Fazer do Desporto Universitário uma prioridade nas instituições de ensino superior
Hoje, a FADU Portugal assinala 36 anos de existência. Um momento de responsabilidade. Se durante décadas trabalhámos para que o desporto universitário fosse reconhecido, chegou o tempo de transformar esse reconhecimento em ação estratégica.
O desporto tem de deixar de ocupar um espaço periférico nas prioridades institucionais e passar a integrar, de forma estruturada e assumida, o núcleo central das políticas das instituições de ensino superior.
Hoje, mais de 10.000 estudantes-atletas competem anualmente nas nossas provas, representando as suas instituições com ambição, identidade e sentido de pertença. Este número é a demonstração inequívoca de que o desporto universitário é uma dimensão essencial da vida académica portuguesa e um ativo estratégico para o país.
2026 é, aliás, um ano particularmente simbólico. Celebramos os 30 anos da primeira organização, pela FADU, de um Campeonato do Mundo Universitário em Portugal, marco que abriu portas à internacionalização do nosso modelo organizativo. Três décadas depois e com mais de 50 eventos mundiais e europeus realizados, Portugal recebe novamente dois Campeonatos do Mundo Universitários, consolidando a sua posição como parceiro estratégico da FISU e da EUSA, e como território de confiança para grandes eventos académicos e desportivos internacionais.
Simultaneamente, será o ano da maior participação internacional portuguesa de sempre. Este dado, mais do que estatístico, é político. Traduz o investimento do país na representação dos seus estudantes, reforça a diplomacia desportiva académica e afirma internacionalmente o nosso ensino superior através do desporto.
Mas o valor do desporto universitário mede-se, sobretudo, pelas pessoas.
Ao longo das últimas décadas, o sistema desportivo universitário foi etapa marcante no percurso de alguns dos maiores nomes do desporto nacional. Atletas como Naide Gomes, Patrícia Mamona, Fernando Pimenta, Nélson Évora ou Patrícia Sampaio passaram pelo desporto universitário, conquistaram medalhas e levaram o nome do nosso país além-fronteiras. Em diferentes momentos das suas carreiras, encontraram neste setor uma plataforma de continuidade, equilíbrio e afirmação.
Este legado demonstra algo fundamental, o desporto universitário não é um espaço paralelo ao alto rendimento, integra o seu percurso de excelência e reforça o setor desportivo nacional.
Num contexto europeu em que a dual career assume crescente centralidade, Portugal tem vindo a estruturar um modelo mais consistente de conciliação entre estudos e carreira desportiva. Hoje, as instituições reconhecem o estudante-atleta como ativo estratégico e reconhecem que formar campeões académicos e desportivos é responsabilidade partilhada.
A valorização institucional do estatuto do estudante-atleta, a criação de regulamentos internos de apoio, a flexibilidade pedagógica e o reconhecimento formal das competências adquiridas através do desporto são sinais claros de maturidade do sistema.
É neste enquadramento que surge a campanha FADU 'Mais do que estudante, atleta'. Não como um slogan, mas como uma afirmação política. O estudante-atleta é um jovem que desenvolve competências de liderança, gestão de tempo, resiliência, disciplina e cooperação, competências críticas para a empregabilidade e o desenvolvimento do país.
O desporto universitário ocupa hoje um espaço efetivo na agenda das instituições de ensino superior. Integra estratégias de internacionalização, contribui para as políticas de promoção da saúde e do bem-estar estudantil, reforça a atratividade institucional e desenvolve competências transversais, determinantes para o futuro profissional. Não é uma dimensão acessória da vida académica, mas sim um ativo estratégico.
A nossa ambição é clara e estruturada. Alargar a base de participação, envolvendo mais clubes e estudantes-atletas. Reforçar a diversidade competitiva, com mais modalidades e modelos mais exigentes. Consolidar a presença internacional de Portugal. Aprofundar o reconhecimento político e institucional do setor. Garantir maior investimento, maior articulação estratégica e plena integração nas políticas públicas.
Aos 36 anos, o desporto universitário português já não precisa de legitimação, precisa de decisão estratégica. As instituições de ensino superior devem integrar o desporto nos seus planos estratégicos, investir em infraestruturas e serviços qualificados, consolidar políticas de apoio à carreira dual e reconhecer formalmente o estudante-atleta como ativo institucional. Precisamos que o país compreenda que cada estudante que compete desenvolve competências essenciais à liderança, à inovação e ao desenvolvimento nacional.
'Do reconhecimento à ação' não pode ser apenas um lema. Tem de ser uma escolha política.
O desporto universitário não é um complemento da experiência académica. É uma dimensão estruturante da formação superior e um investimento na qualidade do ensino superior e na competitividade do país.
O futuro das nossas instituições de ensino superior e do país também se joga aqui.