A anca é importante no desporto e pode ser tratada sem cirurgia?
A resposta é simples: sim. Quando pensamos em lesões desportivas, lembramo-nos quase sempre do joelho ou do tornozelo, ficando a anca, muitas vezes, esquecida. No entanto, é uma das articulações mais solicitadas em quase todos os desportos.
Por exemplo: imagine um remate, um sprint ou um salto — a força nasce nas pernas, mas tem de passar pelo tronco. A anca é a ponte de ligação entre as duas partes, sendo ela que transmite a força entre o tronco e os membros.
A anca possibilita três coisas ao atleta: estabilidade para o corpo não oscilar, amplitude de movimento, para correr, rodar e chutar com liberdade e potência, ao transformar o esforço dos músculos em gesto eficaz. Quando a anca falha, todo o movimento fica comprometido. Frequentemente, as dores no joelho ou na coluna começam numa anca que não funciona bem.
O conflito femoroacetabular da anca ocorre quando os ossos da articulação chocam durante o movimento, podendo lesar o labrum, o anel de cartilagem que estabiliza e veda a articulação. Também temos as tendinopatias, ou seja, a inflamação e o desgaste dos tendões em redor da anca, podendo ambas estar associadas a artrose precoce — desgaste da cartilagem que protege o osso.
As consequências são conhecidas: dor, perda de força e menos mobilidade. No início, o atleta sente apenas desconforto, mas com o tempo poderá ser obrigado a reduzir o treino. Em casos mais graves, poderá mesmo ter de se afastar da prática que ama.
Aqui, entram as abordagens mais recentes — denominadas ortobiológicas — porque usam as substâncias do próprio corpo, ou semelhantes, para auxiliar na recuperação dos tecidos.
O Plasma Rico em Plaquetas (PRP ou Super PRP) obtém-se através de uma pequena quantidade de sangue colhida do próprio doente, sendo, posteriormente, tratada para concentrar as plaquetas, que, por sua vez, libertarão os fatores de crescimento que estimularão a reparação dos tecidos. Os mais eficazes são os de alta concentração e com plaquetas acima dos 5/8 biliões.
O ácido hialurónico é uma substância que já existe naturalmente na articulação e funciona como lubrificante e amortecedor. Quando injetado, pode melhorar a função articular e aliviar a dor.
As células estaminais derivadas do tecido adiposo abdominal são outra via, colhendo-se a partir da própria gordura abdominal e podem ajudar na regeneração dos tecidos.
Nenhum destes tratamentos é uma cura mágica: não substituem o exercício, nem a reabilitação, nem a cirurgia, quando necessária, mas podem ajudar a preservar a saúde da articulação e adiar o desgaste.
Estas opções podem prolongar a saúde da anca, assim como permitir a continuação da prática desportiva, mesmo em alta competição. Porém, não são para todos. A indicação deve ser sempre avaliada caso a caso, por um médico especialista, depois de um diagnóstico rigoroso.
A anca merece a mesma atenção que damos ao joelho. Cuidar dela é cuidar de toda a carreira desportiva. Proteja a sua anca!
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