Azzedine Ounahi (IMAGO)
Azzedine Ounahi (IMAGO)

Lição do Canadá acabou desfeita pela classe de Marrocos (crónica)

Três golos cheios de qualidade na 2.ª parte garantem passagem (muito suada) dos africanos aos quartos de final do Mundial 2026

Azzedine Ounahi tem pernas finas, um recorte técnico invejável e, nos oitavos de final do Mundial 2026, teve um faro de golo que apurou Marrocos para os quartos, bisando frente a uma equipa do Canadá que deu luta até ao fim (e até pode reclamar de alguma injustiça no resultado).

Marrocos soube sofrer, aguentar a pressão e, no final superiorizar-se ao adversário com três grandes golos: marcas de uma equipa que pode ameaçar qualquer seleção neste Campeonato do Mundo. A seguir, segue-se o Paraguai ou a França.

Superioridade canadiana

A 1.ª parte correu de feição ao Canadá, fruto de um plano de Jesse Marsch implementado de forma exímia pelos canadianos, liderados pelo capitão Stephen Eustáquio. A ideia passava por frustrar a saída de bola de Marrocos, que encontrou mais perguntas do que respostas nesta fase.

Tentar sair a jogar pelo flanco? Não dava. Centrais tentavam ligar-se com o duplo-pivot de Bouaddi e El Ayanoui? Os caminhos estavam tapados. A solução? Jogar longo ou perder bolas, nenhuma delas particularmente agradável. O Canadá deu uma lição de como pressionar frente a Marrocos, que ainda ficou sem Saibari, o melhor marcador da equipa neste Mundial, com três golos, por lesão.

Apesar de ter tido menos posse de bola nesta fase, o Canadá criou as melhores chances de golo antes da pausa para hidratação, com Bono a defender os remates perigosos de Jonathan David (5’) e de Tani Oluwaseyi (11’).

Talento e execução: eis a solução

Marrocos tentou sair do intervalo de cara lavada. A equipa de Mohamed Ouahbi começou a circular a bola mais rapidamente, para tentar superar o Canadá, e foi ao lançar Rahimi, que substituiu Saibari, no espaço, que o impasse foi quebrado.

O avançado ganhou um livre lateral, junto à área, e a qualidade individual fez o resto. Achraf Hakimi encontrou (50’) Azzedine Ounahi à entrada da área, com o médio a atirar forte e colocado, por entre as pernas de Rahimi, para o golo inaugural.

O jogo do Canadá tornou-se mais atabalhoado e partido. O desespero tomou conta da ponderação, enquanto Jesse Marsch questionava como é que a equipa estava a perder. Nesta fase, só Tajon Buchanan assustou (79’) Bono, antes da machadada final. Fruto desse nervosismo, o central De Fougerolles subiu demasiado no terreno e perdeu a bola para El Aynaoui, que lançou Brahim Díaz no contra-ataque.

O talentoso jogador do Real Madrid chegou à área, pausou e assistiu o pontapé formidável de Ounahi, que resolveu o jogo com um bis.

O Canadá acabou o jogo com três pontas de lança em campo (Cyle Larin, Jonathan David e Promise David), mas ainda faltava a cereja no topo do bolo para Marrocos: novo contra-ataque conduzido por Brahim Díaz, com nova assistência perfeita para o golo (90+5’) de Soufiane Rahimi.

O melhor em campo: Azzedine Ounahi (8)

Não havia volta a dar. O médio só precisou de dois remates para desbloquear o encontro e levar os Leões do Atlas à próxima fase. Foi provavelmente o jogador mais esclarecido da equipa durante aquela 1.ª parte difícil e, com esta exibição, ganha estatuto de heróis para Marrocos.

A figura do Canadá: Stephen Eustáquio (6)

O capitão personalizou todo o espírito combativo que o Canadá nunca perdeu, aliando essa vontade à qualidade com bola e nas tomadas de decisão. Quando o ataque não funcionou, ele mesmo tentou chegar-se à frente, ainda que sem sucesso. O jogador do FC Porto fez um grande Mundial, do qual pode sair de cabeça erguida.

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