João Pereira justifica saída de Alvalade e admite: «Não me sinto campeão pelo Sporting»
João Pereira abriu o livro. Depois da curta passagem pelos leões, de apenas oito jogos, após a saída de Ruben Amorim, o atual técnico do Alanyaspor, da Turquia, abordou a curta experiência como treinador da equipa principal de Alvalade numa entrevista à Sport TV. Essa experiência terminaria precocemente, com a entrada de Rui Borges, que haveria de conseguir a dobradinha.
Considero que Rui Borges foi o meu anjo da consciência. Ficar associado a uma não conquista de um título nacional por minha causa iria perseguir-me a vida toda
«As medalhas? Sinceramente, não me sinto campeão pelo Sporting. Sinto que ganhei mais a Taça de Portugal porque passei duas eliminatórias. Não tive mérito nessa conquista por muitos motivos e continuo a responsabilizar-me a mim. Mas estou bem resolvido com o passado. A sensação de me sentar no banco como treinador? Um sonho que tinha era ser campeão como jogador e como treinador, mas não aconteceu», disse, elogiando a entrada de Rui Borges e todo o sucesso que conseguiu.
Frederico Varandas? A coisa que tenho mais mágoa foi não ter correspondido à pessoa que tinha confiado em mim
«Considero que Rui Borges foi o meu anjo da consciência. Ficar associado a uma não conquista de um título nacional por minha causa iria perseguir-me a vida toda. Fiquei muito feliz e muito mais descansado com a conquista do Sporting. A sua renovação? Foi a decisão certa, tal como foi abdicar de mim na altura, foi decisão certa. Estou muito bem com o passado e Rui Borges veio provar a boa aposta. Este ano voltou a lutar pelo título e já Jorge Jesus dizia que importante era estar nas decisões. Frederico Varandas fez muito bem dar um voto de confiança a Rui Borges», reforçou, terminando com o presidente dos leões.
«Frederico Varandas? Nesta passagem pelo Sporting o que tenho mais mágoa foi não ter correspondido à pessoa que tinha confiado em mim. Isso magoou-me por tudo o que ele conseguiu fazer no Sporting, colocando o clube na luta pelos títulos, não só no futebol, como em todas as outras modalidades. Agora é fácil apontarem-lhe o dedo e dizer que a minha contratação foi um erro. Mas o presidente seguia o meu trabalho desde os sub-23. Quando chegámos à equipa principal não resultou, podia dar muitas desculpas de árbitros, mas outros, mesmo com arbitragens e lesões, acabaram por ganhar. Mais do que um problema tático foi o psicológico. Com a saída de Ruben Amorim não tive capacidade de levantar as tropas nessa altura», finalizou.