A ginasta italiana Manila Esposito confessou que os comentátios a incomodaram bastante. IMAGO
A ginasta italiana Manila Esposito confessou que os comentátios a incomodaram bastante. IMAGO

Chamaram-lhe gorda e respondeu com três medalhas no Europeu de ginástica

Manila Esposito, alvo de comentários ofensivos sobre o seu físico nas redes sociais, conquistou um ouro e duas pratas no Campeonato Europeu de Ginástica Artística, em Zagreb, na Croácia.

A ginasta italiana Manila Esposito deu a melhor resposta possível aos críticos que a atacaram pelo seu físico, ao conquistar três medalhas no Campeonato Europeu de Ginástica Artística, que terminou este domingo em Zagreb. A atleta subiu ao lugar mais alto do pódio na prova de solo no sábado e, no dia seguinte, somou duas medalhas de prata, na trave e na competição por equipas.

Galeria de imagens 13 Fotos

A polémica surgiu antes da competição, quando a Federação Italiana de Ginástica publicou um vídeo da atleta que gerou uma onda de comentários ofensivos nas redes sociais, com utilizadores a criticarem o seu peso e a sua forma física. Esposito admitiu que as mensagens a incomodaram, mas optou por não responder diretamente.

Em declarações à agência ANSA, a ginasta, que irá competir nos Jogos Olímpicos de Paris 2024, afirmou que a sua performance foi a sua resposta. «Sinto-me bem comigo mesma e é justamente graças ao meu físico que consigo alcançar estes resultados», sublinhou.

A atleta, natural de Boscotrecase, Nápoles, aproveitou para alertar para o perigo que este tipo de críticas representa para os mais jovens, defendendo que não existe um padrão de beleza ou corpo único. «Cada um de nós tem o seu próprio físico, e é impossível que todos se enquadrem num único padrão — num suposto protótipo de beleza ou tipo de corpo», acrescentou, criticando ainda o anonimato usado para proferir insultos na internet.

O presidente da Federação Italiana de Ginástica (FGI), Andrea Facci, condenou veementemente os ataques, classificando os episódios de body shaming como «indecentes». Explicou que a federação aguardou pelo final do campeonato para se pronunciar, de modo a não perturbar a concentração das atletas.

Facci descreveu Esposito como uma «atleta extraordinária», que é também polícia e membro da equipa olímpica italiana, e lamentou que os ataques revelem um problema social que transcende o desporto. O dirigente criticou os «guerreiros do teclado», que não medem o impacto das suas palavras, especialmente em atletas jovens.

«Em 2026, não há mais espaço para aqueles que acham que podem julgar o físico de outras pessoas. Pelo contrário, todos têm o direito de se sentir confortáveis no seu próprio corpo», declarou Facci, reforçando que qualquer decisão sobre o treino e o físico «cabe exclusivamente à atleta, em consulta com o seu treinador e com os profissionais de saúde e medicina da federação». O presidente da FGI concluiu, apelando à necessidade de «encontrar uma maneira de deter estes 'haters'».

A ginasta recebeu também o apoio de figuras públicas, como Sergio Colella, conselheiro de Desporto e Juventude da Cidade Metropolitana de Nápoles. Colella elogiou a maturidade de Esposito, afirmando que ela se provou uma campeã «dentro e fora das competições» e que as suas conquistas foram a melhor resposta possível.

A iniciar sessão com Google...