Este é o troféu entregue ao vencedor da CAN - Foto: CAF
Este é o troféu entregue ao vencedor da CAN - Foto: CAF

Mali, Níger e Burkina Faso avançam com candidatura conjunta para sediar a CAN 2032.

O trio de países sob a bandeira da Aliança dos Estados do Sahel (AES) deu mais um passo rumo a um sonho ambicioso: colocar a região no mapa do grande futebol africano.

Mali, Níger e Burkina Faso confirmaram que querem organizar juntos a Taça Africana de Nações de 2032 e o processo já saiu do papel. O encontro que destravou tudo aconteceu em Nova Iorque, no passado 18 de julho, quando dirigentes das três federações se sentaram frente a frente com Patrice Motsepe, o sul-africano que comanda a Confederação Africana de Futebol (CAF).

Segundo o comunicado agora divulgado pela Federação Maliana, os responsáveis participaram de uma sessão de trabalhos com Motsepe «com vista a uma candidatura conjunta à organização da Copa Africana de Nações 2032». E a coisa já andou mais depressa do que muita gente esperava. A Federação Nigerina de Futebol anunciou que a CAF já confirmou formalmente que a declaração de interesse dos três países foi considerada válida, conforme o artigo 7.3 do regulamento de candidaturas, o que na prática abre caminho para as próximas fases do processo de escolha do país-sede.

Motsepe garante tratamento igual, mas não esconde as dúvidas. Questionado sobre o assunto, o presidente da CAF não fugiu ao tema mais espinhoso: a instabilidade política e a segurança na região. Motsepe foi claro ao afirmar que os três países da Aliança dos Estados do Sahel seriam tratados como qualquer outro candidato à organização da CAN 2032, negando-se a tornar a situação política um obstáculo automático. «Não sei, nesta fase, onde a CAN vai disputar-se. Mas estes três países terão tantas hipóteses como os outros. Não vão sofrer qualquer prejuízo por haver uma junta militar no poder». Ainda assim, reconheceu que a questão da segurança «terá de ser tratada» com seriedade — um recado que soa a aviso mais do que a promessa.

Os três países sahelianos, vizinhos e aliados dentro da AES, são governados por juntas resultantes de golpes de Estado que seguem uma linha soberanista e enfrentam graves crises de segurança alimentadas por ramos regionais da Al-Qaeda e do Estado Islâmico, responsáveis por milhares de mortes em vastas áreas dos seus territórios.

Vale destacar que este não é um projeto isolado — a CAF abriu recentemente concurso para atribuir sede às edições de 2028, 2032 e 2036, e o trio da AES tornou-se o primeiro candidato oficialmente declarado para a edição de 2032, à espera de eventuais concorrentes, entre os quais poderá figurar o Senegal.

Do lado da infraestrutura, a região já tem alguma bagagem: o Burkina Faso recebeu a CAN em 1998, e o Mali fez o mesmo em 2002 — já o Níger nunca teve essa honra. Mali conta atualmente com cinco estádios homologados pela CAF, o Burkina Faso garantiu em 2025 a aprovação do seu principal recinto em Uagadugu, enquanto o Níger ainda trabalha na modernização do Estádio Geral Seyni Kountché, interditado a jogos internacionais desde 2022.

Antes de qualquer decisão sobre 2032, o continente vai viver a CAN de 2027, organizada em conjunto por Quénia, Tanzânia e Uganda, entre 19 de junho e 17 de julho de 2027. Um torneio no coração do Sahel seria, sem dúvida, um marco simbólico forte para a região — mas o desafio de convencer a CAF (e o mundo) de que a segurança está garantida promete ser o verdadeiro jogo antes do jogo.

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