José Mourinho, treinador do Benfica - Foto: Rogério Ferreira/KAPTA+
José Mourinho, treinador do Benfica - Foto: Rogério Ferreira/KAPTA+

«Justiça» de todos (até de Rui Costa) e os que «percebem muito»: tudo o que disse Mourinho

As palavras do treinador do Benfica na conferência de Imprensa que se seguiu à vitória (2-0) sobre o Rio Ave, em Vila do Conde, com um recado irónico aos críticos

José Mourinho teceu fortes elogios aos jogadores do Benfica após a vitória (2-0) sobre o Rio Ave, em Vila do Conde. O treinador das águias considera que «toda a gente» foi justa para com o plantel após a exibição no Dragão, apesar da eliminação da Taça de Portugal, e deixou um recado àqueles «que percebem muito».

—Foi a melhor primeira parte da época?

—Acredito que seja. Mas não esqueço de tantos jogos bons que o Benfica tem feito no campeonato fora de casa. A nossa carreira fora de casa tem sido muito convincente. A maneira como se ganhou em Guimarães, como se ganhou em Moreira de Cónegos, como se ganhou aqui… Não quero falar do empate em Braga ou do empate no Dragão, porque não são vitórias, mas a carreira fora de casa tem sido muito convincente. Há, de facto, uma primeira parte muito boa, muito forte, onde o resultado [2-0] era curto para o que nós tínhamos feito contra uma equipa boa. Estou super satisfeito com aquilo que os jogadores fizeram. Se não estou errado, temos mais pontos nesta jornada do que na mesma fase na época passada.

—Fala-se que o Benfica joga sem extremos, hoje joga com Schjelderup e Prestianni nas alas…

—Acho que você tem de perguntar isso a quem fala. De táticas e dinâmicas eu não percebo nada. Quem fala dessas coisas é, de facto, gente que sabe muito. Portanto, é melhor falar com eles, que eu percebo pouco disso.

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—O que guarda deste jogo?

—O mais importante depois da tristeza de uma derrota é conseguir ter a energia mental, a crença e a autoestima para chegar aqui e fazer o que se fez, jogando 90 minutos na quarta-feira no Norte, com uma viagem triste e longa. Decidimos internamente viajar só hoje e viajar de avião no dia do jogo, o que é um bocadinho anti-natura. Como eu lhes pedi [aos jogadores], tentar transformar a tristeza e a frustração de uma derrota em positividade. Em vez de se agarrarem à derrota, agarrarem-se ao que fizeram, que foi tudo menos merecedor de uma derrota. E acho que eles foram capazes de o fazer. Depois, a dificuldade acrescida em função de tantas lesões que temos. A presença do Enzo no banco é duvidosa, o próprio Manu também não está ainda bem, o Bruma está longe de estar bem. Fizemos dois jogos fora de casa contra duas equipas difíceis depois de viagem para cima, para baixo, para cima, praticamente com os mesmos jogadores, mudando um ou dois. Os jogadores, às vezes, também merecem palavras positivas. Da minha parte, um respeito tremendo por aquilo que eles fizeram nestes últimos dois jogos. E principalmente hoje, com gente fatigada, conseguir chegar aqui e ganhar desta maneira... O resultado não é expressivo, mas acho que o modo como eles jogaram e dominaram foi expressivo.

—Depois das eliminações das taças, como motivou a equipa para chegar aqui e fazer esta exibição?

—A forma de motivar e de preparar a equipa para este jogo é seguindo um princípio muito básico, que há pessoas que não percebem, ou há pessoas que não querem perceber, ou há pessoas que se divertem a falar de mim, principalmente a criticar. Mas o princípio é muito básico: o princípio da justiça. E quem joga como o Benfica jogou no outro dia no Dragão… Tratei-os com justiça, que é carinho, empatia, partilhar, dialogar. Não ir para o lado de resultado, derrota e eliminação. Ir na direção de «grande jogo, grande personalidade, grande domínio». Tentámos encontrar um modo, com os jogadores que tínhamos à disposição, de dominar e criar perigo. Tínhamos Manu, Enzo e Bruma no banco, limitados. Depois, os miúdos Rego e Neto. O senhor António Silva, que, com o senhor Tomás e com o senhor Otamendi, nos deixa perfeitamente tranquilos naquela zona. Jogue quem jogar, é uma grande dupla de centrais. Os jogadores foram muito bravos. A sua pergunta tem razão de ser, mas o que foi feito foi, simplesmente, e não só da minha parte, ser justo com os jogadores. Mesmo o presidente, quando falou com eles hoje antes do jogo um par de minutos, o Mário Branco ontem, o Simão Sabrosa há dois dias... Toda a gente foi justa com os jogadores. Toda a gente foi justa. E eles responderam a essa justiça com uma grande performance individual e coletiva.

—A exibição do André Luiz aumenta ou diminui o interesse do Benfica no jogador?

—Não vou comentar jogadores do Rio Ave individualmente. Primeiro, porque são jogadores do Rio Ave e segundo porque honestamente, quando se está no banco e se olha para a globalidade do jogo, não se está a seguir especificamente um jogador. Nós sabíamos que o Rio Ave era boa equipa, conseguimos definir bem aquilo que eles são, sabemos como é que eles empataram o jogo na Luz e tentámos levar o jogo numa direção em que nós dominássemos. O resultado ao intervalo era curto, era muito importante na segunda parte continuar a controlar o jogo, se não marcando como podíamos ter marcado, mas pelo menos com uma boa coesão no sentido de, perante uma bola perdida, ter a equipa organizadinha.