Diogo Braz, presidente da Federação Académica do Desporto Universitário, aponta falhas, defende mais investimento e apresenta soluções

Mais atletas, falta de investimento: o desporto universitário

Diogo Braz, presidente da Federação Académica do Desporto Universitário, aponta falhas, defende mais investimento e apresenta soluções

No Dia Nacional do Estudante, 24 de março, o desporto universitário foi tema em cima da mesa n'A BOLA TV. Diogo Braz, presidente da Federação Académica do Desporto Universitário (FADU), foi quem deu o pontapé de saída.

A concluir o Doutoramento em Psicologia do Desporto na Universidade de Coimbra, Diogo Braz tem um percurso ligado desde cedo ao desporto. A ligação à FADU não é recente, tendo já integrado a equipa de Ricardo Nora no mandato anterior, experiência que lhe permitiu acompanhar de perto a evolução do desporto universitário nos últimos anos. Agora na liderança do organismo, sublinha o crescimento do número de estudantes-atletas, que na última época atingiu perto dos 10 mil, um «marco significativo», mas insuficiente face ao potencial. O objetivo passa por alargar o número de praticantes, assim como reforçar a ligação entre clubes e instituições de ensino superior.

Diogo Braz foi eleito, em outubro de 2025, com uma vitória expressiva (67% dos votos), o 14.º presidente da FADU encara o resultado como um sinal de confiança, mas também como «uma responsabilidade acrescida». A continuidade do trabalho desenvolvido no mandato anterior é uma das prioridades, aliada a uma ambição clara de «proporcionar cada vez mais qualidade ao desporto universitário em Portugal».

Um dos temas abordados foi o estudo recente promovido pela FADU, que traça um «cenário preocupante», sobretudo ao nível das infraestruturas. Os dados confirmam uma realidade já sentida: «61% das instituições de ensino superior não dispõem de instalações desportivas próprias e 89% dos clubes dependem de infraestruturas externas ou parcerias para assegurar a prática desportiva». Uma dependência que gera constrangimentos como limitações de horários e escassez de espaços disponíveis.

Apesar deste cenário, o estudo evidencia também uma valorização crescente do desporto, nomeadamente na «experiência académica e na saúde mental» dos estudantes. Ainda assim, persiste um «paradoxo» entre a valorização e o investimento por parte das instituições, onde o desporto continua, muitas vezes, a não ser encarado como «uma prioridade estratégica».

Para inverter este cenário, a FADU propõe um conjunto de soluções: «A integração do desporto nos planos estratégicos das instituições de ensino superior, o reforço do investimento em recursos humanos especializados e programas de prática desportiva, assim como financiamento para as infraestruturas». Assim, a requalificação dos espaços existentes e a construção de novas instalações surgem como necessidades urgentes identificadas pelos 110 clubes pertencente ao organismo.

Futuro? Entrar no top 5 nacional de federações desportivas com mais atletas federados

Com mandato até 2027, Diogo Braz estabelece uma meta: «entrar no top 5 nacional de federações desportivas com mais atletas federados. Uma «ambição enorme», que motiva a FADU «todos os dias».

Aos estudantes, o presidente da FADU deixa uma mensagem de incentivo, sublinhando que o desporto só por si já exige superação e resiliência. Diogo Braz garante ainda que o trabalho está a ser desenvolvido de forma a «evoluir o desporto universitário em Portugal».