Em 2018, Júlio Vieira de Castro perdeu as eleições para Júlio Mendes, ao recolher 47,6% dos votos - Foto: D.R.
Em 2018, Júlio Vieira de Castro perdeu as eleições para Júlio Mendes, ao recolher 47,6% dos votos - Foto: D.R.

Júlio Vieira de Castro: «Gil Lameiras? Enquanto adepto chateio-me se não ganhamos»

Em entrevista A BOLA, o candidato da Lista B garante que o único tema a tirar-lhe o sono é a competitividade da equipa. Afirma ainda ser o único concorrente que não é de «continuidade» ou «continuação»

Júlio Vieira de Castro, que concorre à presidência do Vitória de Guimarães do próximo sábado (dia 13), afirma que mais do que «nomes» e «cargos» quer «competência».

— Gosta de abordar as modalidades, mas a verdade é que o futebol chama muito mais a atenção…

— O futebol é a mola! Gosto muito das modalidades, temos 14, mas o futebol é a mola do clube. O dinheiro vem de lá, das transferências de jogadores. Sustenta todos os clubes.

— Para isso a equipa tem de estar forte…

— Forte, competitiva e tem de ganhar, ter resultados positivos. É a única questão que posso confidenciar-lhe que me tira o sono: é manter a competitividade da equipa.

— Acha que para isso é preciso ter um diretor desportivo?

— É necessário, mais do que tudo e independente dos cargos, ter pessoas competentes em toda a estrutura, de cima a baixo.

Não estou preocupado com nomes, mas sim com competência.

— Então considera que ter diretor desportivo é algo prescindível?

— Não digo isso. Digo que o Vitória precisa, mais do que tudo, de competência. Não podemos dizer que vamos olhar para a formação só por dizer. Temos de ouvir as pessoas, trabalhar com elas e fazer adaptações, para tornarmos a nossa formação mais eficiente. Não estou preocupado com nomes, mas sim com competência.

— Mas vai ter ou não diretor desportivo?

— Vou ter uma pessoa que vai fazer a ponte com o treinador, com o scouting, com a formação... Há de haver uma pessoa.

— Gostou do trabalho de Gil Lameiras?

— Quem tem de avaliar esse trabalho é a atual Direção.

— E enquanto adepto?

— Enquanto adepto, chateia-me quando o Vitória não ganha e fico satisfeito quando o Vitória ganha. Enquanto adepto, será sempre assim. Em alguns jogos fiquei contente, noutros menos, tal como todos os adeptos.

— Quer fazer alguma promessa no plano desportivo?

— Não... Seria deselegante fazer isso aos sócios. A única coisa que prometemos é que vamos montar uma equipa competitiva e que honre os pergaminhos do Vitória. Essa é, como lhe confidenciei, a questão que me tira o sono.

«Não vimos com ideias loucas»

— O que o distingue dos outros candidatos?

— O nosso projeto. A forma como vemos o Vitória. Entendo que os outros três adversários são a continuidade. Eu costumo dizer que um é a continuidade e os outros dois a continuação.

— Porquê?

Sempre avisámos que não vínhamos com promessas que absolutamente inexequíveis.

— Desde início, procurámos transmitir aos sócios que o Vitória precisa de se reorganizar. Tal como fazemos nas nossas casas ou empresas, em que gastamos o que temos e não gastamos o que não temos, entendemos que o Vitória, de uma vez por todas, tem de entrar por esse caminho. Os sócios já estão cansados deste tipo de modelo de gestão. Está na hora de nós nos organizarmos. Não é uma questão de dar um passo atrás para dar dois em frente, mas nós queremos dar um em frente. E dar um passo em frente não é continuar com este modelo de gestão, que já todos percebemos que não tem futuro. Desde o primeiro momento, transmitimos aos sócios do Vitória que não vínhamos com ideias loucas e promessas que consideramos absolutamente inexequíveis…

— Consegue exemplificar algumas dessas promessas que considera inexequíveis?

— O Stadium Finance [proposta da Lista C] tem muito por explicar... Também tivemos essa proposta, mas recusámos por entendermos que onerava mais o Vitória do que beneficiava. O próprio departamento financeiro do Vitória também nos informou que teve essa proposta e também a rejeitou pelo mesmo motivo. Depois, temos uma outra proposta que, afinal, é um grupo económico argentino sediado nos EUA [proposta da Lista A] e que, de futebol, não sei se percebe muito, mas teve duas experiências falhadas na Europa. Não me parece que seja o melhor cartão de visita.

— E na Lista D?

— Rui Rodrigues esteve quatro anos na Direção, mas decidiu agora que uma boa proposta para o Vitória é aumentar camarotes, pôr lugares VIP na bancada nascente, pintar as cadeiras de preto, fazer uma série de coisas que não fez nos últimos quatro anos. Lançou um comunicado em que diz que é necessário para o Vitória juntar-se ao tecido industrial vimaranense. Estive lá quatro anos e pouco ou nada fez nesse capítulo. Quando questionamos, em debates, a Lista D sobre algumas coisas, não responderam porque disseram que são decisões do presidente. Porém, sobre os direitos televisivos, que é um tema da esfera do presidente, prestaram esclarecimentos. Também deram esclarecimentos sobre a venda de jogadores, quando nos debates disseram que as vendas de jogadores são decisão do presidente. Portanto, ainda não consegui perceber muito bem se estou a falar com o diretor financeiro ou se estou a falar com o moço de recados de António Miguel Cardoso.

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