Santa Clara festejou no Fontelo. -Foto: PAULO NOVAIS/LUSA
Santa Clara festejou no Fontelo. -Foto: PAULO NOVAIS/LUSA

3.º de Paciência na 100.ª dos açorianos (crónica)

Santa Clara obteve a 100.ª vitória na Liga. Gonçalo Paciência apontou o 3.º golo no campeonato, na sequência de erro de Rúben Pereira. Visienses reagiram na 2.ª parte, mas não deu

Centésima vitória do Santa Clara na Liga, a primeira na edição 2026/27 e com Gonçalo Paciência novamente em evidência, ao marcar o golo. No regresso, 37 anos depois, do futebol de primeira ao Fontelo, perante casa cheia, e apesar da boa reação na segunda parte, o Académico de Viseu travou, depois do surpreendente empate (2-2) na Luz, contra o Benfica.

Com jogadores mais experientes e tarimbados na nestas andanças, o Santa Clara, com boa organização defensiva, deu a posse da bola ao Académico, mas sem perder o controlo das operações. E foi mais perigoso na primeira metade, apesar das escassas oportunidades que se registaram nesse período.

Contudo, os açorianos só chegaram à vantagem na sequência de uma asneira defensiva dos visitados, quando Ruben Pereira adiantou a bola para onde estava Sorriso, e depois derrubou o extremo quando a quis aliviar. Da marca dos 11 metros Gonçalo Paciência não vacilou e colocou o esférico junto à base do poste esquerdo da baliza defendida por Ewerton, que adivinhou o lado, mas não chegou à bola. O avançado do Santa Clara – que apontou todos os golos dos açorianos neste campeonato - até poderia ter festejado minutos antes, num vistoso pontapé de bicicleta travado pelo guardião dos viseenses.

Depois houve um longo deserto de ideias por parte das duas equipas na procura de soluções para atacar as balizas, sobressaindo muitos duelos físicos, faltas e paragens, travando o ritmo do jogo. Essa evidência apenas foi desmentida no tempo adicional antes do descanso, num tiro de Vinícius Lopes, numa finalização de Gonçalo Paciência às malhas laterais e num remate de Kahraman à meia-volta, ligeiramente por cima da baliza açoriana.

O início da segunda metade trouxe um Académico diferente, para melhor. Houve mais atitude ofensiva… mesmo com a aposta de Bruno Pinheiro em dois defesas: Pedro Barcelos e Nikos Michelis. «Foram para dar energia e força atrás, para empurrar a equipa para a frente», explicou o treinador, nas substituições que, certamente, foram vistas por muitos, como um paradoxo.

O certo é que resultaram e os visienses avançaram no terreno e começaram a criar perigo. E estiveram perto do golo num remate forte de Zamora sacudido com grande defesa de Lucas França e num tiro de João Guilherme que passou perto do travessão. O extremo brasileiro esteve quase a conseguir o objetivo nos descontos, quando, de cabeça, desviou um cruzamento de Robinho, na fase do tudo ou nada dos locais para tentarem evitar a derrota.

A figura do Académico de Viseu: João Guilherme

O extremo brasileiro de 25 anos foi o mais perigoso da sua equipa e o que esteve mais próximo de marcar. Em ambas, as finalizações passaram muito perto dos ferros, primeiro num tiro de longe e nos descontos num cabeceamento. Acutilante, começou encostado no corredor direito, passando depois para o lado contrário após a entrada de outro agitador – Zohi - sempre com a mesma competência e energia até final.

As notas dos jogadores do Académico de Viseu (4x3x3): Ewerton (5), Robinho (6), Anthony Correia (5), Rúben Pereira (4), Milioransa (5), Messeguem (6), Mestanza (5), Kahraman (5), João Guilherme (6), André Clóvis (5), Zamora (6), Pedro Barcelos (5), Nikos Michelis (5), Dominik Steczyk (5), Cristian Ferreira (5) e Gohi (6)

O melhor em campo: Gonçalo Paciência

O experiente avançado de 31 anos renasceu para os golos nos açorianos e voltou a faturar, depois de ter bisado contra o Nacional. Na conta pessoal foi o 3.º e assegurou o primeiro triunfo do Santa Clara na Liga. Antes de marcar, de forma irrepreensível de grande penalidade, tentou ser feliz num vistoso pontapé de bicicleta (9’), defendido por Ewerton, e depois do golo atirou (45+2’) à malha lateral.

As notas dos jogadores do Santa Clara (4x3x3): Lucas França (6), Diogo Calila (6), Pedro Pacheco (6), Emanuel Moreira (6), Guilherme Romão (6), Djé Tavares (5), Pedro Ferreira (5), Daniel Borges (6), Sorriso (6), Gonçalo Paciência (7), Vinícius Lopes (5), Fernando (5), Afonso Duarte (5), Tiago Ribeiro (-), Welinton Torrão (-) e Hiago Santos (-)

Bruno Pinheiro, treinador do Académico de Viseu

«Não podemos ser nós a tornar o campeonato mais difícil do que ele é e na 1.a parte não podemos entrar e sofrer o golo da forma como o sofremos. É meio caminho andado pera se perder. A 1.ª parte foi de domínio do Santa Clara, na segunda do Académico, que se acentuou à medida que o tempo foi passando. Infelizmente o adversário marcou fruto de um erro nosso, nós não conseguimos fazer nenhum fruto do nosso trabalho.»

Petit, treinador do Santa Clara

«Na 1.ª parte tivemos o domínio, fizemos o golo e desperdiçamos mais chances. Sabíamos que haveria reação do Académico de Viseu, que estava moralizado pela subida de divisão e pelo resultado com o Benfica. Soubemos sofrer e ser solidários, agarramo-nos ao resultado e era importante alcançar a nossa primeira vitória.»

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