Esta é a terceira vez que o atleta é acusado de violência. IMAGO
Esta é a terceira vez que o atleta é acusado de violência. IMAGO

Julgamento de Happio por violência doméstica foi adiado

Vice-campeão europeu dos 400 m barreiras, que está suspenso desde janeiro de 2025 por falhas nas suas obrigações de localização para controlo anti doping, vai sentar-se no banco dos réus em outubro pela terceira mulher que o acusa

O julgamento de Wilfried Happio, vice-campeão europeu de 400 metros barreiras em 2022, por acusações de violência doméstica, foi adiado para 7 de outubro. A decisão foi tomada esta quarta-feira pelo tribunal judicial de Créteil, após um pedido do advogado do atleta.

Happio, que já se encontra suspenso desde janeiro de 2025 por falhas nas suas obrigações de localização para controlo anti doping, não compareceu na audiência, o que motivou o descontentamento da juíza presidente. «Este pedido de adiamento não dispensava o Sr. Happio de se apresentar na audiência. Ele deveria ter comparecido hoje», declarou a magistrada.

As acusações, que remontam aos anos de 2018 e 2019, foram feitas pela sua ex-companheira, Maria (nome alterado), que denunciou violência física e moral. A queixa foi formalizada em dezembro de 2024, cinco meses após um artigo no jornal Le Monde ter detalhado o seu testemunho.

O advogado de defesa, Me Pierre-François Feltesse, justificou o pedido de adiamento por estar a «pleitear atualmente em tribunal de júri», segundo uma colaboradora. Por sua vez, a advogada da queixosa, Me Lina Belkora, não se opôs ao adiamento, embora tenha lamentado a ausência do atleta.

«Lamentamos que a audiência não se tenha podido realizar hoje», afirmou Me Belkora, acrescentando que a sua «cliente aguarda o desfecho deste processo». A advogada sublinhou a importância da presença do acusado: «Gostaríamos que o Sr. Happio estivesse presente hoje, o que não aconteceu. A sua presença parecia indispensável para que pudesse responder às perguntas do tribunal».

Apesar do adiamento, a advogada da vítima conseguiu que o controlo judicial de Wilfried Happio fosse mantido. O atleta continua proibido de contactar a vítima e de se aproximar da sua residência, além de ter uma obrigação de tratamento.

Recorde-se que o semifinalista dos Jogos Olímpicos de Paris 2024 já tinha sido alvo de queixas por parte de outras duas mulheres. Uma por violência física em 2020 e outra por agressão sexual em 2021. Ambos os casos foram arquivados pela justiça por «infração insuficientemente caracterizada».