«Leiria precisa do apoio de todos», diz o presidente da Associação
A devastação deixada pela depressão Kristin no distrito de Leiria ameaça o futuro imediato da atividade desportiva local. O presidente da Associação de Futebol de Leiria, Carlos Mota Carvalho, confessou estar «preocupado» com os «danos avultados» registados nas infraestruturas desportivas, admitindo que, neste momento, ninguém consegue dizer quando será possível retomar a prática desportiva na região.
À margem do Congresso do Futebol Português, na Cidade do Futebol, em Oeiras, o dirigente destacou que, numa fase em que muitas famílias lutam para recuperar condições mínimas de vida, o desporto passa inevitavelmente para segundo plano. Ainda assim, alertou para o impacto profundo que a destruição das infraestruturas terá no tecido associativo. «As autarquias e as juntas de freguesia estão focadas no essencial, em garantir que a população tenha água, luz e condições básicas. Mas, ao nível desportivo, a preocupação é enorme. Os danos são muito significativos e não sabemos quando poderemos reativar a atividade», afirmou.
O retrato traçado por Mota Carvalho é duro. A AF Leiria tentou contactar os clubes do distrito para avaliar os prejuízos, mas encontrou dificuldades causadas pelas falhas persistentes de rede e de Internet, que ainda afetam várias localidades. Apesar disso, foi possível perceber que uma parte significativa das coletividades sofreu danos graves. «Há campos de futebol e pavilhões com prejuízos de milhares de euros. Em alguns casos, os telhados foram completamente arrancados e os pisos estão a degradar-se a cada dia que passa, com a chuva», descreveu.
Para quem vive no distrito, sublinhou o dirigente, a dimensão da tragédia é impossível de ignorar. «As notícias transmitem informações importantes, mas só quem cá está vê verdadeiramente a devastação. Há zonas sem Internet, sem água e sem eletricidade», referiu, num testemunho que espelha a fragilidade sentida no terreno.
Consciente de que o caminho da recuperação será longo, Carlos Mota Carvalho revelou já ter contactado o presidente da Federação Portuguesa de Futebol , Pedro Proença, reconhecendo que os clubes da região vão precisar de «muito apoio» para voltar a erguer-se. Até ao momento, porém, não existem garantias de ajuda financeira, apenas o compromisso de uma visita ao local.
Mota Carvalho voltaria a afirmar, em questão colocada no último painel do Congresso, durante o qual se falava de assuntos relacionados com a saúde dos atletas, que o distrito de Leiria precisa de apoio: «Cerca de 120 clubes sofreram danos avultados nas suas instalações e precisam de uma vacina e de apoio médico. Aliás, do apoio de todos».