Lopo: «As guerras internas da FPF não deviam envolver o Estrela»
Paulo Lopo reage com «estupefação» à associação do Estrela da Amadora à polémica renúncia de Duarte Gomes ao cargo de Diretor Técnico da Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol.
O antigo árbitro bateu com a porta devido a alegadas ingerências nas nomeações do Conselho de Arbitragem, conforme já noticiou A BOLA, e o jornal Record especificou que a origem da desavença esteve na escolha dos árbitros para os últimos jogos do Estrela. Ainda de acordo com a mesma fonte, Duarte Gomes terá sido informado pelo árbitro Hélder Malheiro de que tinha tomado conhecimento de que estava nomeado para o Moreirense-Estrela, da 32.ª jornada da Liga, antes mesmo da designação oficial.
«É com estupefação que vemos esta associação do Estrela à demissão do Duarte Gomes. É a palavra indicada. Mais uma vez o Estrela vê-se envolvido num assunto ao qual é alheio. É lamentável e injusto. Não sei se é o efeito colateral de outras guerras…», começa por referir Paulo Lopo, presidente do emblema da Amadora, em conversa com A BOLA.
«Cheguei a ser alvo de um grande elogio público de Duarte Gomes. As guerras internas da FPF não deviam envolver o Estrela, que fez muito para reerguer-se e não merece esta campanha», acrescenta.
Lopo confirma que teve duas reuniões com o Conselho de Arbitragem, ao longo de toda a época, uma delas na reta final do campeonato. «O Estrela sentiu-se… não vou dizer prejudicado, pois não acredito em intenção dos árbitros, mas houve circunstâncias desfavoráveis, principalmente de janeiro para a frente. Tive essa reunião, como têm todos. Benfica, FC Porto, Sporting… todos! Após uma jornada em que tive um golo não validado, mesmo com a bola dentro da baliza, fui queixar-me, naturalmente.»
«É uma conversa sobre os lances em causa. Mostram as imagens e os áudios. Não é exclusivo do Estrela, nem sequer deste Conselho de Arbitragem», acrescenta o líder dos tricolores, que revela ao nosso jornal aquilo que lhe foi dito por parte dos responsáveis da arbitragem. «Aquilo que o Duarte Gomes e o Luciano Gonçalves disseram foi para ficarmos descansados, que nas últimas jornadas seriam nomeados árbitros mais experientes, porventura até internacionais. A mesma lenga-lenga que dizem a todos. É a obrigação moral deles, por assim dizer, quando alguém se queixa.»
O jornal Record refere que Hélder Malheiro terá sido informado da nomeação por Pedro Garcia, apresentado como alegado colaborador do Estrela. «Não é e nunca foi», garante Lopo ao jornal A BOLA. É um indivíduo que se movimenta no seio da arbitragem e que, de vez em quando, pede bilhetes e tal. Não tenho relação pessoal ou profissional com ele», reforça.
O presidente do Estrela assegura, também, que não teve conhecimento antecipado de nenhuma nomeação. Nem depois dessa reunião na Cidade do Futebol, nem antes. «Obviamente que não. As nomeações saem um dia antes e estamos sempre em pulgas para saber. Não somos informados antes. Não conheço o Hélder Malheiro, não tenho o telefone dele. Podiam ter escolhido um árbitro com o qual eu falasse.»
Perante a associação do Estrela à polémica na arbitragem, Lopo admite avançar mesmo para os tribunais. «Se o Duarte envolveu o nome do Estrela vamos agir judicialmente. Não permitimos que ninguém coloque em causa o bom nome do clube. Tem existido uma perseguição ao Estrela, mas conseguimos identificar quando começou, e por quem», afirma ainda o dirigente tricolor, embora sem querer especificar: «O ponto principal foi o nosso apoio ao atual presidente da Liga. Na altura certa vamos falar disso…»
A BOLA procurou também obter uma reação de Luciano Gonçalves, presidente do Conselho de Arbitragem, mas esse pedido não foi atendido, até ao momento.