Sporting: Diego Callai já é português e «é um orgulho»
Aos 21 anos, Diego Callai já tem mais tempo de Portugal do que de Brasil, onde nasceu em Caxias do Sul no dia 18 de julho de 2004. O sonho de jogar por Portugal já é possível porque o jovem guarda-redes já recebeu a nacionalidade portuguesa, antes duma temporada que pode trazer novidades para o seu futuro no Sporting.
— Diego, a aproveitar as férias? A retemperar forças?
— Sim, fundamentalmente é isso. Sabemos que a época é muito desgastante, física e mentalmente. As férias são um pouco para isso, servem para descansarmos, para aliviarmos a cabeça para quando regressarmos estarmos preparados a 100 por cento.
— Está com a família?
— Com a minha namorada. Viemos passar duas semanas aqui nas ilhas gregas.
— São mais de praia do que de campo, então…
— Claro que sim. Ainda mais eu vim do Brasil, lá é só praia nas férias, e ela é de Cascais, então sempre com o mar à vista.
— Mas está em Portugal já há muitos anos…
— Vim para Portugal pela primeira vez com seis anos, que foi quando o meu pai veio jogar para o Leixões. Fiquei até os nove, depois voltei para o Brasil e estive lá mais dois anos e meio e com os meus 12, se não me engano, voltei para Portugal. E estou cá desde então.
— E agora já cidadão português?
— Sim e realçar que para mim, acima de tudo, é um orgulho ser português. Já estou há muitos anos a viver neste país maravilhoso, com pessoas maravilhosas também, que sempre me acolheram bem, sempre me ajudaram. Fosse dentro do clube ou fora dele, na vida pessoal. É um país mesmo maravilhoso. Para mim é algo muito especial poder tornar-me português.
— Foi um processo que demorou alguns anos, estava ansioso?
— Sim. Para ter noção, houve uma altura em que todas as semanas entrava no meu processo para ver como é que estava. São umas 10 etapas que se tem de ultrapassar até chegar à fase final. E aquilo ia muito devagarinho. Quando começou a primeira etapa, rapidamente foi para a três, depois para a quatro. Lembro que quando chegou ali na cinco ou na seis demorou um bocadinho, mas depois quando chegou a penúltima... aí foi o tempo que demorou mais. Sabe quando chega a 99 por cento e parece que aquele um por cento é o que demora mais… foi mesmo assim, estava sempre naquela ansiedade de querer ver aquela bolinha a dizer concluído…
— E quando ficou, como foi?
— Até foi uma situação engraçada. Sou uma pessoa religiosa, no fim da época costumo ir a Fátima, ao Santuário, costumo sempre rezar para agradecer a época que tive, para pedir que a minha próxima época também seja abençoada. Estava numa missa com a minha namorada, tínhamos acabado de sair da missa e ligou-me o meu empresário a dar-me essa fantástica notícia de que o processo tinha sido concluído e foi uma altura de muita emoção. Lembro-me que até chegaram a correr-me algumas lágrimas, tanta a emoção, até pelo momento que vivi, termos acabado de sair de uma missa… Graças a Deus o processo foi concluído e hoje posso dizer que sou português.
— Dá para perceber que encara este processo, mais do que no campo profissional, como algo sentimental e emocional até…
— Claro que sim, é o que disse anteriormente: primeiro de tudo é um orgulho ser português. E depois logo tudo o que vem também, poder finalmente sonhar jogar pela Seleção portuguesa, que é um passo muito importante na minha carreira. Para mim sempre foi uma ambição, um sonho. Lembro-me sempre que nas paragens de seleção muitos colegas meus iam e eu...
— Para um miúdo na Academia deve ser difícil ver os outros irem às seleções e não poder ir também…
— Obviamente ficava sempre muito feliz pelos meus colegas mas sempre naquela de... podia ser eu, quando é que vai chegar a minha hora? E sempre ali a ver o processo a não avançar. Mas correu tudo bem.
— Tinha aqui uma pergunta preparada, porque agora pode jogar pelo Brasil, por Portugal mas também Itália… mas já deu para perceber por qual quer jogar…
— Claramente na minha cabeça sempre esteve por Portugal, o que eu tenho com este país, sabe? Já são muitos anos a morar aqui, é o país em que mais tempo eu morei e pela ligação que criei com muitas pessoas aqui. E é o que eu digo, sinto-me mais português do que qualquer outra coisa e para mim é um orgulho imenso poder ser português.
— Mas terá de ser passo a passo… Primeiro pensar na Seleção sub-21 e depois na A?
— Com certeza que sim. Costumo sempre colocar a minha carreira em pequenos degraus, mais vale dar pequenos passos do que querer já dar um passo gigante, não é? Acho que um pequeno passo seria a Seleção sub-21, que para mim já seria um grande sonho realizado, poder vivenciar o que é representar uma Seleção Portuguesa pela primeira vez, acho que seria algo muito bonito, algo que ficaria no meu coração para o resto da vida. Mas vai ser sempre uma decisão do mister e da equipa técnica dos sub-21. É trabalhar e continuar a focar-me para que um dia consiga realizar esse sonho.
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