro, Gianni Infantino permanece sob forte pressão no cargo máximo da instituição, com várias federações continentais, entre as quais a UEFA, a pretenderem o seu afastamento da liderança. O dirigente máximo da FIFA chegou ainda a desenhar um plano para alienar participações nas competições do organismo a investidores privados, com promessa de injeção de capital para quem apoiasse a medida, mas a proposta acabou por sofrer um recuo escassos dias após a sua apresentação.

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