Coproprietário demissionário do West Ham acusado de assédio sexual por várias mulheres
David Sullivan, empresário multimilionário e coproprietário demissionário do West Ham, enfrenta acusações de abuso de poder e assédio sexual por parte de sete mulheres. As alegações, que remontam à década de 1980, foram reveladas numa investigação conjunta da BBC Panorama e do jornal The Times.
As queixas partem de mulheres que, no final da adolescência ou no início dos vinte anos, procuravam trabalho como modelos nos jornais de Sullivan, o Daily Sport e o Sunday Sport. Estas acusam o empresário de comportamento predatório e de exploração sexual, alegando que as pressionava para terem relações sexuais durante reuniões de negócios, em troca de impulsionar as suas carreiras.
Horas depois de a BBC e o The Times terem confirmado a publicação da investigação, Sullivan demitiu-se, no sábado, do cargo de presidente adjunto do West Ham. O empresário de 77 anos afirmou que a sua demissão visa focar-se no combate ao que descreveu como «alegações factualmente incorretas e inteiramente falsas, com décadas, sobre a minha vida pessoal», classificando a investigação como «fundamentalmente injusta». Sullivan nega «categoricamente» todas as acusações, que ainda não eram conhecidas na altura.
Uma das mulheres, que usa o pseudónimo Florence, relatou ter-se sentido forçada a ter relações sexuais com Sullivan contra a sua vontade. Segundo o seu testemunho, durante uma reunião de negócios na sua casa, o empresário ter-lhe-á dito que, se tivessem relações sexuais, ela se tornaria uma das «raparigas regulares» dos seus jornais. Florence, na altura com 20 anos, tentou arranjar desculpas, mas alega que ele a conduziu a um quarto e iniciou o ato sexual. Os advogados de Sullivan consideraram o seu relato implausível.
Duas outras mulheres afirmaram sentir que não tiveram outra escolha senão ceder para não prejudicarem as suas carreiras de modelo, acusando Sullivan de abuso de poder. «Ele aproveitava-se de pessoas jovens», disse uma delas. Outra ex-modelo contou que, ao tentar sair de uma reunião após ser assediada, encontrou a porta trancada, sendo que Sullivan só a terá deixado sair depois de ela começar a levantar a voz.
A investigação revela ainda que Sullivan admitiu ter pago por sexo nos anos 90 com uma rapariga que, segundo ele, acreditava ter 16 ou 17 anos. Na época, Sullivan tinha cerca de 40 anos. O ato de pagar por sexo com menores de 16 ou 17 anos só foi criminalizado em 2003 no Reino Unido.
A maioria das mulheres optou por permanecer anónima, temendo Sullivan e possíveis repercussões. Os jornalistas corroboraram os seus relatos através de diários, registos policiais e entrevistas com amigos e familiares. Foi também descoberto que oito mulheres apresentaram queixas sobre a conduta de Sullivan à Met ou à Polícia de Essex, embora o empresário nunca tenha sido formalmente acusado.