Leão quase se afogou no dilúvio mas teve salva-vidas milagroso (crónica)
Marcou, marcou… marcou outra vez! A Colômbia é verde e branca, Luis Suárez! Foi assim, encharcados pelo dilúvio mas em êxtase pelo 2-1 do avançado aos 90+6’, quando a missão leonina parecia impossível, que os adeptos do Sporting acabaram o jogo em Arouca, a cantar o nome do goleador herói e a aplaudir uma equipa impermeável na primeira parte, com goteiras e a meter água no início da segunda mas que nos fim das contas patinou, escorregou e derrapou mas não se espatifou graças aos dois golos do camisola 97, um salva-vidas decisivo aos 90+6’ para manter os verdes e brancos vivos na luta pelo título.
À partida para o final da tarde gelada em Arouca, duas certezas e uma dúvida: as certezas do tempo adverso e do regresso do capitão Hjulmand no Sporting após dois jogos de suspensão, um no campeonato e outro na Champions; a dúvida na forma como Rui Borges resolveria o problema à esquerda, porque Pedro Gonçalves estava de volta mas ainda com tempo de jogo limitado e assim era preciso escolher bem as peças daquele lado do puzzle, enquanto Matheus Reis tem de continuar a fazer de central. O treinador encaixou o reforço de inverno Luís Guilherme em zona ofensiva, permitindo o regresso de Maxi Araújo para lateral.
A certeza meteorológica do mau tempo não caiu no relvado em forma de neve mas deixou-o molhado como uma lagoa da Serra da Freita, sem no entanto dificultar a vida aos artistas. Os do Sporting estendidos no terreno no habitual 4x2x3x1, os do Arouca num 5x4x1 comedido, sem grandes correntes ofensivas ou a pressionar na barragem defensiva do leão, que por isso decidiu usar uma das suas armas alternativas: a profundidade, aproveitando a exímia qualidade de passe, sobretudo de Gonçalo Inácio, central que numa mão cheia de vezes procurou e encontrou os avançados que entraram com perigo no último terço.
Essa era uma forma do leão lá chegar e de alternativa às constantes movimentações de Geny, Trincão e Luís Guilherme, na largura, passou a principal arma leonina e responsável por dar forma à torrente ofensiva numa primeira parte em que o 1-0 de Luis Suárez aos 35’ mais do que se justificava. Esse golo surgiu precisamente dum passe longo de Hjulmand a encontrar Maxi à esquerda, para depois o colombiano receber na área de pé esquerdo, rodopiar, controlar a bola com a parte de fora do pé direito, o mesmo que usou para bater Arruabarrena.
Era a sétima incursão dos leões em zona perigosa para os lobos — a quarta, aos 21’, fora incrivelmente desperdiçada pelo 97 depois de ultrapassar o guarda-redes mas perder tempo e espaço para concluir —, era a vantagem que se justificava ao intervalo mas que cedo na segunda não evitou que o Sporting quase se afogasse.
A segunda parte
A reentrada do Arouca foi como uma tempestade para os de Alvalade. Vasco Seabra não descurou a solidez defensiva mas autorizou a equipa a ser mais afoita e por isso em menos de 15 minutos fez o que nunca tinha feito antes: não só aparecer na zona de finalização mas tentar a sorte que, com justiça, lhe calhou no pé de Barbero, que penteou a bola para a baliza de Rui Silva: 1-1!
Prémio para o arrojo arouquense, balde de água fria que enregelou ainda mais um leão que se fiou no 1-0 e entrou na segunda parte a pensar em gerir mas tão adormecido que só acordou com o golo sofrido, qual tromba de água em cima da sua cabeça.
Nervos de leão postos à prova. Pela esquerda Luís Guilherme tentou ressuscitar a equipa mas a precipitação (não a meteorológica) traiu-a. Rui Borges lançou Pedro Gonçalves e Morita, tirou Trincão desgastado e João Simões amarelado. Ainda trocou Matheus por Debast, por este ter mais decisão, e Luis Guilherme por Alisson mas na hora da verdade, Hjulmand (85’) e Suárez (86’) não conseguiram dar vida ao resultado.
Até que aos 90+6’, quando ninguém acreditava já, a estrelinha que em tempos bafejou muitas vezes outro Sporting resolveu não ter medo da chuva e bafejar o leão de Rui Borges, entrou na cabeça/ombro de Suárez que depois de cruzamento de Geny Catamo ressuscitou a equipa para o campeonato. E agora fica o leão na certeza da vantagem sobre o Benfica e à espera de poder encurtar distâncias para o FC Porto, quando o clássico de março se aproxima a passos largos. Para já, respira o leão de alívio: uuuufff!
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