Lima amargou minhotos na colheita dos três pontos (crónica)
Ao contrário dos dois últimos jogos [Alverca e Tondela] em que entrou praticamente a perder e depois teve de ir atrás do resultado para evitar a derrota, neste encontro o Santa Clara inverteu esse cenário e aos 14 minutos já vencia por 2-0. Foi uma entrada determinada e afirmativa do ponto de vista ofensivo dos açorianos, e que se tornou decisiva para a conquista dos três pontos e anular uma longa série negativa que já levava onze jogos sem vencer. O último triunfo dos açorianos tinha sido a 6 de dezembro, na receção ao Casa Pia. Os vimaranenses navegam em ciclo negativo e não saboreiam uma vitória há três partidas.
O filme de Alverca e Tondela para os açorianos, até poderia ser revisto, porque o encontro começou com Gabriel Batista a evitar que Balieiro aproveitasse um ressalto para faturar. E, na primeira vez que atacou a baliza de Charles, o Santa Clara marcou. Guilherme Romão apontou um livre e Sidney Lima ganhou posição a Abascal para finalizar de primeira.
E na segunda investida, os açorianos aumentaram a contagem, num autogolo de Charles. Djé Tavares, que consolidou a titularidade com uma bela exibição, serviu Gabriel Silva, com o extremo a atirar para defesa do guardião, sobrando a bola para Welinton Torrão para cabecear e Abascal cortar para a barra, com a bola a cair e a embater em Charles antes de entrar. Um golo às três tabelas e que deu tranquilidade ao Santa Clara para gerir até ao intervalo, perante um adversário inofensivo ofensivamente. Diogo Sousa, imediatamente a seguir ao segundo golo dos açorianos efetuou o único remate intencional dos vimaranenses após a desvantagem.
A insatisfação era evidente e Luís Pinto efetuou duas substituições ao intervalo, juntando outras duas aos 55 minutos. O treinador constatava que as dificuldades da sua equipa continuavam bem presentes. Só aos 69’ surgiu a primeira grande oportunidade do Vitória reduzir, com Pedro Ferreira, em cima da linha, a evitar o tiro de Gustavo Silva. E, de imediato, Luís Pinto esgotou as substituições, apostando em Camara, mais uma unidade ofensiva.
Para estancar a vontade do Vitória em inverter o resultado, Petit respondeu com o reforço defensivo com a entrada de Pedro Pacheco. O Santa Clara passou a jogar com uma linha defensiva com cinco e levou a água ao seu moinho sem correr sobressaltos e até teve oportunidade de elevar a contagem nos últimos minutos num remate de Brenner Lucas defendido por Charles. E, pelo menos nesta noite, os açorianos vão dormir fora dos lugares de descida. Já os vitorianos, nem por isso, e no final ouviram das boas dos seus adeptos presentes no estádio.
As notas dos jogadores do Santa Clara (4x3x3): Gabriel Batista (6), Lucas Soares (5), Sidney Lima (7), Henrique Silva (6), Guilherme Romão (6), Serginho (6), Pedro Ferreira (6), Djé Tavares (6), Welinton Torrão (6), Fernando (5), Gabriel Silva (6), Diogo Calila (5), Klismahn (4), Elias Manoel (4), Brenner Lucas (4) e Pedro Pacheco (-)
As notas dos jogadores do Vitória de Guimarães (4x2x3x1): Charles (5), Tony Strata (5), Rodrigo Abascal (5), Thiago Balieiro (6), João Mendes (5), Beni Mukendi (5), Diogo Sousa (6), Telmo Arcanjo (5), Samu (6), Saviolo (5), Alioune Ndoye (5), Lebedenko (5), Gonçalo Nogueira (5), Gustavo Silva (5), Nélson Oliveira (5) e Camara (4)
Petit, treinador do Santa Clara
«É um resultado que nos satisfaz, mas queremos mais. Não foi só sorte, porque ela trabalha-se, também tivemos mérito na nossa defesa quando o Vitória tem a oportunidade [Gustavo Silva] para reduzir e poderíamos abanar um bocadinho, mas o mais importante é dar os parabéns aos nossos jogadores. Temos mais bola e somos mais pressionantes na primeira fase de construção do adversário.»
Luís Pinto, treinador do Vitória de Guimarães
«Entrámos bem, tivemos oportunidade de fazer o 1-0 e do nada estamos a perder 2-0. Tentámos, fomos atrás e nas oportunidades que tivemos não concretizamos, e o Santa Clara aproveitou as que teve. Faltou ser incisivo… mas não se jogou, vejam o número de faltas que o Santa Clara fez e a matar as jogadas sempre que o tinha de o fazer. Não há ritmo de jogo quando há 42 faltas o e os médios do Santa Clara podiam fazer as faltas todas e mais algumas. [Conversa com os adeptos no final?] Deve-se perceber o número de adeptos que aqui estão a esta hora, num domingo em que muitos deles estão a abdicar de ir trabalhar amanhã para acompanhar o Vitória e que nós temos de conseguir, seja de que forma for, ir buscar forças e esperança nesta fase mais negativa que estamos a passar, porque representamos um clube que tem uma exigência muito grande, mas também tem sempre esta gente que nos acompanha e a conversa aconteceu de uma forma muito cordial. Os adeptos fazem sacrifícios para estar aqui, retiram muito às suas vidas para poderem acompanhar o Vitória e nós nos momentos em que não tivemos mais energia, temos de correr por eles.»